Revista Rua

Alfredo Bastilhas

A taça CTT, os impostos e a bimby

Texto: Alfredo Bastilhas |

Em rescaldo da surpreendente derrota do S.C.Braga com o Moreirense, perdendo desta feita a taça CTT, decidi escrever, pressionado até pelo fecho de edição da revista, sobre o peso dos impostos na economia e como estes são um entrave real ao desenvolvimento económico.

O que é que uma coisa tema a ver com a outra? Nada, obviamente. Apenas achei o primeiro facto digno de menção e o segundo o tema que toca a todos.

Os políticos, da direita à esquerda, usam a carga fiscal como um fator de desenvolvimento do país na medida em que, alegadamente, dará ao Estado as ferramentas necessárias para intervir na economia e na sociedade de forma mais efetiva e eficiente. Errado, totalmente errado.

O Estado, como nós sabemos, só faz asneira porque é, na maioria das vezes, gerido por pessoas com pouca competência, com uma propensão nata para criar feudos à sua volta, de forma a manter vivo uma espécie de sistema político sustentável no qual uma série de ‘personalidades’ conseguem a façanha de viver uma vida inteira sem fazerem nada de concreto, refugiados em dogmas e lugares comuns, distribuindo pão e circo por um povo que, iludido pela aparência de um sistema onde mandam alguma coisa, vai cantando e sorrindo, festarola atrás de festarola e pagando, ciclo após ciclo, aquilo que os ‘primos’ dos senhores que hoje estão no poder esbanjaram sem rei nem roque.

A verdade é que o Estado é uma pessoa de má fé porque age na economia privada com uma capa de bom samaritano sendo o pior pagador, o mais exigente comprador e o pior gestor de recursos que pode existir. Nós vivemos a era dos boys, da geração de políticos bimby, aqueles que parecem ter as ferramentas para fazer qualquer coisa, parecem saber de tudo um pouco, quando na realidade não passam de uma panela que cozinha esquemas com aprumo e rapidez, sem vapores nem outros incómodos para a cozinha, quase sem se dar pela sua existência, mas alimentando gerações de gerações de famílias, quais? Desde logo a dos partidos, os maiores interessados da panela. Se pensarmos que, em média, um trabalhador trabalha meio ano para pagar o custo desta máquina, que uma empresa chega a entregar mais de 40% do que consegue produzir ao aparelho estatal, vejam bem como dá para os senhores viverem à grande e à portuguesa.

Mas sejamos autocríticos também como sociedade. O povo que elegeu José Sócrates, é o mesmo que lhe dá audiências na tv, mas também o mesmo que exige que os políticos sejam julgados. Pescadinha de rabo na boca. E distribuir jogo e dar de novo, não?