Revista Rua

2018-07-06T10:51:32+00:00 Cultura, Música

As lendárias The Raincoats agasalharam o público do gnration

Marta Alves
Marta Alves3 Julho, 2018
As lendárias The Raincoats agasalharam o público do gnration

É certo que já entramos no verão, porém, ainda é preciso andar com raincoats vestidos. Não é verdade? Pois bem, parece que o gnration advinhou a meteorologia apontada para a sexta-feira passada e trouxe as míticas britânicas The Raincoats para aquecer a noite com o punk e pós-punk que germinou nos anos 70. A abertura da noite ficou a cargo dos portugueses Dear Telephone que apresentaram o seu último trabalho discográfico intitulado Cut.

Inspirados pelo nome da curta-metragem de Peter Greenaway, Dear Phone (1976), o quarteto barcelense formado por Graciela Coelho (White Haus), André Simão (la la la ressonance), Ricardo Cibrão (la la la ressonance) e Pedro Oliveira (peixe:avião) foi escolhido para iniciar a noite da sexta passada no gnration, em Braga. A banda aproveitou para ecoar o álbum mais recente (Cut) que traduz o seu amadurecimento. No entanto, os músicos também fizeram questão de tocar temas mais antigos como a “Close my eyes”.

O destaque do novo álbum vai para a voz da Graciela que passa a assumir-se por inteiro.

Com um intervalo de cerca de dez minutos, não foram muitas as pessoas que saíram da sala. Aguardava-se ansiosamente a chegada da banda revolucionária do punk e do pós-punk formada na Inglaterra nos anos 70.

Desde logo, o público recebeu as três mulheres lendárias com grande contentamento e admiração, onde os aplausos e “gritos” se manifestaram claramente.

Para um olhar mais atento, as idades de quem mirava o espetáculo eram variadas, todavia a frontline parecia estar reservada a pessoas entre os 30 a 50 anos.

As The Raincoast têm uma história com um peso inigualável na música internacional e, sim, há uma portuguesa no meio.

Enquanto em Portugal acontecia a Revolução dos Cravos, a madeirense Ana da Silva viajou até Londres para estudar Artes e, mais tarde, criou juntamente com Gina Birch as The Raincoats.

Sempre atentas às bandas de renome da altura, Ana e Gina desejavam abraçar um projeto que marcasse a era do rock feminino.

São várias as mensagens que procuraram enaltecer, entre elas, a emancipação da mulher. Ana refere ainda nos tempos de hoje: “Sim, somos feministas. A palavra tem o mesmo significado, mas outras conotações: espírito forte, independente, aberto, vivo — coisas positivas”. (Ípsilon, 29 de junho de 2018)

A baixista Gina Birch tornou o concerto ainda mais único através do seu bom humor e com os olhos a denunciar a emoção que estava a viver. Já Anne Wood estava a vibrar cada som que propagava no seu violino. Tendo até dando alguns saltos de felicidade.

Ao longo da carreira já editaram quatro álbuns:  The Raincoats (1979), Odyshape (1981), Moving (1984) e Looking in the Shadows (1996). Trabalhos muito acarinhados por vários artistas famosos como Kurt Cobain.

Nos últimos tempos, as The Raincoats apenas se encontram em ocasiões de cariz muito especial.

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