Revista Rua

2021-01-21T12:47:10+00:00 Histórias

7 tendências sociais para 2021

A TrendWatching é uma das empresas líderes a nível mundial na antecipação e análise de tendências de consumo.
Redação
Redação21 Janeiro, 2021
7 tendências sociais para 2021
A TrendWatching é uma das empresas líderes a nível mundial na antecipação e análise de tendências de consumo.

Por Vera Salazar

O ano 2020 foi criador de mudanças de hábitos e da valorização do que melhor o planeta tem para nos oferecer. Primar por um futuro sustentável, a gestão dos recursos do planeta, pela diversidade e pela relação digital-natural são as tendências a que 2021 pretende dar mais ênfase. A TrendWatching é uma das empresas líderes a nível mundial na antecipação e análise de tendências de consumo e, por isso, a RUA dá a conhecer algumas das previsões antecipadas pela mesma.

 

O Movimento Veggie

Já há algum tempo que a opção de se tornar veggie foi apontada como uma “moda”, seja pelas condições decadentes dos animais, seja porque é a melhor opção para a longevidade em termos de saúde.

Ser Vegan, plant-based, cruelty-free significa optar por produtos, sejam eles de beleza, alimentares ou de moda, que não sejam inconvenientes ou provenientes de animais.

Ao longo dos anos, todos os conceitos foram atualizados. Há três anos atrás, a idealização alimentar de um vegano era comer ovos mexidos ou simplesmente, por desinformação, raízes de plantas. Esse conceito modificou através do aparecimento da Eat Just, uma empresa de tecnologia alimentar americana que lançou alimentos novos com aparência e sabor semelhante a ovo, feito à base de feijão mungo. A experiência foi bem-sucedida e marcou definitivamente o mercado europeu pois permitiu abrir um centro de investigação culinária em Xangai dedicado à produção de alimentos de origem unicamente vegetal.

Baseando-se neste modelo e com a maior adoção da população, este novo ano poderá ser um ponto de viragem em termos empresariais para a revolução plant-based, determinada pela capacidade de promover estilos de vida mais ecológicos e éticos aos consumidores.

Apesar da escolha animal ainda fazer parte de muitos pratos confecionados, o movimento é muito aceite e pode ser realmente um ponto de partida para um futuro melhor.

As “cidades de 15 minutos”

Sejamos sinceros, por este ano já estávamos à espera que os carros voassem… Mas é quase isso que a TrendWatching nos sugere. Pouco a pouco, as questões ambientais têm ganho um verdadeiro peso e preocupação na vida das populações. Os ambientes sem carros e sem a progressão da sua pegada na camada de ozono são fatores prioritários numa vida sustentável e de bem-estar.

Seguindo esta linha de raciocínio, a Reef, uma startup norte-americana, ambiciona contruir uma “cidade de 15 minutos” onde tudo possa ser encontrado através de uma curta caminhada ou por um passeio de bicicleta. Para isso, a Reef irá transformar os espaços de estacionamento em hubs, infraestruturas urbanas que permitem uma maior proximidade entre produtos e serviços para não ser necessário deslocar-se de carro para ir a um hipermercado, centro de saúde, hospital ou centro comercial.

A previsão é o fortalecimento das comunidades locais, o bem-estar nas cidades e a redefinição do conceito de mobilidade numa perspetiva mais sustentável e duradoura.

Equidade digital

As desigualdades digitais sempre foram uma preocupação no mundo. Numa situação de pandemia, cada vez mais se tornam evidentes sobretudo com a adaptação ao digital e online. Exemplificando a nível dos estudantes, é bastante frequente o fecho das escolas e, por consequência, a adoção das aulas em formato online. No entanto, as crianças e jovens de países em desenvolvimento saem prejudicadas. Nesses países, o acesso às novas tecnologias ainda não é generalizado e torna-se ainda mais difícil a adoção de medidas e informações.

Pensando nisto, o chatbot FoondaMate permitiu que alunos da África do Sul tivessem acesso a materiais escolares sem estarem conectados a uma rede fixa de internet, através de uma app. Nessa app, os alunos puderam descarregar notas, trabalhos e fazer pesquisas através dos dados móveis gratuitamente, uma vez que as apps de comunicação não são pagas no país. Assim, mesmo quando as escolas se encontram fechadas, os alunos conseguiram manter os estudos.

E este é apenas um exemplo da necessidade de criar novas formas de difundir acesso digital e permitir a todos as mesmas oportunidades de informação e formação.

