Revista Rua

2021-01-28T12:45:37+00:00 Cultura, Música

20 novas canções do Festival da Canção 2021: conheça os artistas e as canções

Os vencedores atuam no Festival Eurovisão, em Roterdão, Países Baixos.
Redação28 Janeiro, 2021
20 novas canções do Festival da Canção 2021: conheça os artistas e as canções
Os vencedores atuam no Festival Eurovisão, em Roterdão, Países Baixos.

Por Mariana Sousa Lopes

Em tempos de pandemia, os pormenores do Festival da Canção foram descobertos através do evento online da RTP: os músicos, intérpretes e as suas canções, as datas das semi-finais, final e apresentadores.

A RTP fez convite direto a 18 artistas e 2 foram selecionados através de submissão de propostas. A primeira semi-final decorre dia 20 de fevereiro, com Jorge Gabriel e Sónia Araújo a apresentar. A segunda semi-final, dia 27 de fevereiro, com a apresentação a cabo de José Carlos Malato e Tânia Ribas Oliveira. A final conta com a Filomena Cautela e Vasco Palmeirim. Inês Lopes Gonçalves estará responsável pela apresentação na Green Room, a sala com os artistas antes das atuações. O vencedor é escolhido pelo telespectador e pelo poder do júri. Os vencedores atuam no Festival Eurovisão, em Roterdão, Países Baixos.

Nadine, Cheguei Aqui

A artista convidada é: violinista, compositora e professora no Conservatório Nacional – Anne Victorino d’Almeida. Formada pela Fundação Musical dos Amigos das Crianças, Academia Nacional Superior de Orquestra, Academia Superior de Orquestra. Já compôs para teatro, cinema e formatos televisivos – separadores da RTP2. Nadine foi escolhida como intérprete para a letra da autoria de Tiago Torres da Silva.

A música retrata uma chegada com perseverança constante, uma luta pela paz e funciona como um ciclo “Cheguei ao fim/ E sendo assim/ Já vou recomeçar”.

Carolina Deslandes, Por um Triz

Carolina Deslandes é reconhecida por diversos públicos: uma artista pura e que ao longo dos seus trabalhos fala sobre si, a sua vida e no que acredita – como é observado no EP e curta-metragem Mulher. Ao longo dos anos já fez várias colaborações com artistas, como Agir, Jimmy P, Rui Veloso e Diogo Piçarra.

Nesta canção, Carolina canta sobre uma relação, que quase resultou: “foi por um triz”. Demonstra o esforço que fez por alguém, o que ofereceu e o quanto quer ser feliz.

Da Chick, I Got Music

Num ritmo alegre, na voz da Chick, teclados de Gui Salgueiro, guitarra de Ricardo Amaral, trompete de Sandro Félix, saxofone de Dinis Silva, trombone de André Pimenta, saxofone tenor de Eduardo Azevedo e percussão de Iúri Oliveira, somos levados à magia da música.

Ao longo da música, há um agradecimento constante à existência da música, à necessidade da partilha, e a magia de dançar durante todo o dia e noite e “makes my troubles go away”.

Fábia Maia, Dia Lindo

Fábia Maia assumiu todas as responsabilidades nesta canção, desde a interpretação, à música, letra, e ainda foi uma das convidadas pela RTP. A artista já revelou que desde sempre sabia que o seu caminho passaria pela música. Em adolescente esteve numa banda rock/metal, mas ao longo da viagem por este mundo, mudou um pouco o caminho. Começou por fazer algumas versões de músicas de hip-hop, ganhando reconhecimento, em 2016 teve oportunidade de participar no tema “Má vida” do Jimmy P. Ao longo dos anos foi lançando alguns temas e, em 2020, lançou o EP “Santiago”, onde incentiva que todos sejamos livres e descreve-o como “quatro canções e uma despedida”.

Na canção “Dia Lindo”, descreve a fragilidade de chorar, “de cair no fundo” e a capacidade de se reerguer. Ao mesmo tempo, transmite “que tudo tem a sua forma de ser”.

Sara Afonso, Contramão

Um dos artistas com maior versatilidade musical, Filipe Melo foi convidado para o Festival da Canção. É reconhecido pela influência do jazz, o poder de improvisação – como no espetáculo Deixem o Pimba em Paz – já criou mais de 20 discos como sideman, já compôs para teatro e cinema. O compositor, pianista e orquestrador publicou um livro de banda desenhada, no ano passado, chamado Balada para Sophie.

Para a criação desta música contou com diversos artistas, como Nuno Rafael, Mário Delgado, Diogo Alexis, Ana Castanhito, Jorge Camacho, Joel Vaz, Roberto Camacho, Joel Vaz, Roberto Erculiani, Janete Santos, José Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano, Ana Claúdia. A escolha para intérprete foi Sara Afonso.

