Revista Rua

2018-05-03T11:00:34+00:00 Opinião

Chatices variadas

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João Lobo Monteiro
João Lobo Monteiro
2 Janeiro, 2018
Chatices variadas

Cometeram o erro de me dizer “João, este mês tens tema livre”. Assim sendo, peço desculpa, mas vão ter de levar com as inquietações do meu quotidiano. Nomeadamente, como parar o domínio imposto pelo Manchester City, que está a tornar a Premier League, outrora o campeonato mais competitivo do mundo, num grande bocejo para o telespectador? Não, estou a brincar. Vou falar de comportamentos de pessoas em chats internéticos.

Os chats foram criados para sabermos que estamos a ser ignorados virtualmente, como se não bastasse sermos ignorados pessoalmente. Ou então eu tenho um conjunto de más experiências.

Além do ‘visto’ ou dos ‘certinhos’ azuis no Whatsapp, acho que se devia criar uma ampulheta eletrónica, para sabermos até que altura é aceitável estarmos na expectativa de que a outra pessoa responda. É triste verificarmos que outrém visualizou e não respondeu e, à medida que o tempo passa, a pulsação da nossa autoestima vai diminuindo, até fazer aquele ruído estridente. Depois, há quem se preste ao papel de tentar meter outro assunto, a ver se ressuscita a conversa. Também costuma correr mal. Eu não sei, foi um amigo meu que me contou.

Um dos flagelos da sociedade moderna são precisamente as pessoas que demoram muito a responder. Pode dizer-se que, se o interlocutor tiver muita urgência em falar, vai ligar para a pessoa. Mas essa pessoa, provavelmente, também não vai atender, tal como está a ignorar a mensagem do interlocutor (ou viu e não respondeu, novamente). Para quem está em constante estado de ansiedade – outro amigo meu -, é muito chato. Portanto, tenham compaixão, respeitem a pessoa humana e respondam às mensagens, por favor.

Outro tipo de intervenientes em conversas internéticas são aqueles de quem recebemos notificação de 15 mensagens, mas que, na verdade, estão a falar-nos de um assunto simples, facilmente resumível numa frase. Acontece só que essas pessoas escolheram escrever uma palavra, carregar no ‘enviar’, e repetir o processo 14 vezes. Está mal, não é assim que isto se usa, sim? Pronto. Dá para escrever tudo de uma vez.

Porém, os problemas dos chats não se resumem ao que se escreve, mas também às emoções que se transmite. Os emoticons/smiles/emojis têm evoluído desde os tempos do MSN (saudades!), mas ainda há quem use ‘lol’ e ‘xD’. Reparem: isto nunca fez sentido, menos ainda agora, que há bonequinhos para tudo. Nunca, na história das caretas, alguém fez ‘xD’ quando se ri. E ‘lol’, além de não ser forma alguma de uma pessoa se rir – e quantos mais ‘o’ tiver, pior -, é um primeiro sinal de que a conversa começa a não ter salvação, voltando ao que o autor frisou há pouco. Dentro desta categoria, também há os que usam emojis que não batem com o que estão a dizer, seja porque querem amenizar uma situação de tensão ou, simplesmente, porque são bipolares.

Ainda ia falar das conversas de grupo, mas são sempre uma confusão, pelo que me fico por aqui. Depois avisem se leram isto. Mas respondam mesmo, que eu não consigo ver os ‘certinhos’ azuis.

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