Revista Rua

2018-08-24T12:41:50+00:00 Opinião

Setembro, o fim e o início

Música
José Manuel Gomes
José Manuel Gomes
3 Setembro, 2018
Setembro, o fim e o início

Setembro é aquele mês estranho para grande parte das pessoas. Terminam as férias, o verão já está a queimar os últimos cartuxos e, aos poucos, começa a voltar tudo à normalidade. Lá se foi o summer’18, os dias de praia, as festas, os festivais de música (ou quase todos), e regressa o trabalho, as aulas, a vontade de voltar para o ginásio, os dias que começam a diminuir, enfim, a vida normal.

Este mês de transição de ciclo, de uma fase que termina é também o início do planeamento do que há de vir. Alguns dos festivais de verão que agora terminam, pelo menos para nós público, apenas acabam de começar para quem os organiza. O kick-off para a edição de 2019 começa mal as portas fecham no último dia. O final dá sempre início a um novo início.

Se os festivais de verão estão, por agora, arrumados, regressam agora os concertos e as atividades indoor, nas salas de espetáculos, nos centros culturais, nas salas de teatro, etc. A necessidade do ser humano de consumir cultura, seja música, seja doutro tipo qualquer, não desaparece com os meses mais quentes. Pelo contrário, é um belíssimo escape ao dia a dia, ao quotidiano de trabalho, de ocupar o tempo aos fins-de-semana e de tornar os dias mais lúdicos. Se estivermos atentos, vemos que há um equilíbrio perfeito entre as estações do ano e de quem/onde nos dá/vamos consumir cultura. Nos meses mais frios presenciamos a chamada época alta das salas de espetáculo e, no verão, estas quase que encerram para dar lugar às festas e festivais. O indoor dá lugar ao outdoor e este, mais tarde, novamente ao indoor.

“Se os festivais de verão estão, por agora, arrumados, regressam agora os concertos e as atividades indoor, nas salas de espetáculos, nos centros culturais, nas salas de teatro, etc. A necessidade do ser humano de consumir cultura, seja música, seja doutro tipo qualquer, não desaparece com os meses mais quentes”

Também para os músicos, agentes e promotores, setembro funciona como o início do que vem para o ano seguinte. É no pós-verão que, por um lado, uns iniciam os trabalhos de gravação em estúdio e planeamento de promoção, e outros, deitam cá para fora o que já têm guardado na gaveta à espera do timing perfeito para promover o seu trabalho. O objetivo é sempre o mesmo: gravar o novo trabalho, promovê-lo e alimentar uma tour de concertos que dure até ao verão, para que os promotores destes festivais enderecem o esperado convite para integrar o line-up.

Aquilo que pode parecer um mês de transição para a vida normal – e não deixa de o ser – é na verdade o mês zero para a preparação do que vamos ver, ouvir e consumir durante os próximos meses e que culminará com o verão de 2019, como o fim deste ciclo que ainda agora está a começar.

Sobre o Autor:
Signo escorpião, sei informática na ótica do utilizador, programador do espaço cultural Banhos Velhos e sou um eterno amante de música, do cinema e do Sozinho em casa.

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