Revista Rua

2019-01-15T11:49:00+00:00 Opinião

2019: 03 anos de RUA; 30 anos de Oficina

Música
José Manuel Gomes
José Manuel Gomes
9 Janeiro, 2019
2019: 03 anos de RUA; 30 anos de Oficina

Chegamos a 2019: “novo ano, vida nova”, certo? Fazemos os balanços do ano anterior, fazemos resoluções para os 12 meses que se seguem, arrependemo-nos da quantidade de doces que comemos na época festiva e aspiramos a ser mais e melhores que no ano que já lá vai. É também, agora que se inicia um novo ano, normal atualizarmos os números das coisas que mais nos importam: as datas; a duração dos ciclos; enfim, cedermos à eterna conta de somar para tudo e mais alguma coisa. É nesta conta de somar que proponho que falemos hoje, nomeadamente nos 03 anos de existência da Revista RUA e dos 30 do Teatro Oficina.

Confesso para quem perde algum do seu tempo a ler o que escrevo, que tento sempre cumprir os timings que me dão; em tudo. Três anos depois de começar a escrever para a Revista RUA – precisamente neste mês de janeiro – atrasei-me (e muito!!) na entrega do texto de opinião. A culpa não é minha, é do universo, ok? Bom… este atraso trouxe uma coisa de positivo: pude ver o lançamento do primeiro quadrimestre d’A Oficina, de Guimarães, Cooperativa Municipal, que gere os principais equipamentos culturais da cidade, tendo à cabeça o Centro Cultural Vila Flor.

Pouca gente que encheu o Café Milenário, mítico café no coração da cidade, ignorava que neste ano A Oficina completa 30 anos de existência e com ela três décadas de mudanças e alterações. A metamorfose do tempo passa por todos; sejam pessoas, sejam instituições, lugares, sítios, etc. Neste período de existência já se perdeu a conta dos marcos que A Oficina conseguiu atingir. Diria até que é um oásis num deserto, partilhado apenas pelas duas centralidades do país: Porto e Lisboa.

“Sempre achei que o maior problema d’A Oficina e de outras entidades culturais se depreendia precisamente na comunicação, na forma como explicam às pessoas o que propõem, de forma clara, e sem sobrepor floreados de designers ao mais importante que é a mensagem. Claramente, em 2019, A Oficina declara ser o seu ano zero e com razão…”

Com períodos bons e menos bons, altos e baixos, decisões mais e outras menos acertadas, ninguém pode negar a importância d’A Oficina na cidade de Guimarães, no seu tecido e território, nem tão pouco o que transformou, sobretudo de 2012, ano em que foi Capital Europeia da Cultura, para cá. Hoje em dia, A Oficina segue um desígnio também adotado noutros municípios – a meu ver e muito bem – como o de Braga ao conciliar a cultura à educação. Estas duas devem andar de mãos dadas e é um erro tentar dissociar ou não trabalhá-las em conjunto. Ora, se isto já vem sendo feito, pelo menos desde outubro de 2017, acrescentou-se, agora, algo que transforma a fórmula, a estratégia cultural, perto da perfeição: a comunicação. Sempre achei que o maior problema d’A Oficina e de outras entidades culturais se depreendia precisamente na comunicação, na forma como explicam às pessoas o que propõem, de forma clara, e sem sobrepor floreados de designers ao mais importante que é a mensagem. Claramente, em 2019, A Oficina declara ser o seu ano zero e com razão: olharam para dentro, puseram mãos à obra e iniciaram um processo de colmatar o que estava menos bem. Cultura + educação + comunicação: tudo junto para a fórmula perfeita.

Agora, voltando ao início do texto, falemos da Revista RUA. Há três anos que Braga passou a ter uma revista comprometida numa missão clara de não ser apenas mais uma e de ser uma pedra no charco no jornalismo cultural e que importa. Em 2019 passam de ser apenas uma revista regional, do Minho, para ser uma revista nacional. São projetos de comunicação como estes que nos transformam os dias e nos fazem querer folhear fio a pavio uma revista inteira. Estão de parabéns por mais um ano de existência, por manterem intactos os valores e a missão e por falarem, agora, para todos nós a uma dimensão nacional.

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