Revista Rua

O exotismo em cor na fotografia de Hugo Delgado

Helena Mendes Pereira
Helena Mendes Pereira2 Outubro, 2018
O exotismo em cor na fotografia de Hugo Delgado

Encontramo-nos em Marrocos. Eu estava no La Mamounia Hotel, em Marraquexe, quando recebo uma mensagem dele em que me dizia: “Finalmente estás num sítio espetacular.” Era verdade. Depois dessa viagem, Hugo Delgado mostrou-me algumas fotografias feitas por lá em que percebi que quem fotografa como respira tem um entendimento da forma, da cor e da luz capaz de transformar o banal em sublime. O que dizer, então, da fotografia que capta um território desenhado em exotismo e calor, de gentes fulgurantes e em que inquietação da estética fervilhante parece nunca cessar? Diríamos que, mais do que fotografar a vida, Hugo Delgado capta vida, morte e intervalo, estando o seu trabalho inscrito naquilo que denominamos por Arte.

Hugo Delgado (n.1975) é natural de Braga e formou-se em Fotografia e Fotocomposição. Ainda muito jovem e já revelava um talento ímpar para a fotografia que veio a confirmar-se com a sua passagem pelas maiores e mais prestigiadas publicações nacionais e internacionais, entre as quais se destacam o Público, NY Times, CNN, The Guardian, Courrier Internacional, entre tantas outras. Conta, no seu currículo, com inúmeros prémios, entre os quais, em 2002, o primeiro prémio do concurso de fotojornalismo Visão/WorldPress Photo (categoria de Notícias), que o distinguiu ainda no ano seguinte com duas menções honrosas sob o tema “Vida Quotidiana”. Nesse mesmo ano obtém ainda uma menção honrosa na categoria de Retratos no Prémio Internacional de Fotografia Europress. Em 2003 conquista o primeiro prémio de fotojornalismo do Clube de Jornalistas de Braga e, em 2005, é galardoado pelo concurso de Fotojornalismo Visão/Bes com mais uma menção honrosa na categoria de “Vida Quotidiana”, para a qual concorreu com um trabalho associado ao projeto “África, retratos de um quotidiano”. Já em 2006 obtém mais uma menção honrosa no concurso de Fotojornalismo Visão/Bes também na categoria de “Vida Quotidiana”. Em 2006 inicia uma série de Cursos de Formação na área da fotografia, com o objetivo de adquirir novas competências e descobrir novos caminhos de predileção da objetiva. Atualmente é fotojornalista da Agência WAPA e da Agência Lusa.

Na série de fotografias da série que tem Marrocos como cenários, o que se destaca e salienta, é a plasticidade e carácter pictórico das imagens, ainda que estas recolham momentos de confronto com o que é do outro, nas suas atitudes e rotinas. Hugo Delgado domina os ambientes de cor e discorre em jogos de distorção através da luz que intensificam a cenografia dos lugares e aumentam a nossa imensa vontade de, em tudo, conhecer mais uma história. A sua fotografia não é, por isso, neo narrativa mas antes biográfica, íntima e casual. É nessa casualidade que o fotógrafo se redime e pensa de novo. Conclusão: da alma na fotografia ou da fotografia na alma é a terminação de uma forma de ver o mundo.

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