Revista Rua

2021-02-12T19:11:32+00:00 Opinião

5 anos da nossa RUA

Música
José Manuel Gomes
12 Fevereiro, 2021
5 anos da nossa RUA

Cinco anos passam rápido. Fui um dos que tive a sorte e privilégio de ver nascer a Revista RUA e poder colaborar desde o seu aparecimento. O primeiro artigo que escrevi, em janeiro de 2016, foi sobre o desaparecimento de David Bowie. Se há cinco anos escrevia sobre a perda de um dos maiores génios da música, por estes dias não há melhores motivos para falar sobre música ou cultura, mas é nestas alturas que devemos valorizar este bem que é absolutamente essencial: a cultura.

Escrever, durante estes cinco anos, tem sido um prazer imenso e uma terapia, até. Nunca são demais os espaços onde se possa alimentar o pensamento em torno da música e da cultura; e foi precisamente isto que encontrei aqui, na RUA. Um sítio onde pude escrever sobre a atualidade, sobre gostos, sobre o que ia ouvindo, o que ia vendo ou sugerir conteúdos, no meu ponto de vista, interessantes.

De 2016 para cá já aconteceu, de facto, muita coisa no mundo e em todos os meses tentei colocar sempre o foco no pensamento da cultura e da importância que ela tem nos nossos dias. Faça-se a retrospetiva que se fizer, há uma certeza mais-que-absoluta: precisamos de cultura e ela faz parte de nós. Seja no acesso à música, no teatro, do cinema, nas artes plásticas, na literatura, enfim, em tudo o que nos engrandece o espírito e nos alimenta a humanidade.

A cultura é o alimento que muitas das vezes precisamos e, por estes dias, esse alimento tem de ser entendido, além da sua forma imaterial, como a sua forma material. É um setor em profunda crise, como de resto, grande parte de todos os setores, infelizmente, e há todo um universo de profissionais ligados ao mundo das artes e do espetáculo que passam por dificuldades até aqui nunca sentidas. Toda esta “nova realidade” veio, tal como já escrevi anteriormente, pôr a nu um setor que, na sua base, sempre foi trôpego e descoordenado. Há falta de visão, há falta de soluções, há falta de pensamento dos agentes decisores e que realmente podem fazer a diferença. Passado um ano do início da pandemia em Portugal, o mais chocante é mesmo isso: o tempo, a demora, a espera, o vai-e-não-vai nos apoios, nas soluções efetivas e na inoperância do que vem sendo apresentado. É quase de levar as mãos à cabeça quando nos apercebemos que o (verdadeiro) primeiro pacote de apoio ao setor artístico foi anunciado apenas em janeiro de 2021. Tarde, muito tarde… mas lá chegou.

Uma coisa é certa: hoje, mais do que nunca, precisamos de cultura e precisamos de falar sobre cultura. A Revista RUA além de proporcionar este espaço de opinião e de liberdade de pensamento afirma-se também, a meu ver, como uma referência na cobertura de eventos culturais na zona Minho/Norte do país com uma arrojada e inovadora forma de comunicar e noticiar. Mais do que um trabalho imprescindível, olho para a RUA como uma missão; de trazer para este espaço que nos é comum, a nossa rua, a informação que mais queremos ler e da forma como a queremos ter.

Numa altura em que nos afastamos, em que vivemos cada vez mais fechados e emaranhados nos nossos próprios becos sem saída, é bom ver que há quem nos junte a todos numa mesma RUA. Parabéns à Revista RUA, venham mais cinco ou mais dez anos e que estejamos, por essas alturas, num sítio melhor do que este em que estamos hoje.

Sobre o Autor:
Signo escorpião, sei informática na ótica do utilizador, programador do espaço cultural Banhos Velhos e sou um eterno amante de música, do cinema e do Sozinho em casa.

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