Revista Rua

Catherine Pereira

18 de abril de 1928

Texto: Catherine Pereira |

Ele hoje faz 89 anos. Os 89 que trazem a história da sabedoria e da tranquilidade. Os 89 que não saberíamos se chegavam, mas que com força, resistência e perseverança não se perderam… Nasceu a 18 de abril de 1928 e nas suas mãos contemplamos a história de uma vida pautada pela guerra, pela fuga, pelo trabalho, mas também pelo amor. São 89 anos de vida, de quem nunca esteve só e que com os seus olhos azuis refletem a história de uma vida vivida com garra, teimosia, força e honradez.

Hoje celebro (celebramos) a sua biografia, o seu percurso e a vida que nos deu. Sem ele tudo teria sido mais difícil, mais penoso, menos completo e com menos histórias. Quando estamos juntos, e no auge de quem merece ser ouvido, ele conta e repete histórias sem fim. E, no respeito pelos seus 89 anos, nós ouvimos. Sempre com muito amor. A passagem amarga pela ditadura militar, a fuga obrigatória para outro país e a saudade dos que ficaram, foram episódios que delinearam muitas das rugas da sua vida.

Hoje, quando ele recorda estas histórias, os seus olhos azuis brilham e a voz embargada reforçam a coragem de quem nunca desistiu com medo de perder. Parece que o vejo neste momento. Sentado, na sua cadeira, acompanhado da sua bengala e da sua “fiel de quatro patas”, olhando para a natureza que sempre o acompanhou.

E é assim, no auge dos seus 89 anos, que ele diz ser e estar feliz. E eu acredito que ele é verdadeiramente feliz. Rodeado de amor, sabendo que onde está, estará sempre protegido. Chegou aos 89 anos com a certeza de que a sua missão ficou cumprida e que agora só precisa de apreciar o dia a dia. E que destes 89 ainda possam surgir outras primaveras. Da sua tranquilidade presente, da sua paz e da sua calma fica a mais bonita lição de vida: que a idade é uma fonte inesgotável de sabedoria e que, no fim, ela sempre nos liga ao que é mais importante: o amor. E que esse amor nos junte por muitos mais anos…