2018-06-04T08:19:26+00:00 Património, Região

São João de Braga

“Ó meu São João de Braga, és de Braga e és Braguez, cantemos o São João, cantemo-lo outra vez!”
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira4 Junho, 2018
São João de Braga
“Ó meu São João de Braga, és de Braga e és Braguez, cantemos o São João, cantemo-lo outra vez!”

É intitulada como a “maior festa popular de Portugal” e transforma Braga num autêntico refúgio de romeiros, durante 11 dias de festa. De 14 a 24 de junho, as Festas de São João de Braga enchem as ruas e vielas da capital do Minho com aromas a sardinha assada e manjericos e melodias dos cantares populares. São 251 horas de programação, 148 atividades previstas, 27 concertos e cerca de dez mil pessoas e 300 entidades envolvidas. A RUA foi conhecer a essência desta romaria genuinamente minhota junto do presidente da Associação de Festas, Rui Ferreira, numa conversa que celebra a tradição e o orgulho nas raízes bracarenses.

A maior romaria do Minho, a maior festa popular do país. Como descreve o São João de Braga?

O São João de Braga é uma festa bem enraizada na comunidade bracarense, desde há vários séculos. Tem o estatuto municipal desde o século XVI, realiza-se desde o século XII e teve momentos de grande dinâmica noutros tempos em que o contexto social e histórico da comunidade bracarense era um bocadinho diferente. Por exemplo, no século XVIII, as pessoas saíam à rua com máscaras – e isso é algo que temos a intenção de recuperar. Nessa altura, o Arcebispo acabou por proibir essa tradição, mas, quando estudamos a história do São João, percebemos que isso era um fenómeno comunitário bastante abrangente. O São João continua a ser o principal evento da cidade, graças ao número de dias de programação, à área que ocupa na própria cidade, ao investimento que é feito (são 450 mil euros entre a Associação de Festas e a Câmara). É o evento que mais envolve as associações e as entidades da cidade, portanto, tem a capacidade de criar esta rede magnífica, congregando os bracarenses de um modo que mais nenhum outro momento da vida da cidade consegue.

São dias de grande festa, em que as pessoas estão felizes, em que a cidade ganha novas cores graças às ornamentações típicas e à feira popular que é instalada. Acho que todos os bracarenses têm um particular carinho pelo São João – e temos tido cada vez mais atenção turística. É o rosto mais autêntico da cidade de Braga porque temos tradições que só acontecem no São João: a dança do Rei David, o carro dos pastores e o carro das ervas são as tradições mais originais, que não acontecem em mais lado nenhum. Depois, o folclore, as concertinas, os cantares ao desafio, os bombos, o único encontro internacional de gigantones e cabeçudos que se faz em Portugal… Por tudo isto, somos a maior festa popular de Portugal, não há nenhuma romaria deste género que consiga congregar tantos elementos da cultura popular como o São João de Braga.

Como bracarense, como presidente da Associação de Festas de São João, é sempre um orgulho poder fazer parte de uma festa tão grande?

Sim, o São João é muito querido para mim desde que me conheço – tal como para a maior parte dos bracarenses – e, por isso, tem sido um orgulho grande e obviamente uma dor de cabeça em algumas ocasiões (risos). Mas temos as portas da associação abertas a quem quer estar connosco, a quem quer dar-nos um contributo e, felizmente, cada vez mais bracarenses têm-se envolvido na Associação de Festas. Somos quase 40 pessoas às quais se juntam os voluntários. Somos uma grande família, com espírito de entreajuda, de dedicação, cuja única recompensa é ver a festa a acontecer! Temos vindo a crescer em número de eventos, em número de horas de programação, introduzimos uma série de novidades em 2014, temos apostado na comunicação mediática por todo o país e isso tem trazido um benefício muito grande para a imagem do São João.

Quais são os principais destaques do programa de festas em 2018?

O programa do São João é um programa tradicional, repete-se todos os anos. Introduzimos, de facto, algumas novidades em 2014 e 2015, mas agora estamos a solidificá-las no programa festivo. Os concertos são sempre uma novidade, como é óbvio, mas o enfoque primordial este ano é a conclusão da candidatura ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial que temos vindo a trabalhar nos últimos anos, com uma série de exposições, a divulgação de um documentário, a publicação de livros e também um CD com a tradição musical do São João de Braga. Ou seja, tudo isso concorre para essa candidatura que queremos que seja bem-sucedida. Vamos ter uma exposição na Casa dos Crivos e uma apresentação pública, além de três sessões paralelas de reflexão sobre as festas. Depois, teremos a inauguração de uma estátua. Esta estátua era um sonho que foi possível concretizar graças à boa vontade de Alberto Vieira, o escultor bracarense que ofereceu o seu trabalho, e do Mercado da Pedra, que ofereceu a pedra. A estátua será colocada no Largo de São João da Ponte. Para feliz surpresa, este ano, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confirmou a sua vinda. Recebemos a confirmação oficial, por isso, a não ser que aconteça alguma coisa fora do normal, ele cá estará e queremos muito que ele inaugure a estátua do São João Baptista.

Para terminarmos, gostaríamos que deixasse uma mensagem convidativa para os minhotos que ainda não conhecem o São João de Braga.

Eu acho que o público minhoto já conhece muito bem o São João de Braga. Mas, se eu tivesse que deixar um convite, diria apenas que um autêntico minhoto vai sentir o coração a bater mais forte se vier ao São João de Braga! Temos tudo aquilo que diz respeito à identidade e o Minho tem uma identidade muito própria, como sabemos. Quem nunca veio vai ter certamente uma boa surpresa.

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