Saúde mental: a desmitificação de um “palavrão”

Frequentemente ouvíamos falar em saúde mental como um problema e não como uma solução. A verdade é que já os romanos se regiam pela máxima “corpo sã em mente sã”. Contudo, com o passar dos anos, falar abertamente sobre problemas de depressão e ansiedade foram associados a problemas mentais e daí nunca serem abertamente discutidos.

Seja pela falta de informação ou pela incapacidade de os entender na íntegra, a saúde mental chegou finalmente a um palco que lhe dá louvor. Hoje em dia, já existe uma maior procura por produtos e serviços que proporcionem bem-estar emocional, em grande parte devido ao teletrabalho que agora integra a rotina diária, tornando-se cada vez mais difícil separar o ambiente profissional da vida pessoal.

Prova disso mesmo, são as novas funcionalidades para plataformas como o Teams da Microsoft, desenhadas para melhorar o equilíbrio entre o ambiente profissional e pessoal. Uma das funcionalidades é a viajem virtual para o trabalho, de forma a criar momentos que permitam transitar de um ambiente para outro. Além disso, a gigante tecnológica irá criar, em parceria com a app de meditação Headspace, uma opção para registo diário do estado emocional.

Estes pequenos passos que as empresas poderão adotar para calibrar o impacto dos seus produtos e serviços no bem-estar dos consumidores são ótimos pontos de partida para desmembrar mitos e criar novas realidades com mais abertura e leveza.

A inexistência de desigualdades etárias

Uma das temáticas mais colocadas na mesa a nível profissional é a questão das desigualdades etárias, isto é, o “prazo de validade” de uma pessoa seria até aos 35/40 anos.

No The Intern, de 2015, Robert De Niro encarnava a personagem de estagiário sénior contracenando com Anne Hathaway, que interpretava o papel de CEO de uma startup de e-commerce do mundo da moda. E a mensagem era clara: alargar a área de atuação do negócio contratando talentos mais velhos.

Thinkerbell aplicou esta posição na sua agência de criação de conteúdos australiana, lançando um programa de estágios remunerados de oito semanas para candidatos com mais de 55 anos. A agência acabou por descobrir que há toda uma faixa etária de profissionais que está a ser desaproveitada e, nesse sentido, a TrendWatching mostra que à medida que a longevidade aumenta, as pessoas podem e querem ser produtivas. Daí a responsabilidade das empresas em abandonar o preconceito etário e em dar as boas-vindas a um grupo com uma bagagem profissional extremamente necessária para realizar vários projetos interessantes.

Contornar a crise

Ao longo deste artigo já fomos dando algumas “luzes” extremamente importantes a níveis empresariais, ambientais, profissionais, educacionais e de saúde e não nos poderíamos esquecer da situação económica e a base de todas estas questões.

A pandemia é também sinónimo de crise económica, uma vez que algumas empresas tiveram de encontrar novas formas de subsistir. Foi o caso da marca de cerveja Corona que decidiu lançar a Paradise Advisor: uma plataforma que promove o turismo sustentável, mais consciente, e a reconstrução de um setor fortemente negligenciado pelas restrições implementadas face à Covid-19.

Em 2021 procura-se ideias de recuperação dos negócios e, de acordo com a TrendWatching, 86% das pessoas em todo o mundo desejam que o mundo mude significativamente neste novo ano, dando voz à expressão “build back better” — ou “reconstruir melhor” em português.

Podemos não ter carros voadores, mas as ideias ganham asas neste ano!

Adotar novas normas

As temáticas da diversidade e inclusão tornaram-se num foco no ano anterior. As conversas sobre conceitos como o racismo, xenofobia ou homossexualidade subiram de tom quando o mundo assistiu a vários comportamentos considerados desajustados e violentos. O assassinato do afro-americano George Floyd pelas mãos da polícia norte-americana foi um deles. As redes sociais encheram-se de mensagens de apoio a Elliot Page quando assumiu ser transgénero e na indústria da moda, Harry Styles quebrou barreiras quando apareceu de vestido na edição de dezembro da Vogue, sendo também a primeira vez que a revista colocou um homem a solo na capa.

Em termos políticos, Kamala Harris tornou-se a primeira mulher vice-presidente dos Estados Unidos e, na plataforma TikTok, Kyne Santos, uma drag queen com mais de 800 mil seguidores, marcou a diferença por se aliar à matemática para identificar estatísticas enganadoras nos media e mostrar que abraçar a diversidade é a epifania mais importante que ocorreu no mundo.

A capacidade de diálogo e da celebração de novas realidades sociais marca uma nova forma de abraçar a diversidade, celebrá-la e torná-la em algo ainda mais bonito.

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