2018-06-06T17:00:24+00:00 Espairecer, Lifestyle

Visitar Baião: um destino “fora da caixa”

Redação
Redação5 Junho, 2018
Visitar Baião: um destino “fora da caixa”

Por Pedro Henriques, autor do Blog Espírito Viajante

Baião é um concelho que integra o distrito do Porto e ocupa o lugar mais oriental juntamente com Amarante. Os seus 20 mil habitantes fazem dele o município menos povoado, mas inversamente, é o que mais área verde detém. Geograficamente, é marcado fortemente por dois elementos naturais: a norte, a serra, com o Marão e o planalto da Aboboreira, e a sul, o vale do Rio Douro.

Historicamente, a Terra de Baião nasceu durante o período medieval, mas alguns milhares de anos antes, a Aboboreira foi palco das primeiras manifestações religiosas através da construção de inúmeras sepulturas megalíticas, que fazem desta região um santuário arqueológico.

Para quem procura um destino “fora da caixa”, Baião é uma excelente escolha. Vá e descubra o seu imenso património, explore os recantos naturais, as paisagens vinícolas e prove a saborosa gastronomia que tanto encantou o escritor Eça de Queiroz.

Como chegar?

Acesso por: A4 (Porto – Vila Real), A24 (Viseu – Lamego) EN101, EN108, EN211, EN222.

Alojamento em Baião

Não faltam opções de alojamento em Baião, sobretudo no que diz respeito ao turismo rural. Este destino vale muito pela sua localização privilegiada entre a Serra e o Douro, proporcionando as condições ideais para uma fuga ao stress da cidade. A minha escolha recaiu na Casa do Silvério, uma Casa de Campo situada na freguesia de Santa Cruz do Douro junto à Quinta de Tormes, a apenas 12 km da vila sede de concelho. Trata-se de uma antiga casa de caseiro implantada em encosta voltada a sul, numa área onde predominam as plantações de vinhas e árvores como oliveiras e carvalhos. O interior está totalmente remodelado e equipado, dividido em dois pisos. Dispõe de biblioteca, quatro quartos com WC privado, zona de estar comum e sala com televisão e cozinha rústica. O pequeno almoço é muito bem servido. Recomendo.

Gastronomia e Restaurantes

Não é só pela riqueza histórica dos monumentos e pela beleza dos seus recursos naturais que o concelho de Baião é tão atrativo. A gastronomia assume naturalmente um importante papel de alavanca na dinamização económica e do turismo. A qualidade dos produtos locais e da restauração é, sem dúvida, um verdadeiro emblema do marketing territorial. Vou dar um exemplo: Quando disse a alguns amigos que ia visitar Baião a resposta foi unânime – “vais comer tão bem!”.

Do fumeiro tradicional ao cozido à portuguesa, do anho assado com arroz do forno ao arroz de favas, prato que fez as delícias de Eça de Queiroz, não faltam motivos gastronómicos para nos satisfazerem o apetite. O mesmo acontece com os vinhos. Apesar da proximidade com o Rio Douro, Baião está inserido na Região Demarcada dos Vinhos Verdes e é sobretudo pelos vinhos brancos que tem ganho bastante notoriedade.

Relativamente à restauração, a minha sugestão vai para o Restaurante de Tormes, situado na Quinta de Tormes, no qual a ementa queirosiana, composta por arroz de favas com frango alourado, ocupa lugar de destaque.

Na vila de Baião, faça uma visita à Pensão Borges e prove o bife grelhado, uma verdadeira delícia. Se pretender um ambiente de tasca, desloque-se à Tasquinha do Fumo, na aldeia de Almofrela, mas não se esqueça de marcar reserva.

O que visitar em Baião?

NECRÓPOLES MEGALÍTICAS / MAMOAS – SERRA DA ABOBOREIRA

As mamoas da Serra da Aboboreira são os testemunhos mais antigos da relação homem/paisagem que se conhecem na região. Tratam-se de monumentos funerários construídos entre o V e o III milénio a.C., em pleno período do Neolítico. Os túmulos consistiam numa câmara poligonal feita por grandes esteios de pedra granítica onde eram depositados os restos mortais e posteriormente era tapada por uma laje de grandes dimensões. A entrada nessa câmara era feita através de um corredor. O túmulo ficava selado por uma couraça pétrea e depois coberto em terra. Outeiro de Gregos, Meninas do Crasto ou Outeiro de Ante são alguns dos conjuntos que pode visitar na Serra da Aboboreira.

