Revista Rua

IAN: a fusão da pop, trip-hop e eletrónica

“IAN representa a síntese das aprendizagens e vivências que tive ao longo da minha vida”, diz-nos Ianina Khmelik.
Fotografias ©D.R.
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira15 Novembro, 2018
IAN: a fusão da pop, trip-hop e eletrónica
“IAN representa a síntese das aprendizagens e vivências que tive ao longo da minha vida”, diz-nos Ianina Khmelik.

Ianina Khmelik é o rosto por detrás do projeto IAN, que traz uma fusão elementos pop, trip-hop e eletrónica. Nascida em Moscovo, mas rendida aos encantos de Portugal há mais de uma década, Ianina apresenta-se ao vivo no gnration já este sábado, dia 17 de novembro, no âmbito do Festival para Gente Sentada, em Braga. A RUA esteve à conversa com a artista que recentemente lançou um novo EP, do qual faz parte o tema “Spring or Desire”.

Gostaríamos de começar esta entrevista por apresentar as bases musicais de Ianina. Como surge o interesse pelo universo musical?

A música está comigo desde sempre. Comecei a aprender violino com cinco anos de idade, por causa do meu avô. Queria que eu fosse artista e levou-me a cantar numa escola de música no bairro onde vivia, exatamente no dia em que os professores estavam a fazer provas de aptidão. Aperceberam-se que eu tinha um ouvido absoluto, por isso encaminharam-me logo para o instrumento mais difícil, o violino. O primeiro encontro foi mágico – era como um brinquedo novo. Mais do que isso – era como um irmão. Foi assim que me foi apresentado.

Ianina é russa, mas desde 1999 que vive e estuda música em Portugal. De uma maneira geral, como descreve o nosso país, em termos culturais?

É um país culturalmente moderno, de uma riqueza e diversidade única em termos de oferta.

Portugal abriu-me as portas para o intercâmbio e conhecimento doutras culturas, o que outrora seria impensável enquanto cidadã russa. E o facto de estar em Portugal influenciou decisivamente o meu conhecimento e evolução não só profissional, mas também enquanto pessoa.

“Creio que chegou finalmente a hora de me expressar, de dizer algo em nome próprio mais do que interpretar algo composto por alguém”

O projeto IAN é uma fusão de elementos pop, trip-hop e eletrónica. Tendo em conta a sua formação clássica, como justifica este interesse pela criação de um projeto tão arrojado? Há também uma presença de instrumentos clássicos, como o piano acústico e o violino neste projeto IAN, correto?

Sim, existe realmente uma integração de instrumentos clássicos neste meu projeto. Tenho musicalmente uma origem clássica, por isso encaro este processo como algo natural e, para além disso, não poderia deixar o meu “irmão” de lado… IAN representa a síntese das aprendizagens e vivências que tive ao longo da minha vida. Creio que chegou finalmente a hora de me expressar, de dizer algo em nome próprio mais do que interpretar algo composto por alguém.

Podemos falar do recente EP Spring or Desire? Como nos apresentaria este trabalho?

É um capítulo novo, diferente de Weird, o single do primeiro EP. Talvez seja um tema mais acessível, em termos de referências pop. Tem uma estrutura mais assente no hip e trip-hop e na spoken word e tem a participação do rapper norte-americano Twezzy. De qualquer forma, este novo EP (tal como o primeiro) apresenta outros temas bastantes distintos entre si, mas que fazem todos parte do universo IAN.

Vai estar presente no Festival para Gente Sentada já no próximo dia 17 de novembro. O que podemos aguardar deste concerto?

Acho que algo invulgar, com uma abordagem cénica e musicalmente diferente. Vou contar histórias, dar-me a conhecer através de canções. Revelar quem sou, qual o meu dia a dia e tudo o mais que está nas entrelinhas. Vai ser uma noite especial!

“Posso adiantar que entrarei em 2019 com o pé direito… no estúdio!”

Sente que o projeto musical que tem desenvolvido tem sido desafiante para si como artista? Considera que tem preenchido um espaço especial no universo da música pop/eletrónica?

Creio que sim, que o estou a conseguir criar, embora esteja ainda no princípio. As minhas composições são muito pessoais, resultam de todo o meu estudo, aprendizagem e vivência, por isso gostava de partilhá-las cada vez com mais gente. Se de caminho agradar, fico ainda mais feliz.

A Ianina é um dos exemplos da cultura pop/eletrónica neste momento no nosso país. Considera que, em termos de público, existe uma maior valorização por projetos que se insiram nesta órbita musical? Como vê a aceitação do público a este projeto?

Em termos de público, já não há nichos de mercado em 2018 como havia antigamente e os estilos musicais passaram a ser muito mais permeáveis entre si. Penso que isso é muito vantajoso para o público e para quem cria. Há projetos surpreendentes.
No caso da eletrónica, ela cruza-se hoje em dia com o Fado, com o pop, com o rock e vice-versa. A clássica está mais patente no projeto IAN, muito fruto da minha vida na Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música. Será sempre um pilar fundamental.

Em termos futuros, o que tem planeado em termos de carreira? Há novidades que já nos possa contar?

Posso adiantar que entrarei em 2019 com o pé direito… no estúdio! Terei novos concertos a anunciar a partir de dezembro e um novo disco em 2019.  Para já é o que posso revelar. Mas haverão outras surpresas em breve.

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