2018-05-03T10:52:52+00:00 Património, Região

Amor ao Minho

José Gonçalves Lopes
José Gonçalves Lopes2 Fevereiro, 2018
Amor ao Minho

O meu, o teu, o nosso Minho, repleto de locais naturais de rara beleza, costumes milenares, património relevante, é a região da génese e formação da nacionalidade, somos portugueses há mais tempo do que o resto do país.

O Minho está repleto de elementos que nos une ao amor. Começamos pelo coração de filigrana, com raízes na Póvoa de Lanhoso e soberano das festas da Nossa Senhora da Agonia em Viana do Castelo, e que é trabalhado numa atenção ao detalhe que demonstra a dedicação e o afeto do artífice a esta arte.

Saliento também os Lenços dos Namorados, tipicamente minhotos, que têm o expoente máximo em Vila Verde. São feitos em pano de linho ou de algodão, e foram criados como ritual de conquista, onde a mulher o oferecia ao homem que apreciava. Se este não o usasse publicamente era sinal que não tinha aceite o pedido. Os lenços têm ainda hoje em dia erros ortográficos para mostrar a origem popular e a pouca formação de quem os confecionava.

É também uma região repleta de lendas sobre o amor. Realço a lenda do Rio Ave. Há muito tempo, uma mulher vinda da Galiza, guardava o seu rebanho de cabras enquanto admirava a paisagem. A jovem cabreira de rara beleza contemplava as verdejantes telas naturais, o azul levemente pintado do céu, a melodia do chilrear das aves acompanhada com o relinchar dos garranos, que são os cavalos típicos desta região. A calma deste espaço foi importunada por cães que ladravam, cavalos que galopavam e homens que gritavam enquanto caçavam. A cabreira foi então vista por um cavaleiro, que logo ali, deslumbrado pela sua beleza, mostrou o seu encanto por ela. Os dias passaram, o amor cresceu numa linda história de amor. Quando o cavaleiro teve de regressar à sua terra, prometeu que a viria buscar e desvendou que era um Conde de uma localidade próxima. Com o passar dos dias, a tristeza da cabreira foi aumentando porque não tinha notícias do seu amado. De tanto chorar, as suas lágrimas formaram um rio que percorreu os vales até onde o seu amado parou, Vila do Conde, onde o Rio Ave desagua. À serra foi atribuída o nome de Cabreira para que ninguém esquecesse o seu triste fado, e o rio de lágrimas foi denominado de Ave, porque era este o sonho dela, ser uma ave para voar e mais rapidamente encontrar o seu amado.

No mês de São Valentim, é com paixão que redigi estas linhas, com o coração a palpitar mais rapidamente, numa carta de amor à região onde nasci e vivo.