CAPELA DA NOSSA SENHORA DA GUIA / MIRADOURO – SERRA DA ABOBOREIRA  

A Capela da Nossa Senhora da Guia reflete a importância do sagrado na região da Aboboreira. Desde os rituais de enterramentos megalíticos há milhares de anos aos relatos de aparições marianas na década de 30 do século passado, a construção deste pequeno templo é mais uma manifestação de sacralização do território. Junto da capela existe um miradouro que oferece uma vista fenomenal sobre a vila de Baião.

ALDEIA DE ALMOFRELA

Situada na encosta sul da Aboboreira situa-se a pitoresca aldeia de Almofrela que integra a rede das Aldeias de Portugal. Este povoado de matriz rural encontra-se precisamente no interface que divide o espaço agrícola da área florestal. Dos pontos de interesse a visitar, assinalam-se a Capela S. Brás dos Bogalho, o conjunto rural no Caminho do Eido de Baixo e as ruínas dos espigueiros à entrada do aglomerado.

Aldeia de Almofrela

VILA DE BAIÃO

Na vila de Baião, aproveite para passear pela Av. 25 de Abril que nos conduz até à Igreja Paroquial de São Bartolomeu. Nesta rua encontra-se o Posto de Turismo e uma série de edifícios públicos e residenciais que marcaram épocas e estilos arquitetónicos distintos.

Baião

MOSTEIRO DE SANTO ANDRÉ DE ANCEDE

Não se sabe ao certo qual a data exata da fundação do Mosteiro de Santo André de Ancede, mas a referência mais antiga surge no início do séc. XII. Este conjunto monástico foi, durante vários séculos, um grande gerador de riqueza graças aos solos férteis das imensas propriedades que o rodeavam, permitindo aos monges promover a produção e exportação de vinho. Porém, em 1559, o mosteiro perde o estatuto e é anexado ao Convento de São Domingos de Lisboa. Durante o século XVIII foram construídas as dependências agrícolas como a adega, os celeiros e os lagares e ainda a Capela de Nosso Sr. do Bom Despacho, considerada uma obra-prima da arquitetura barroca. O Mosteiro Santo André de Ancede está classificado como Imóvel de Interesse Público e está integrado na Rota do Românico.

CASA DE TORMES

O romance A Cidade e as Serras publicado em 1901, é uma das obras mais notáveis de Eça de Queiroz. No livro, o escritor compara a vida frenética de Paris com a tranquilidade do ambiente serrano de Tormes. O que pouca gente sabe é que a Casa de Tormes em Santa Cruz do Douro foi a grande fonte de inspiração de Eça para escrever este conto. Actualmente, a Casa de Tormes alberga a Fundação Eça de Queiroz e um vasto espólio que pertencia ao escritor, desde livros, mobílias, documentos, objetos pessoais, entre outros. A visita ao seu Núcleo Museológico é uma das melhores atividades que pode fazer em Baião, sendo uma grande oportunidade de se embrenhar na vida do escritor e conhecer os modos de vida, a etiqueta e a hierarquia entre patrões e caseiros desta quinta durante os séculos XIX e XX.

RIO DOURO

O Rio Douro é uma fronteira natural do concelho de Baião e, ao mesmo tempo, dos distritos do Porto e Viseu. Descendo pela EN321 ou pela EM581 em direção ao rio, podemos parar em vários miradouros para poder desfrutar das paisagens magníficas dominadas pelo Douro. Não perca a oportunidade de conduzir pela EN211, logo após a Ponte de Mosteiro, em direção a Marco de Canaveses, irá ficar deliciado com a panorâmica do Douro tão perto si.

ALDEIA DE PORTO MANSO

Situada na margem do Rio Douro, na freguesia de Ribadouro, localiza-se a aldeia de Porto Manso. Atualmente encontra-se um pouco descaracterizada, fruto da expansão urbana, mas ainda são visíveis vários exemplares de arquitetura civil residencial como a Casa da Torre. Tal como Almofrela, Porto Manso também faz parte do roteiro das Aldeias de Portugal.

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