Revista Rua

2020-04-24T09:25:11+01:00 Cinema, Cultura, Radar

15 filmes de Abril

Estes são os filmes que tem de ver para perceber melhor a nossa Revolução dos Cravos.
Capitães de Abril, 2000
Redação22 Abril, 2020
15 filmes de Abril
Estes são os filmes que tem de ver para perceber melhor a nossa Revolução dos Cravos.

O dia 25 de Abril de 1974 ficou marcado na História de Portugal como um momento de transformação política, social e cultural. Nas memórias das gerações pré-74, as limitações e a censura ficaram marcadas e o nome de António de Oliveira Salazar é inequívoco. No entanto, com o passar dos anos, há muitos factos e acontecimentos que não fazem parte do conhecimento comum dos mais jovens e, por isso, a RUA fez uma lista de filmes para ver neste período para que seja possível conhecer melhor todas as facetas de Revolução dos Cravos. Sabia que, durante quase 40 anos de censura, só a produção de propaganda chegava às televisões dos portugueses e as estreias de cinema eram maioritariamente impedidas? Só depois da Revolução, logo no dia 26 de Abril de 1974, é que muitos dos filmes saíram em “liberdade”.

As Armas e o Povo, de Glauber Rocha (1975)

É um filme que ilustra o período entre 25 de Abril e 1 de Maio de 1974, colocando em evidência a ação militar e a movimentação de rua, assim como as operações de desmantelamento do sistema fascista. As atitudes de resistência popular e a oposição a Salazar também são retratadas neste filme.

Continuar a Viver, de António da Cunha Telles (1976)

Continuar a Viver ou Os Índios da Meia-Praia é um documentário português de longa-metragem que é um misto entre filme etnográfico e de cinema militante, uma prática muito comum em Portugal na década de 70. O filme apresenta a comunidade piscatória de Meia Praia, nas imediações de Lagos, no Algarve, e a sua experiência nos dois anos que se seguiram à Revolução: com o apoio do SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório), as velhas casas são substituídas por habitações de pedra e os habitantes lançam-se no projeto de uma cooperativa de pesca.

Cravos de Abril, de Ricardo Costa (1976)

A 25 de Abril de 1974, Ricardo Costa é acordado pelo seu amigo e colaborador em atividades editoriais Ilídio Ribeiro, que lhe diz que uma revolução está em curso. Com a sua máquina de filmar Paillard-Bolex de 16mm, com motor de corda, e duas bobines de filme negativo a cor Eastman, de 120 metros, Ricardo Costa mete-se no carro, liga a telefonia para sintonizar uma estação emissora da GNR e dirige-se para a Praça do Comércio, onde estão os carros de combate. Aí, começa a filmar.

Deus, Pátria, Autoridade, de Rui Simões (1976)

Partindo do discurso de Salazar feito em 1936, em que a célebre frase “Não discutimos Deus e a virtude, não discutimos a pátria e a nação, não discutimos a autoridade e o seu prestígio” foi proferida, este filme coloca em evidência os alicerces do regime fascista durante os 48 anos da sua existência até 25 de Abril de 1974.

Um Adeus Português, de João Botelho (1986)

É um filme do conceituado realizador português João Botelho que retrata um casal de idosos que viaja até Lisboa para começar uma vida nova após a morte do seu filho na Guerra Colonial. Apesar da dor, o casal tenta reencontrar a sua antiga nora.

Non ou A Vã Glória de Mandar, de Manoel de Oliveira (1990)

Do reputado Manoel de Oliveira, este filme passa-se nos finais da guerra colonial, quando um grupo de soldados avança pelo mato. Aqui, Manoel de Oliveira apresenta uma análise às maiores catástrofes militares de Portugal.

Portugal 74-75 – O Retrato do 25 de Abril, de Joaquim Furtado, José Solano de Almeida, Cesário Borga e Isabel Silva Costa (1994)

Este documentário com o selo da RTP e das suas imagens de arquivo aborda cronologicamente os principais acontecimentos que marcavam Portugal e a sociedade entre 1974 e 1975: o regime Marcelista e a sua decadência, a Revolução, o Processo Revolucionário Em Curso (PREC), o fracasso do Golpe de 25 de Novembro de 1975…

Outro País, de Sérgio Tréfaut (1999)

Neste documentário com arquivos históricos é lançado um olhar de fotógrafos e cineastas sobre a Revolução Portuguesa.

A Hora da Liberdade, de Joana Pontes (1999)

É uma recriação onde são abordados os acontecimentos chave para a ocorrência do 25 de Abril de 1974.

Cinema – Alguns Cortes: Censura, de Manuel Mozos (1999)

Este filme é uma montagem de várias horas de cortes levados a cabo pela Comissão de Censura durante as décadas de 50 e 70. A negação da imagem e o impacto da censura são aqui visíveis, graças às imagens conservadas pela Cinemateca.

Capitães de Abril, de Maria de Medeiros (2000)

Este é talvez um dos filmes mais conhecidos de Abril. Realizado por Maria de Medeiros, Capitães de Abril retrata a noite de 24 para 25 de Abril de 1974, momento em que a rádio emite uma canção proibida: “Grandôla, Vila Morena”, composta e cantada por Zeca Afonso. A canção foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) para ser a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos, dando sinal para o golpe de estado militar que transformou o país. Este filme, com vários atores consagrados no elenco, presta homenagem aos jovens soldados, em especial a Salgueiro Maia.

25 de Abril, Uma Aventura para a Democracia, de Edgar Pêra (2000)

Com base nos arquivos do 25 de Abril, este documentário fala sobre o fim do fascismo e a Revolução de Abril, partindo de imagens e sons das ruas e da adesão popular.

Cartas a Uma Ditadura, de Inês de Medeiros (2006)

É um filme de Inês de Medeiros que apresenta uma cena de cartas, escrita por mulheres portuguesas em 1958, que foram encontradas por acaso por um alfarrabista. As cartas respondiam a uma circular enviada por um Movimento de Apoio à Ditadura do qual não há qualquer referência em qualquer outra fonte histórica. No entanto, atendendo ao teor das cartas, é percetível que eram uma resposta a um convite para que as mulheres se mobilizassem em nome da paz, da ordem e em defesa do próprio Salazar.

A Cantiga Era Uma Arma, de Joaquim Vieira (2014)

Após o 25 de Abril, os músicos e poetas usaram a sua inspiração ao serviço dos tempos revolucionários e percorreram Portugal com mensagens libertadoras. Nos meses seguintes a Abril de 1974, a música de intervenção ou de protesto atingiu o seu apogeu.

Cartas de Guerra, de Ivo M. Ferreira (2016)

Realizado por Ivo M. Ferreira e com base na obra D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da guerra do autor António Lobo Antunes, este filme traz a história de António, que vê a sua vida interrompida quando é incorporado no exército português para servir como médico numa das piores zonas da guerra colonial: o Leste de Angola. Longe de casa e num cenário de violência, António escreve cartas à mulher.

 

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