Revista Rua

2018-08-20T12:18:56+00:00 Cultura, Outras Artes

Banhos velhos

Quando as termas dão vida à arte
Nuno Sampaio
Nuno Sampaio3 Abril, 2018
Banhos velhos
Quando as termas dão vida à arte

Nas Caldas das Taipas, José Manuel Gomes é o dinamizador de um programa cultural que dá novo vigor a um local histórico da vila: os Banhos Velhos. Entre as águas termais terapêuticas e as apostas em divulgação cultural através de concertos, palestras ou apresentações teatrais, esta vila de Guimarães transforma-se, de abril a setembro, num autêntico cenário para as artes. A RUA esteve à conversa com José Manuel Gomes, desvendando alguns destaques da programação desta oitava edição de agenda cultural sob alçada da Taipas Termal.

De onde é que surgiu a ideia dos Banhos Velhos? Como é que nasceu o projeto?

Os Banhos Velhos são umas termas antigas. Este edifício esteve em ruínas desde os anos 60 até 2009, altura em que a direção da Taipas Termal decidiu reabilitar este espaço e dar-lhe uma utilidade sazonal de Casa de Artes, onde acontecem palestras, workshops, teatro, concertos, etc.

Há quanto tempo existem os Banhos Velhos?

Os Banhos Velhos, enquanto Casa de Artes e enquanto local que promove cultura, existe desde 2010. Este já é o oitavo ano consecutivo de agenda cultural que vai desde abril até setembro.

Qual é a tua função nos Banhos Velhos e há quanto tempo estás por cá?

Sou programador cultural, diretor artístico, designer, faço um pouco de tudo. Desde o primeiro email até ao pagamento, tudo passa por mim, com a ajuda de uma equipa técnica fantástica. Já tinha estado cá em 2011 enquanto estágio profissional, depois voltei em 2013 e desde 2016 que estou à frente dos Banhos Velhos.

Qual é o balanço das edições anteriores?

É bastante positivo! Não apenas pela adesão do público, mas pelo papel importante que os Banhos Velhos desempenham: todos os eventos são de entrada livre. Nós promovemos a cultura numa vila que fica entre dois polos importantíssimos, Guimarães e Braga. Pensar que este sítio, que estava em ruínas há oito anos, e agora promove uma descentralização cultural, é incrível! O balanço é sempre positivo porque há uma missão – mais do que a adesão -, que tem sido cumprida.

Como é feita a seleção de espetáculos e artistas?

Quando o teu papel é ser programador cultural tens que ter um papel ativo naquilo que é a natureza dos eventos que propões fazer. Na minha opinião, um erro que acontecia antes era que 80% dos eventos eram concertos e depois, residualmente, havia palestras, teatro e cinema. Hoje tento fazer uma distribuição mais justa possível. Temos um concerto por mês, que costuma ser o highlight do mês, porque, quer queiramos quer não, é a música que atrai mais pessoas. Mas na minha lógica tento ter o máximo de eventos distribuídos por natureza, ou seja, o mesmo número de teatros, palestras, concertos e workshops infantis. Nós tanto recebemos uma peça de teatro dos alunos da escola secundária, como recebemos um concerto do Júlio Pereira, The Legendary Tigerman ou Linda Martini. Obviamente que existe um critério, mas literalmente abrimos as portas aos agentes, às pessoas, às associações e promovemos a cultura durante seis meses de uma forma gratuita para toda a gente. Normalmente, em agosto, temos uma noite de fados com pessoas de cá. Escusado dizer que isto enche sempre. Há aqui um cuidado em fazer uma programação dos oito aos oitenta.

Podes adiantar alguma da programação para este ano?

A programação deste ano segue a lógica dos outros anos, de abril até setembro. Para já, podemos adiantar o primeiro trimestre, de abril até junho. Continuamos a ter workshops infantis, teatros e concertos, com destaque para alguns eventos: no dia 5 de maio vamos receber o Luís Severo, que lançou um disco no final do ano 2017 que eu pessoalmente gosto muito. Vem cá dar um concerto a solo, intimista; em junho, a Surma vem cá apresentar o último disco, também lançado em 2017; de destacar também o facto de 2018 ser o ano de comemoração dos 200 anos da indústria termal aqui nas Taipas, ou seja, desde que a Câmara Municipal começou a explorar as águas termais como um negócio. Nesse sentido vamos ter cá tertúlias com o historiador António de Oliveira, que falará sobre os 200 anos das Termas dos Banhos Velhos, que é um baluarte aqui da vila.

Partilhar Artigo:
Fechar