Revista Rua

Alfredo Bastilhas

25 de Abril sempre?

Texto: Alfredo Bastilhas |

Este ano atingimos um marco curioso na nossa democracia. Aos 41 anos do antigo regime opõem-se os 43 de uma democracia que começou fulgurante e muito ativa, mas que depressa foi revelando as suas debilidades. Todos os regimes necessitam de evolução e pequenas revoluções e a nossa democracia é um bom exemplo disso.
Ao longo destes 43 anos reclamámos e aclamámos a liberdade como expoente máximo da nossa vivência enquanto sociedade, mas fomos permitindo a criação de monstruosidades e perversidades escudadas nessa velha máxima que os lutadores de Abril tanto gostam de apregoar. Hoje temos clientelas e partidarites que subvertem completamente o sistema democrático. Hoje os filhos dos partidos são, na sua maioria, malformados do ponto de vista intelectual e dos valores e mal preparados para exercerem os cargos que, o tal sistema que tanto defendemos lhes dá de mão beijada em troco dos favores e esquemas que vão montando ao longo da sua vida. A verdade é que a nossa classe política é, maioritariamente, mal preparada, incompetente e malformada, mas com uma grande vantagem… podem sempre escudar-se no sistema que os elege, no povo que vota no circo e nos partidos que fazem uma seleção natural entre seguidistas empalados e seres pensantes e arrojados que pretendem de facto fazer algo de novo e diferente. O sistema está velho, caduco e não corresponde minimamente ao que precisamos para o futuro.
E quando surgem os ‘Rui Rios’ da política portuguesa, os partidos tratam logo de os esconder, segregar e calar à luz do tal sistema que alimenta os incompetentes e os seguidistas que nos afundaram num mar de dívidas e políticas erradas praticadas ao longo de quatro décadas.
Se precisamos de acabar com a democracia? Não, obviamente. Devemos antes refundá-la, pensar se ela deve assentar mesmo numa representação partidária ou mais personalista, se devemos defender mais políticas e fundamentos políticos ao invés de mais ideias e estratégias descomplexadas e desamarradas de princípios partidários bacocos e irrealistas. Numa ideia, se devemos eleger partidos e seus sistemas ou pessoas. O ciclo da democracia de Abril está no fim e é hora de fundar uma nova democracia, democrática com certeza mas mais real, mais focada em resultados e objetivos reais e menos assente em filosofias ou idealismos preconceituosos ou dogmáticos.
25 de Abril sempre? Não decididamente.