Ao longo de toda a canção, é contada uma narrativa de duas pessoas, com forças diferentes “eu dou-te vontade, tu dás-me razão”.  No início, o protagonista da canção sente-se perdido e depende do outro para se encontrar.

Valéria, Na Mais Profunda Saudade

Na Mais Profunda Saudade” foi escrita pelo autor convidado: Hélder Moutinho. O artista começou em 1994 a cantar no Bairro Alto, participou no Ciclo de Fados da Mãe D’Água. Já com uma longa discografia, é um dos nomes mais ligados às noites de fado de Lisboa. Uma das suas distinções é o Prémio de Prestígio na 2º Gala de Fado da Voz do Operário e o Prémio Amália Rodrigues.

A intérprete escolhida foi Valéria, uma fadista que já trabalhou em temas com Ricardo Gordo e criou o single “Dizem que Sim” e, no ano passado, participou no projeto A música portuguesa à janela, com Rui Poça. A artista foi formada pela Escola Superior de Artes Aplicadas.

Na canção é descrita a sensação de um silêncio, acompanhado com uma saudade, e uma paixão. “Sempre que vejo o mar/ Vejo a cor do teu olhar/ E sinto o teu coração”.

IAN, Mundo

Com uma grande carreira musical, IAN foi a autora convidada, intérprete responsável pela música e letra de “Mundo”. Atualmente, pertence à Orquestra Sinfónica do Porto, mas a história no mundo da música começou aos cinco anos. Em 1999 veio para Portugal,  onde já colaborou com os The Gift, GNR, em 2018 lançou um EP e, em 2020, lançou o primeiro álbum, Raivera.

Entre a escrita em inglês e o português, “Mundo” descreve que quer ter um mundo com a sua cor e preencher as ruas com as suas histórias. Num jogo de palavras refere que “O mundo tem conserto, certo e incerto”.

IRMA, Livros

IRMA trabalhou em todas as fases de criação da música “Livro” –  apenas contou com a colaboração de PITY para a música. A sua vida na arte já passou pela realização e formou-se em Artes Performativas, por acreditar que todas as artes se completam. O primeiro contacto com a música foi aos 12 anos, com uma guitarra da mãe. Em 2020 lançou o primeiro álbum Primavera, que contém a música “Qualquer hora”, que foi escrita há dez anos. A artista acredita que a cultura para existir precisa de ser partilha e representa a união e a beleza.

Na música “Livro” há um constante paralelismo entre os livros lidos, por ler e o amor “naquele banco de jardim”. IRMA diz: “não quero mais sofrer/ acordar e no fim / ver que o amor que vive dentro / dos meus livros eu ainda não vivi”.

Joana Alegre, Joana Mar

Já esteve no pódio de vários programas e concursos, como o The Voice, Internacional Songwriting Competition, Best Combo National Award e em 4º lugar no Billboard World Song – Writting Contest. Com uma grande criação na parte do barroque pop, neo flok ou indie rock já lançou um álbum em 2016, está a gravar o seu segundo álbum com a produção de Luísa Sobral e, no fim do Festival da Canção, ambiciona publicar um EP, de homenagem ao seu pai, o poeta Manuel Alegre.

Ao longo da música descreve um pouco a sua identidade, demonstrando que não tem medo, sabe quem é, e vai por onde “o vento soprou/e a vida cantou/ Joana do Mar”.

Graciela, A Vida Sem Acontecer

João Vieira, fundador da banda X-Wife, como vocalista, guitarrista e coprodutor, foi o autor convidado e criou a música e letra de “A Vida Sem Acontecer”. João escolheu como intérprete Graciela, que pertence ao grupo Dear Telephone.

A Vida Sem Acontecer” ilustra uma “vida sem saber para onde vamos”, confiando no destino, e no poder de um abraço.

Karetus & Romeu Bairros, Saudade

Numa palavra tão portuguesa como a “Saudade”, num ano em que “a distância nos separou”, Karetus e Romeu Bairos criaram uma das canções para a primeira semifinal do Festival da Canção 2021.

Carlos Silva e André Reis são os protagonistas dos Karetus, banda criada em 2012, e reconhecidas com os sets personalizados nos concertos. Ao longo dos anos foram lançando vários temas e, em 2020, publicaram seis singles. Romeu Bairros lançou o seu primeiro EP Cavalo Dado em 2019. O artista é dos Açores e foi aluno no conservatório de Ponte Delgada e do JB Jazz Clube.

Miguel Marôco, Girassol

Dividido entre o mestrado de Matemática e o quarteto barbershop chamado Contratempo, Miguel foi um dos artistas selecionados para participar no Festival. Também já participou na banda filarmónica, como trompetista e percussionista e ainda estudou piano no Conservatório de Música de Sintra.

