Revista Rua

2018-07-18T17:11:52+00:00 Opinião

A vida não tem tempo

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Catherine Pereira
Catherine Pereira
18 Julho, 2018
A vida não tem tempo

Vivemos diariamente assoberbados pela vida que nos absorve, perdendo o tempo que não temos com coisas que pouco importam… A vida vai passando e o melhor que podíamos viver fica preso num stress laboral, numa fila de trânsito imensa, num atraso de reunião ou numa simples palavra que nos magoou e que nos alimenta o resto do dia…

Perdemos o tempo da vida em momentos que não nos trazem felicidade e que apenas bloqueiam o verdadeiro tempo de amor, partilha e ternura. Vivemos como se as horas parassem, como se o relógio não tivesse ponteiros, como se fossemos eternos nesta viagem da vida que é tão efémera…

Vivemos atormentados pela quantidade de coisas que temos para fazer, não pela quantidade de coisas que temos para viver. Respeitamos pouco o tempo que a vida nos dá, esquecendo que é esse o tempo que vai fazer a nossa história, que nos vai prolongar nas memórias dos outros…

Vivemos como se todos aqueles que amamos pudessem esperar por mais um fim de tarde, por mais um fim de semana, por mais uma hora de “gosto muito de ti”, como se o amanhã fosse uma certeza, esquecendo-nos de que o amanhã não existe…

Vivemos na vontade de sermos cada vez melhores, cada vez mais reconhecidos e importantes, como se isso fosse o que nos tornasse inteiros, esquecendo-nos, muitas vezes, que sem os nossos somos apenas metade.

Vivemos acreditando que há sempre tempo para amarmos quem amamos, para adiarmos a palavra, o olhar, a doçura e a partilha dos momentos com aqueles que são nossos.

Vivemos “acreditando” nisto até que a vida nos diz: “não há mais tempo”. E aí, percebemos que o stress laboral, a fila de trânsito, o atraso de uma reunião ou a simples palavra que nos magoou, são muito menores comparados ao que realmente importa… Quando o tempo acaba, só restam os momentos com aqueles que amamos. Com aqueles que, por vezes, achavamos que podiam esperar porque o tempo era infinito…

Podemos e devemos viver tudo intensamente, desde que saibamos parar. Parar por nós e pelos nossos. Nós podemos parar… o tempo não.

Grata pelos meus… que sabem que um final de tarde nunca se adia. Amo-vos.

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