Revista Rua

2018-07-13T17:38:37+00:00 Opinião

“Em 2018 apostamos num Curtas Vila do Conde de programação arrojada”

Curtas Vila do Conde
Mário Micaelo
Mário Micaelo
2 Julho, 2018
“Em 2018 apostamos num Curtas Vila do Conde de programação arrojada”

Em 2018 apostamos num Curtas Vila do Conde de programação arrojada, que cruza fronteiras geográficas, culturais e disciplinares. Como já se tornou habitual, apresentamos um programa eclético e diversificado com filmes provenientes de vários lugares do mundo e para todas as idades. Depois de comemorarmos 25 anos de festival, na edição passada, queremos continuar a celebrar o futuro. E isso implica, como sempre fizemos, arriscar.

A obra de Nadav Lapid, cineasta israelita, que venceu a competição internacional em 2017, estará em foco, pelo que serão exibidas duas longas-metragens, The Policeman e The Kindergarten Teacher; e várias curtas-metragens. A escolha deve-se sobretudo à premência da forma dialética e das temáticas convocadas por Lapid nos seus filmes, nomeadamente a interminável questão da identidade nacional israelita, que dão o mote para uma reflexão profunda sobre a sociedade contemporânea através de histórias individuais.

Com uma estética que se aproxima tanto às características do cinema de autor como às dos filmes de puro entretenimento, cruzando-as, as longas-metragens Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, e Un couteau dans le coeur, de Yann Gonzalez, ambas estreadas em Cannes, desafiam o público com histórias rocambolescas: um jogador de futebol em fim de carreira e uma produtora de filmes pornográficos franceses de série B.

No programa New Spain apostamos nas ramificações cinemáticas, ora em contexto de galeria, ora em contexto de sala de cinema. Por um lado, uma exposição coletiva na Solar Galeria de Arte Cinemática, comissariada por Nuno Rodrigues e José Manuel Lopez, que alude a essa utopia falhada do colonialismo. Dos sete artistas espanhóis selecionados, quase todos trabalham fora do seu país natal. Carla Andrade, Inés García, Laida Lertxundi, Lois Patiño, Natalia Marín, Samuel M. Delgado e Helena Girón exploram as noções de intimidade, paisagem e território, aliando várias práticas artísticas, tais como o filme, a fotografia, o som ou a instalação que agrega vários media. O programa inclui ainda três sessões especiais dedicadas ao cinema espanhol e a performance de cinema expandido Every Silence is a Cause of Storm, de Adriana Vila e Luis Macías.

Seja na recuperação de velhos clássicos de cinema, na divulgação de cinema experimental contemporâneo ou na criação de espetáculos inéditos que apresentam novas ferramentas cinemáticas  como o live video, o Stereo é uma das faces mais reconhecidas do festival, cruzando a música e o cinema. Este ano acolhemos os Black Bombaim com o João Pais Filipe, com uma composição para Dragonflies with Birds and Snakes, de Wolfgang Lehman; Joana Gama e Luís Fernandes apresentam o seu novo álbum com um ensemble de catorze músicos e live video de Miguel C. Tavares; a norte-americana Moor Mother e Jonathan Uliel Saldanha juntam-se aos realizadores André Tentugal e Vasco Mendes numa viagem a partir do afro-futurismo de Sun Ra em Space is the Place; B Fachada musicará The Cameraman, um filme de Buster Keaton; e, por fim, os Linda Martini apresentam um filme-concerto único para Le Coquille et le Clergyman, um dos primeiros filmes da vanguarda francesa dos anos 20, realizado por Germaine Dulac e escrito por Antonin Artaud.

Estes são meros destaques da nossa programação que inclui ainda as várias competições, reunindo o melhor da curta-metragem a nível mundial, o Take One!, dedicado a filmes realizados nas escolas portuguesas e nas melhores escolas europeias, e o Curtinhas, destinado aos mais pequenos.

Sobre o Autor 

Diretor do Curtas Vila do Conde

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