Revista Rua

2018-08-25T20:18:48+00:00 Opinião

Mudar para evoluir

Por Mário Meireles
Minho Ciclável
Minho Ciclável
3 Setembro, 2018
Mudar para evoluir

As cidades portuguesas estão a fervilhar, prontas para receberem muitas novidades e mudanças. Recebem diariamente novos desafios. Estamos numa era de mudanças rápidas, em que há uma maior sensibilidade para causas que há dez ou 20 anos não nos passava pela cabeça. A 4ª revolução é a mais rápida de todas as revoluções industriais. Hoje temos um planeta a sobreaquecer demasiado rápido e, para isso, precisamos de mudanças que acontecem muito mais rápido. Mas as mudanças nas cidades, no urbanismo, nas infraestruturas, nas deslocações diárias, na forma de comer, na forma de tratar a água e o lixo têm sido demasiado lentas. Temos que acelerar, acelerar a sério, antes que se torne demasiado tarde.

As cidades enfrentam desafios por causa do turismo de massa e da gentrificação. No fim, todas as discussões culminam no mesmo: a forma das cidades, a forma como as infraestruturas estão desenhadas e preparadas para todas as possibilidades de locomoção. Uma cidade desenhada para as pessoas de mobilidade reduzida, para a bicicleta e que dá prioridade aos transportes públicos, é uma cidade com mais qualidade de vida. Começa a olhar-se mais para os pequenos detalhes, os pequenos pormenores que fazem uma grande diferença. E apesar de cada vez haver uma maior consciência e preponderância da sociedade para a necessidade das mudanças a fazer nas infraestruturas e na forma de viajar diariamente, falta uma liderança, com vontade política, para que a mudança aconteça rápida e eficazmente.

“O grande parasita e invasor da cidade é o carro e, como dizem os Prodigy, “Os invasores devem morrer”.”

A Revista RUA vai chegar no próximo ano a todas as cidades e vilas do país, transformando a forma de ver as cidades e de divulgar o que melhor nelas se faz, dando voz às pessoas. A par dessa chegada precisávamos de outras novidades nas cidades, outras mudanças, outras pequenas “revoluções” que fossem ao encontro da vontade das pessoas para não as afugentarmos para cidades de outros países, para não perdermos o melhor que temos.

As mudanças trazem sempre muitas reações da população, nem todas boas, mas normais quando se muda. As pessoas são sempre avessas à mudança, apesar de ser bom mudar. E nas cidades precisamos de mudar a forma como nos deslocamos, precisamos de substituir o carro em algumas (se não todas) as nossas viagens na cidade. O grande parasita e invasor da cidade é o carro e, como dizem os Prodigy, “Os invasores devem morrer”. Muitas são as cidades na Europa que começaram já a falar em políticas de restrição de carros, muitas delas até de proibição total a muito curto prazo. A era do automóvel está a chegar ao fim.

Sobre o autor:
Presidente da Associação Braga Ciclável

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