Revista Rua

2018-12-04T15:56:33+00:00 Cultura, Música

Triciclo: O que Barcelos tem para contar?

“Vou-te contar uma história sobre Barcelos” é o próximo evento cultural dinamizado pelo Triciclo, já no próximo sábado, no Teatro Gil Vicente.
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira4 Dezembro, 2018
Triciclo: O que Barcelos tem para contar?
“Vou-te contar uma história sobre Barcelos” é o próximo evento cultural dinamizado pelo Triciclo, já no próximo sábado, no Teatro Gil Vicente.

A ideia é simples: promover e diversificar o panorama cultural na cidade de Barcelos, envolvendo públicos e espaços. O Triciclo é um ciclo de concertos itinerante e, com um importante cariz de desenvolvimento artístico, prepara um espetáculo que coloca, lado a lado, os “músicos académicos e músicos de garagem”, como nos explica o programador do triciclo, João Coutada.

Numa entrevista sobre o contexto cultural barcelense e o propósito deste núcleo dinamizador chamado Triciclo, fomos descobrir o que aí vem. Para já, aponte na agenda: dia 8 de dezembro, Vou-te contar uma história sobre Barcelos, no Teatro Gil Vicente, pelas 22h.

Em primeiro lugar, gostaríamos de conhecer melhor o Triciclo. Qual é o objetivo principal deste ciclo itinerante?

O Triciclo é um ciclo de concertos itinerante que percorre vários espaços do centro histórico de Barcelos e que procura oferecer o melhor da música nacional e internacional. A par dos concertos, acontecem workshops e showcases que garantem o seu caráter plural e educativo.

É importante contextualizarmos: Barcelos é uma cidade que, em termos culturais, merece especial atenção? Quais são os principais desafios da cidade, neste momento?

Em Barcelos, continuam as promotoras DIY que, com muito esforço e sacrifício, vão promovendo espetáculos que garantem uma oferta alternativa no panorama cultural.

Começam também a consolidarem-se ou a surgirem novos ciclos de música, que, com passos bem seguros, rapidamente atingiram excelentes resultados. Temos o exemplo do festival/ciclo Jazz ao Largo. Numa tendência mais garage, temos o caso das noites Club Souto, organizadas pela Associação Cultural e Recreativa de Roriz. A Macho-Alfa junta-se na promoção de concertos e estão também a desenvolver um excelente trabalho.

Em resumo, penso que estamos a atravessar uma boa fase. Relativamente aos principais desafios, penso que poderão passar por criar condições de fidelização de público, de modo a garantir a continuidade destas iniciativas.

De que forma veem a nova geração musical que prolifera em Barcelos? Que balanço fazem?

A nova geração está a crescer de forma tão natural como cresceu nas épocas passadas. Por enquanto só conseguimos dizer que tudo está a acontecer como sempre aconteceu e o balanço é positivo, tendo em conta a posição que algumas bandas barcelenses atingiram ao longo dos anos.

As sessões organizadas pelo Triciclo já ocuparam vários locais da cidade.

Podem explicar-nos um pouco como tem corrido? E destacam, de alguma forma, algum evento com especial adesão?

Um dos objetivos do Triciclo é também dar a conhecer os espaços mais emblemáticos da cidade para a realização de concertos. O público tem sido bastante generoso connosco e todos os espetáculos têm tido uma especial adesão, o que nos deixa muito orgulhosos e congratulados por confiarem em nós.

O Triciclo está neste momento a organizar um evento especial chamado Vou-te contar uma história sobre Barcelos. Que história é esta? Qual é o conceito deste evento?

Numa conversa de café, ouvimos falar de um projeto que estava a ser elaborado pelo Marco Duarte e o Gonçalo Costa, com a ideia de pegar na nova geração de músicos e colocar-lhes o desafio de tocarem temas míticos do rock barcelense. Após alguma reflexão e em linha com o nosso programa educativo, achamos que seria muito interessante juntar esses dois mundos algo diferentes entre si e, a partir daí, construir um novo espetáculo. Tendo em conta esta realidade, endereçamos o convite ao Marco Duarte, ao Gonçalo Costa, à Academia de Música de Viatodos e ao André Simão, que está responsável pelos arranjos da orquestra e orientação de grupos, para tentarmos em conjunto construir um espetáculo em que os intervenientes tenham a oportunidade de experimentar outras linguagens, conceitos e desafios. O resultado estará à vista de todos no próximo sábado, dia 8 de dezembro. Aconselho vivamente a que reservem bilhete o mais rápido possível.

“Relativamente ao alinhamento poderemos dizer que foi pensado de forma a incluir algumas das bandas que tiveram mais notoriedade a nível nacional. Seria impossível incluir todas!”

Que alinhamento musical terá este evento e de que forma estará envolvida a Escola de Viatodos?

Relativamente ao alinhamento poderemos dizer que foi pensado de forma a incluir algumas das bandas que tiveram mais notoriedade a nível nacional. Seria impossível incluir todas!

A Academia de Música de Viatodos está envolvida de uma forma tão intensa quanto os outros membros deste projeto educativo, que contribuem para a ideia em construção, onde todos têm lugar para refletir, dialogar, propor e assim realizarmos uma aprendizagem em conjunto.

Consideram importante a ligação que estão a tentar desenvolver com este evento, ou seja, a geração mais nova, uma orquestra e o rock?

Obviamente que sim. Normalmente existem inúmeras diferenças entre músicos “académicos” e músicos “de garagem”, tanto nos métodos de trabalho e estudo, como nos métodos de criação, por isso, este contacto entre ambos é sempre muito enriquecedor. Na globalidade, os músicos têm idades compreendidas entre os dez e os 21 anos, por isso, é uma experiência nova e única para muitos deles.

Em termos gerais, o que poderemos assistir nos próximos tempos em termos de programação do Triciclo?

Iremos assistir a uma programação multifacetada, plural e à continuidade de um papel ativo na formação de públicos para a cultura musical.

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