Revista Rua

2018-05-03T10:52:35+00:00 Património, Região

Vilarinho das Furnas, a aldeia submersa

Partilhar Artigo:
José Gonçalves Lopes
José Gonçalves Lopes2 Abril, 2018
Vilarinho das Furnas, a aldeia submersa
Partilhar Artigo:

Qual a razão para estar a escrever sobre uma aldeia no meio do Parque Nacional da Peneda-Gerês? A aldeia ficou submersa no Rio Homem em 1971 devido à construção da Barragem de Vilarinho das Furnas que foi inaugurada a 14 de maio de 1972.

Atualmente é difícil balizar historicamente a origem desta aldeia comunitária. As referências mais antigas são datadas do século XIII, nas inquirições de Afonso II e Afonso III, todas relativas à freguesia onde ela se inseria. Chegou até nós o primeiro documento conhecido sobre Vilarinho das Furnas, bem mais tarde, do século XVI e os arquivos paroquiais a partir de 1623.

Toda a aldeia foi comprada por pouco mais de vinte mil contos, juntamente com os terrenos agrícolas e florestais. A despovoação foi feita a partir de setembro de 1969 até outubro de 1970 (de forma faseada) e a povoação dispersou pelos concelhos vizinhos.  No ano anterior ao início do despovoamento foi feita uma recolha extensa da aldeia situada perto da confluência do Ribeiro das Furnas com o Rio Homem, que tornou possível a criação do Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, em 1989.

A aldeia comunitária caracterizava-se pela organização comum e a cooperação entre os vizinhos nos trabalhos agrícolas e na produção dos bens alimentares. Uma vez por semana era habitual assembleias-gerais em que se elegiam um grupo de seis homens, em que nomeavam à vez entre todos os homens casados eleitores, consoante a antiguidade do casamento para dirigirem a coletividade. Os homens estavam ligados aos trabalhos exteriores e as mulheres às lides domésticas.

Hoje em dia são poucas as pessoas que ao visitar o Gerês não passam pela aldeia com a esperança de a ver imersa no sopé da Serra Amarela. Se tiverem a sorte de conseguir ver as antigas casas, facilmente imaginam uma aldeia cheia de movimento, com o barulho dos animais e das crianças a brincar na rua misturado pela azáfama dos trabalhos agrícolas numa sinfonia perfeita que foi apenas interrompida pelo desejo de progresso.

Partilhar Artigo:
Fechar