Revista Rua

2018-12-04T15:24:22+00:00 Opinião

O que 2018 me fez ouvir

Música
José Manuel Gomes
José Manuel Gomes
4 Dezembro, 2018
O que 2018 me fez ouvir

Mais um ano que passou a voar. 2018 foi um ano musicalmente forte e com o regresso da música de intervenção e de reivindicação dos direitos raciais e de género como há muito não se via. No fundo, como sempre, a cultura anda de mãos dadas com a realidade e a atualidade; 2018 não foi exceção.

Chegando à reta final de mais um ano, chega também a altura de fazer as habituais listas de melhores discos do ano, essa retrospetiva em jeito de balanço para fazer a revista daquilo que foi o ano. Pois bem, já tinha feito um balanço dos primeiros seis meses do ano anteriormente, mas convém aqui recordar algumas coisas. O ano de 2018 entrou a todo o gás com uma primeira metade cheia de trunfos e de lançamentos que certamente não serão esquecidos. Logo a iniciar o ano fui arrebatado pelo disco das U.S. Girls intitulado In a Poem Unlimited, que se apresenta como um belíssimo disco de pop alternativo. Seguiu-se logo depois uma descoberta: Khruangbin com o disco Con Todo El Mundo, o trio texano a mostrar que por vezes menos é mais, com uma fórmula tremendamente simples na composição a mostrar ao mundo um disco tremendo.

Depois, algo que já tinha sido evidente no ano passado: o regresso dos anos 90! Sim, não falo da famosa festa que corre o país, mas sim da tendência que já se vinha adivinhando desde do ano passado, com alguns trabalhos a irem beber ao pop rock dessa década. Trabalhos como os editados por Soccer Mommy, Snail Mail, Pinegrove ou Boygenius mostram que também as tendências musicais são cíclicas ao recuperar um tipo de sonoridade que já não se via – ou antes ouvia – há coisa de 20 anos. Childish Gambino editou, para mim, a música do ano acompanhada por um vídeo que é do mais atual que pode haver. O mundo atravessa períodos difíceis na política, na sociedade e em praticamente tudo. A música do ano é, para mim, “This is America” e o seu poder de intervenção com um vídeo repleto de intenção e que vai ao osso.

No plano nacional, o prémio vai para o disco homónimo de Linda Martini que revelaram ainda terem algo a mostrar dentro do género do rock alternativo que tanto os caracteriza. Por fim, menção honrosa a algumas descobertas como Clubz, A Beacon School, Valley Maker, Big Red Machine e Kali Uchis que tem, de resto, um dos discos do ano com Isolation.

Segue-se aquele que, a meu ver, ganha o prémio de melhor disco do ano: Kamasi Washington com o trabalho Heaven and earth. Curiosamente nunca pensei dizer isto, mas o disco que mais gostei de 2018 foi um disco de jazz. O que tem de tão especial este disco? É um álbum duplo verdadeiramente conceptual que nos prende logo no primeiro tema intitulado “Fists of Fury”. Daí em diante é uma viagem em formato turbilhão por 16 temas longos, de composição exímia e que após meses de audição ainda nos dão algo mais a descobrir. É um daqueles discos que se transforma num clássico instantâneo, uma obra-prima que não cairá certamente no esquecimento, que traz um novo sentido ao género ‘jazz fusão’ e que aproxima novos ouvintes, de outras áreas, para este género de música.

Outros trabalhos fantásticos foram saindo tais como os regressos de Blood Orange com Negro Swan, Arctic Monkeys com um disco de profunda maturidade por parte do quarteto britânico, Jungle com For Ever que sem deslumbrar conseguiu mais um disco que faz o que lhe compete, o regresso genial de Spiritualized com And Nothing Hurt, Amen Dunes com Freedom, a eletrónica exímia de Jon Hopkins no disco Singularity.

No plano nacional, o prémio vai para o disco homónimo de Linda Martini que revelaram ainda terem algo a mostrar dentro do género do rock alternativo que tanto os caracteriza. Por fim, menção honrosa a algumas descobertas como Clubz, A Beacon School, Valley Maker, Big Red Machine e Kali Uchis que tem, de resto, um dos discos do ano com Isolation.

Resumindo, 2018 foi um ano de muita e boa música. Esperemos que 2019 seja igual ou melhor.
Votos de um feliz Natal e boas entradas em 2019 a todos os leitores da Revista RUA!

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