Revista Rua

2018-12-04T15:17:55+00:00 Opinião

Frutos secos são uma seca

Humor
João Lobo Monteiro
João Lobo Monteiro
4 Dezembro, 2018
Frutos secos são uma seca

Acabei de ler uma notícia sobre um estudo de uma psicóloga clínica americana, cuja conclusão era que ouvir música de Natal bastante antes da época pode criar ansiedade nas pessoas e afetar a sua saúde mental, porque as pressiona a fazer compras por impulso e a organizar eventos. Isso já eu digo há muitos anos e escrevi aqui no ano passado. Como ninguém liga ao que eu digo – e fazem muito bem – e como em termos de saúde mental não há muito que possam fazer para me salvar, não vou gastar mais uma crónica com o assunto. Agora, que é estúpido já haver pinheiros de Natal e a Popota no início de novembro, é. A Popota em qualquer altura, mas pronto… Depois queixem-se que o mundo está a regredir, que assim nascem os Bolsonaros e o aquecimento global e isso. Façam a vossa parte, não sejam precoces. Nós somos portugueses, deixamos as compras para a última e deixamos, é escusado estarem a tentar seduzir.

Escusado, também, é tentar descascar uma castanha de forma perfeita, que é o que me traz aqui desta vez. Não só as castanhas, mas uma comparação de frutos secos, que dizem que saciam, mas a mim só costumam é dar mais fome. Frutos secos a sério, não são bagas de goji e sementes de chia e essas coisas que a minha mãe consome, a menos que a gente tenha aqui um periquito para comer essas coisas e eu não saiba.

Bem, voltando às castanhas, são um fruto da época. A “fruta da época” sempre foi uma sobremesa que me fascinou, quando a via num menu de restaurante, pelo mistério que encerrava. Que frutas haveria? De que proveniências? Mas a gente vai a restaurantes é para comer doces, portanto nunca pedi fruta da época, nunca fiquei a saber.

Num próximo capítulo, falaremos sobre frutas cristalizadas: quem as criou? Será que teve o castigo merecido por ter inventado uma coisa que não tem sentido, nem sabor? Descobriremos, quiçá.

Na escala de frutas mais stressantes e trabalhosas até a gente as poder comer, as castanhas só perdem para as romãs. Em ambas é preciso fazer uma intervenção cirúrgica, sendo que a romã é mais perigosa, por ter forma de granada, por isso é assim chamada nesse país que é o estrangeiro. Do estrangeiro vinha também a fruta oferecida, em tempos, por certos dirigentes do futebol, mas essa era bem mais fácil de descascar. Porém, acabou por rebentar na mesma.

A castanha, se consumida em quantidade relevante, enche o bandulho ao pessoal, ou pelo menos dá sensações disso, mas tem a vantagem de não ser preciso ir desgastar para o ginásio, porque o esforço despendido a descascá-la já é o bastante. Faz sentido a comparação com o formato do cérebro, porque, muitas vezes, a castanha dá-nos cabo da cabeça. É também um fruto que desilude, porque a gente esforça-se e, vai-se a ver, estava podre. Isso também dá cabo da cabeça.

As amêndoas e as nozes, por outro lado, são frutas com as quais simpatizo mais. Não é que não coma castanhas, também como, mas as amêndoas e as nozes, respetivamente, já vêm descascadas ou têm um instrumento para tal. Às vezes, também dificulta, mas é um instrumento que dá para a gente descarregar a raiva de ter perdido tempo com a operação às castanhas. Além disso, há bolos de amêndoa e bolos de noz, mas não há bolos de castanha, que eu saiba. São logo muitos pontos a favor daquelas. Isto sem querer jogar a cartada das amêndoas da Páscoa, porque nesse quesito é derrota de goleada para as castanhas.

Não tenho muito mais a dizer sobre isto, mas espero que se identifiquem com este desabafo. Obrigado por me terem aturado mais uma vez. Num próximo capítulo, falaremos sobre frutas cristalizadas: quem as criou? Será que teve o castigo merecido por ter inventado uma coisa que não tem sentido, nem sabor? Descobriremos, quiçá.

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