Revista Rua

2018-11-08T14:55:02+00:00 Cultura, Teatro

“A Antiga Mulher” estreia a 12 de outubro

A Companhia de Teatro de Braga estreia, no Theatro Circo, a primeira peça focada na temática que marcará a sua atividade nos próximos anos: as fronteiras
A Antiga Mulher, de Roland Schimmelpfennig
Andreia Filipa Ferreira26 Setembro, 2018
“A Antiga Mulher” estreia a 12 de outubro
A Companhia de Teatro de Braga estreia, no Theatro Circo, a primeira peça focada na temática que marcará a sua atividade nos próximos anos: as fronteiras

É fazendo jus ao poema Eclesiastes, de José Tolentino de Mendonça, que o diretor artístico da Companhia de Teatro de Braga (CTB), Rui Madeira, apresenta a temática central do próximo quadriénio 2018-2021 da programação da companhia: “o que julga ter atravessado os espaços não saiu do seu lugar…”. Iniciando assim um trabalho artístico focado no tópico das Fronteiras, sejam elas físicas ou mentais, a CTB estreia, já a 12 de outubro, na sala principal do Theatro Circo, a criação de Roland Schimmelpfennig A Antiga Mulher, um trabalho que se apresenta após Humidade, Diário de Adão e Eva, António e Beatrix e muitas polémicas associadas às decisões políticas nacionais relativas ao apoio às artes e ao teatro. Com encenação do italo-francês Toni Cafiero, reconhecido pelo seu trabalho como comediante, encenador e professor em diversos países, tanto no âmbito do teatro como da ópera, A Antiga Mulher traz a história da intimidade de um casal e da problemática das relações familiares, num autêntico retrato de uma sociedade contemporânea em sofrimento. Nesta criação clássica, Roland Schimmelpfennig um dos autores mais representados do mundo, torna-se explorador dos universos luminosos e mais sombrios, onde o equilíbrio do feminino e do masculino está em jogo. A CTB apresenta este trabalho no Theatro Circo nos dias 12, 13, 14, 16 e 17 de outubro e, depois, a 18, 19 e 20 de dezembro.

Diretor artístico da CTB, Rui Madeira ©Nuno Sampaio

Na conferência de imprensa de apresentação da programação da CTB até ao final deste ano, Rui Madeira, embora não se alongando nas críticas, não deixou de referir a falta de apoio do Estado à atividade teatral, mencionando inclusive que, por motivos alheios à CTB, a peça A Antiga Mulher surge como substituição à Incêndios,  um texto de Wadji Mouawad sobre os refugiados e as lutas no Médio-Oriente, que Rui Madeira já tinha anunciado num momento de entrevista à RUA, em janeiro de 2018. Pedindo “um reforço do financiamento” que permita às companhias nacionais ter “novas perspetivas”, evitando a tendência de reproduzir “o gosto comercial” e a propagação do teatro em Portugal como “o somatório do caos”, Rui Madeira reitera que “o teatro não se explica, faz-se”, revelando então as digressões nacionais da CTB que colocam as peças Justiça, Amor de Perdição, Diário de Adão e Eva, Auto da Barca do Inferno, Em Pessoa e A Antiga Mulher em itinerância pelo nosso país. Em termos internacionais, a relevância é dada à peça António & Beatrix, um texto de Abel Neves, que ruma à Roménia já a 1 de outubro.

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