Revista Rua

2018-11-19T16:27:03+00:00 Cultura, Música

Guimarães Jazz: o imponente festival na vanguarda da cultura

Maria Inês Neto
Maria Inês Neto25 Outubro, 2018
Guimarães Jazz: o imponente festival na vanguarda da cultura

Guimarães vive ao ritmo do jazz durante todo o mês de novembro, como já é tradição. A 27ª edição do Guimarães Jazz retorna com novas perspetivas e algumas novidades. De 8 a 17 de novembro, a cidade recebe um total de treze concertos em dez dias consecutivos, algo que acontece pela primeira vez na história do festival, conciliando com projetos paralelos, como workshops e animações musicais em vários locais da cidade. “É importante para nós, por um lado, que a cidade continue a viver o festival e que, também, o plano nacional seja relevado”, afirma o programador artístico do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), Rui Torrinha.

Avishai Cohen ©Ziv Ravitz

Contrariando qualquer sintoma de esgotamento, o projeto renova-se a cada ano e mantém a sua notoriedade enquanto festival equilibrado. Esta edição é especialmente marcada pela ideia da necessidade de olhar de “fora para dentro”, para que se possa explorar geografias alternativas, divulgar o reconhecido trabalho de jovens músicos e programar músicos menos mediáticos e inseridos em circuitos mais informais e artisticamente flexíveis. É inquestionável o importante contributo deste festival no jazz em Portugal – e no mundo – bem como na sua expansão territorial, ao alargar horizontes e abrir espaços para que músicos em início de carreira possam divulgar os seus projetos. A colaboração com a Associação Porta-Jazz, pela 7ª edição consecutiva, e os 12 anos de experiência com a ESMAE, reafirma a aposta do festival nos jovens músicos portugueses. Como já é habitual, realizam-se as oficinas de jazz e as jam sessions, que contribuem para potenciar a formação e o crescimento musical em Portugal.

“Não deixa de ser curioso como é que um festival ao 27º ano ainda tem margem suficiente para se reinventar, recriar, reformular, restruturar, quebrar rotinas e fintar o previsível”, garante o diretor do festival, Ivo Martins.

De entre todos os músicos que farão parte desta edição, é importante destacar três nomes: o contrabaixista Dave Holland, o trompetista Dave Douglas e Steven Bernstein, trompetista, compositor e arranjador, músicos que traçaram percursos diferentes, mas contribuíram para moldar a forma atual do jazz. Tanto o projeto Aziza de Dave Holland – que marca o arranque do festival – como Uplift de Dave Douglas (dia 15) ou, ainda, Millennial Territory Orchestra de Steven Bernstein, são projetos artísticos que garantem a vitalidade musical de três grandes músicos da atualidade. Estes espetáculos têm a particularidade de contarem com a presença de nomes influentes da música contemporânea. É o caso de Bill Laswell, baixista e produtor, e Catherine Russell, vocalista com uma experiência notável no ramo, que apesar de se expressarem em linguagens diferentes são dos nomes mais esperados.

Destaque, também, para João Barradas, compositor, em grande ascensão e consagração nacional, que tem levado o jazz português e a realidade jazzística para fora do país – o que é difícil atualmente – e que tem sido uma figura importante, contribuindo para o crescimento e interesse pelo jazz em Portugal. “Eu diria que o Guimarães Jazz é das iniciativas culturais que se fazem em Guimarães, e que são muitas, aquela que, no seu ramo, terá sido a que atingiu um nível mais elevado, tendo em conta todos os grandes músicos que cá trouxe ao longo dos anos”, partilha o presidente da direção do Convívio, César Machado.

Os bilhetes já se encontram disponíveis nos locais habituais e pode consultar a agenda cultural em www.ccvf.pt.

O programa pode ser consultado aqui.

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