Revista Rua

2018-08-06T11:38:15+00:00 Opinião

Vós sois o sal da terra

Humor
João Lobo Monteiro
João Lobo Monteiro
6 Agosto, 2018
Vós sois o sal da terra

Olá. Não se deixem enganar pelo título, não é o Diário do Minho, estão mesmo na RUA. Ou noutro sítio que não a rua, mas a ler a RUA. A não ser que este texto seja surripiado e vá parar a outra publicação. Nesse caso, e em todos, quero os meus direitos de autor. Ou só um Magnum Sandwich, vendo-me bem por um Magnum Sandwich.

Ora, mais um mês a falar de praia e mar e do que lá se faz, não é? Gosto muito, só que não. Como disse na crónica passada, evito ao máximo ir ao mar, porque só quem está a recuperar de lesões é que se mete numa câmara hiperbárica e eu não sou desses. Além de que o mar é como um gigante caldo verde e nós, infelizmente, não podemos pedir esse caldo verde com menos algas e, sobretudo, com menos sal. Sempre que mergulho no mar, invariavelmente, o meu colesterol sobe para níveis estratosféricos.

Também por isso, admiro bastante não só quem vai ao mar, como ainda lá faz atividades desportivas. A mesma coisa se aplica aos rios, lagoas e tudo o que tenha água, excluindo os barquinhos de papel nas banheiras. De todas, a que mais me fascina é a vela. Fascina no sentido de não perceber nada daquilo, o que costuma acontecer quando um desporto não tem bola. Além disso, é uma excelente metáfora da vida, na medida em que temos de adaptar a nossa vela ao sentido em que o vento sopra ou lá o que é.

Outra coisa que vem das águas, e isto vai ser surpreendente, preparem-se… é o peixe. Sim, senhor. Também do mar vem o marisco – até porque se viesse do rio, só se chamava risco. Bom, por este trocadilho e por não poder nem com o cheiro do marisco, vou focar-me só no peixe.

Quando assisto a programas de cozinha (MasterChef Brasil, amor eterno!), há duas coisas que, acima das outras, me fazem ver que não dou para aquilo: pessoal aos gritos, por causa da pressão e tal; e o facto de não ter só de cozinhar carne e fazer bolos, mas também ter de lidar com peixe. Não sou esquisito ao ponto de não comer peixe, mas torço o nariz algumas vezes. E como custa torcer o nariz, pessoal! Para depois ir ao sítio, é um dia de juízo.

De entre as formas de cozinhar peixe, as que mais estão em voga são: aqueles micro-bocados de comida que põem nos restaurantes gourmet, normalmente deitados em cama de alguma coisa, tipo espargos; e o sushi.

Eu nunca comi sushi, portanto tenho toda a propriedade para falar sobre o assunto. Desde logo, voltando lá acima, ter algas já é um ponto negativo e comer coisas verdes não tem o mesmo sabor desde que o Bruno de Carvalho foi embora. Volta, Brunão!

Depois, o facto de ser peixe cru, enfim… para alguma coisa se inventou aparelhos que cozinham os alimentos e assim. E acumula com o facto de ser peixe cru enrolado numa cena que é igual aos tabuleiros de pôr na mesa que temos cá em casa. Não dá.

Finalmente, talvez a principal razão para não comer sushi é que, mesmo que conseguisse mudar todas estas objeções de consciência que tenho, nunca teria destreza motora para comer com pauzinhos. Era preciso nascer de novo e não me dá jeito fazer isso agora.

Sobre o autor:
Tenho dois apelidos como os pivôs de telejornal, mas sou o comunicador menos comunicativo que há. Bom moço, sobretudo.

Ilustração por:
Isaac Barbosa

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