Revista Rua

Rui Moreira

Será bom viver em Braga (outra vez)

Texto: Rui Moreira |

 

Em ano de eleições, de pouco vale a Ricardo Rio anunciar aos quatro que tem o voto de Deus.
Um socialista, republicano e laico não se assusta com estas revelações porque sabe que Deus não existe, logo não vota. Por outro lado, se Ricardo Rio tem Deus, nós temos o espírito do Monsenhor Melo. Acresce que há razões fortes para suspeitar que Deus só vota em Ricardo Rio como contrapartida por um favorecimento ilegítimo à Sua Igreja no caso do São Geraldo, esse esqueleto no sacrário de proporções bíblicas que é bem capaz de tirar muitos votos à coligação de direita.
No mais, este mandato autárquico é uma imensa desilusão. Muitas promessas, muitas aparições públicas, muita comunicação e fotografias no Facebook...mas obra que é bom, nada. Só conversa, negócios e festarolas, numa indigência programática que compara negativamente com as décadas de desenvolvimento sustentado que marcaram o feliz consulado do camarada Eng.º Mesquita Machado. Para quem tiver dúvidas, ficam três exemplos:
1. O ‘Braguinha’ – onde o nosso Mesquita solucionava tudo - desde a composição das direções ao ‘Estádio das Paixões’, passando por licenciamentos de projetos urbanísticos em prol do clube ou até a relva do Estádio - a coligação de direita impôs uma política de austeridade e, em quatro anos, apenas concedeu ao enorme SCB um miserável terreno para a Academia (e o clube se quiser que a construa porque a CMB nem isso faz). Um escândalo, que ainda por cima vai dar cabo das piscinas olímpicas – obra emblemática iniciada por Mesquita Machado – e do Parque Norte.
2. Festas a toda a hora - toda a gente sabe que a Páscoa, o São João, a Noite Branca, a Braga Romana e a inauguração da iluminação de Natal são as festas verdadeiramente importantes de Braga e foram criadas por Mesquita Machado – que também trouxe para Braga a U.M. e com ela as festas académicas - com o intuito de desenvolver o comércio local e dar vida ao centro da cidade. Ricardo Rio não só desvirtuou estas festas como ainda criou muitas outras, tornando insuportável a vida no centro histórico e dando cabo da vida aos comerciantes. Alguém acredita que isto traz algum benefício à cidade? Ou o que se fez foi trocar de atividade económica favorita do regime, descurando a lucrativa construção civil pela inócua produção de eventos, com claro prejuízo dos bracarenses?
3. O urbanismo – compreende-se que, sendo Ricardo Rio um presidente sem obra, tente encobrir esta falha desatando a autorizar tudo quanto é grande construção particular. E eis que, de repente, saem esqueletos dos armários da vereação do urbanismo para as prateleiras do Continente. Jamais um humanista de esquerda como Mesquita deixaria abrir um mamarracho no centro da cidade, ou licenciaria uma aberração urbanística em tempo recorde. Um hipermercado numa zona habitacional? Em Braga? Está tudo doido, nunca se viu nada assim.
Como nós nos fartámos de avisar ao longo das décadas, mudar foi mau. Assim sendo, é preciso mudar outra vez. Se a coligação de direita é assim ao fim de três anos, imaginem aos trinta e sete. É por isso que Mesquita Machado merecia uma medalha e também por isso que se impõe apostar numa nova geração de políticos de esquerda, livre de compromissos com as políticas do passado (tirando curtas assessorias sem qualquer importância). Para que que a nossa cidade deixe de ser um slogan de cerveja mal-amanhado e possamos todos voltar a dizer: É bom viver em Braga!
 
[Este é um artigo de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência].