2018-05-03T21:04:52+00:00 Minhotos pelo Mundo, Região

Barcelona, a cidade onde o antigo e o moderno se confundem

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Filipa Santos Sousa
Filipa Santos Sousa2 Março, 2018
Barcelona, a cidade onde o antigo e o moderno se confundem
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Localizada ao largo das margens do Mediterrâneo, a capital da Catalunha emerge como um dos maiores motores económicos espanhóis e da Europa. História, cultura, euforia e praias de perder de vista são alguns dos ingredientes que tornam esta cidade na receita perfeita para uma viagem.

Com um idioma próprio e uma saúde financeira forte o suficiente, as vozes catalãs independentistas têm-se feito ecoar com maior intensidade. Apesar dos ambientes recentes de tensão, a vida em Barcelona continua a decorrer naturalmente, envolta por uma efervescência cultural que está patente em cada rua. Símbolo da arquitetura gótica e modernista, a cidade abraça também uma larga comunidade de estrangeiros, incluindo portugueses e, claro, minhotos. Andreia Leite, de 28 anos, é natural de Guimarães, mas há muito que fez da capital catalã a sua casa.

“Com 22 anos, fiz as malas e vim para a terra de Gaudí. Três meses depois de começar o Mestrado [em Organização, Trabalho e Recursos Humanos] já tinha trabalho. Entretanto, já mudei algumas vezes de empresa. Atualmente, sou a responsável de Recursos Humanos no escritório de uma multinacional de e-commerce – Magento”, conta a jovem vimaranense. Confessa apaixonada por viagens, Andreia assume, sempre que pode, o papel de “turista de algum lugar perdido neste mundo”.

No entanto, é com facilidade que passeia horas sem fim por Barcelona. É possível respirar, um pouco por toda a parte, a arte de Gaudí – criador da célebre Igreja da Sagrada Família –, de Miró ou Picasso. A par dos monumentos e museus, é impossível não desfrutar de “uma tarde de domingo na Ciutadella”, ou noutros “lugares mágicos em que, muitas vezes, não aparecem guias turísticos: Bunkers del Carmel e Teatro Grec”, acrescenta a minhota. Para além disso, as praias são outro dos chamarizes, facto que aliado ao clima ameno torna a ideia de um mergulho em algo ainda mais agradável.

Num ambiente de cultura e boémia – basta um esgueirar a Las Ramblas para perceber o espírito de fiesta que advém dos locais e visitantes –, prevalecendo o informalismo e a descontração mesmo na forma de trato. “Uma das coisas que mais me surpreendeu foi que toda gente se trata por tu”, explica Andreia. No seu entender, as vantagens de se viver em Barcelona não se resumem ao estímulo intelectual e de lazer, mas também serve para satisfazer o palato dos mais difíceis. “A gastronomia é de comer e chorar por mais”, declara.

Com sorte, enquanto se convive e bebe umas Estrellas Damn, à falta das típicas Super Bock portuguesas, poderá detetar-se a presença de alguns famosos. “Tinha ido à Segurança Social e à saída decidi entrar num café. De repente, olho para a esplanada e estavam lá os Arcade Fire a tomar o pequeno-almoço no mesmo sítio”, relata. Tendo em conta este cenário, não é de admirar que a integração de Andreia não tenha sido difícil, contudo volvidos seis anos ainda há algo que a incomoda: “Para mim, o mais complicado foi adaptar-me ao horário das refeições. Aliás, ainda hoje me fazem um bocado de confusão os almoços às 15h00”.

De momento, a jovem não pensa em regressar às suas raízes. Como menciona a letra de uma música: “Barcelona, tiene poder, Barcelona poderosa, Barcelona tiene poder” (em português, “Barcelona tem poder. Barcelona poderosa. Barcelona tem poder”). Seja como for, a capital da Catalunha, senhora do Mediterrâneo, da música e cultura, do antigo e moderno, está à espera de ser descoberta, mesmo por aqueles que julgam que já a conhecem. Um mistério belo e eternamente indecifrável.

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