Em “Girassol” fala dos ideais, que servem como motivação para correr o mundo e ainda que a vida é um museu, seguindo a fórmula de que “é confiar na recaída”.

NEEV, Dancing in the Starts

Bernardo Neves tem 25 anos e já conta com um longo percurso internacional, assinando o primeiro contrato em Los Angeles, seguindo-se a Universal Music France e BMG Bermany. Já teve oportunidade de trabalhar com grandes referências musicais: Chris Bord, Larry Klein, Brian MacLeod e Dean Parks.

NEEV conta todos os passos de um luto, dedicando as suas canções a essa pessoa tão importante na sua vida e refere que ainda a vê quando fecha os olhos.

EU.CLIDES, VOLTE-FACE

O autor convidado foi Pedro Lima, DJ e produtor de música, que já fez a produção para músicos conhecidos, como Dino D’Santiago, Profjam, Carlão, Branko e Diogo Piçarra. Atuou em diferentes palcos a nível nacional e internacional, como Nos Alive, Fusion Festival, Jazz café, Razzmatazz. Em 2020, lançou o álbum em nome próprio Da Linha. O intérprete escolhido foi Eu. Clides, que já publicou alguns temas, “Terra Mãe”, “Ir para quê?”,Tempo Torto”.

TOTA escreveu a letra, que através de vários trocadilhos demonstra o que é viver uma vida sem pressa, como algo único e em paz.

Pedro Gonçalves, Não Vou Ficar

Pedro foi outro dos autores selecionados, mas em 2017 já tinha participado no Festival da Canção, com a música “Don’t Walk Away” com a composição a cargo de João Pedro Couto. Também já atuou no The Voice, ficando com a 2º classificação. Depois de vários singles lançados, ambiciona publicar o primeiro álbum em 2021.

Ao longo da música há uma descrição de um mundo frio e da solidão, terminando com “sai/ não voltes mais/ porque eu não vou ficar”

mema., Claro como Água

O autor convidado foi Stereossauro, o DJ e membro dos Beatbombers, que ambiciona unir o mundo do hip-hop com o do fado. Nesta música, deixou a cargo de mema., a interpretação, letra e uma parte da música. O nome artístico “mema.” Surge através da junção dos dois apelidos: Mendes e Marques, e o com o ponto final pretende marcar a sua identidade.

mema. deixa um pouco de si ao longo de toda a canção, mostrando que tem vários objetivos marcados e a importância do coração em tudo o que faz, assim como uma filosofia de “deixar fluir”.

Tainá, Jasmim

A música ergue-se na vida de Tainá aos 11 anos, depois de comprar a primeira guitarra, quando ainda vivia no estado do Pará. Vive há quatro anos em Portugal e diz ter o seu coração dividido, mas vive feliz. Aos 14 anos escreveu o singleSonhos”, numa noite de insónias e quando se quis conhecer a si mesma. O álbum chama-se Tainá e mostra cada particularidade e visão da artista sobre o mundo.

Ao longo de “Jasmim” conta uma história de amor, que se passa numa cidade, durante a primavera, querendo sempre sonhar e “ficar”.

The Black Mamba, Love is on My Side

Tatanka foi o autor convidado para o Festival da Canção. O artista é um dos fundadores da banda Black Mamba, que foi intérprete da “Love is on My Side”.  Tatanka lançou o primeiro disco a solo em 2019, depois de uma longa jornada nos Black Mamba, entre os blues e soul sempre foram muito bem recebidos pelo público.

A canção, escrita em inglês, tem uma narrativa muito específica sobre uma saída de casa aos 16 anos, atrás de um amor cego e sonhos partidos, o amor funciona sempre como o caminho a seguir.

Ariana, Mundo Melhor

Ao longo de toda a canção há a transmissão da mensagem de que em grupo teremos sempre mais poder, que o sonho é gigante, o futuro depende de nós e há sempre esperança.

Convidada por Virgul, Ariana foi a intérprete da canção. Depois de já ter participado no The Voice, e acompanhado Kady no Festival da Canção de 2020, a voz da artista surpreende qualquer um. Virgul contou com Alex d’Alva para a letra, os artistas já tinham trabalhado juntos no último álbum de Virgul Júblio.

Ana Tereza, Com um Abraço

A autora convidada, Viviana, já passou por vários grupos, criou outros, pisou palcos internacionais, em 2020 lançou o singleQuando tiveres tempo”, e este ano esperamos um novo disco. Escolheu a vocalista do grupo Gaijas, Ana Tereza, para interpretar a sua canção.

Com um Abraço” apresenta as mudanças do mundo, a incerteza do certo e do errado, mas a constante esperança de dias melhores. Ao mesmo tempo, refere-se do mundo numa perspetiva mais pessoal, mostrando o poder de um abraço, pois “O que nos salva é o amor”.

Partilhar Artigo: