Revista Rua

2019-08-23T18:21:30+01:00 Opinião

A bandeira está negra

Sociedade
João Rebelo Martins
23 Agosto, 2019
A bandeira está negra

A 29 de outubro de 2018, quando acordei e soube o resultado das eleições brasileiras, coloquei no meu Facebook uma bandeira do Brasil a preto e branco e escrevi: “Cá longe, acordei assim, igual a milhões de brasileiros – 200, mesmo os que ainda pensam que não e festejam nas ruas: preto e branco, sem cor, sem alegria, sem “ordem e progresso”, sem as estrelas que me fazem sonhar.
Os brasileiros escolheram “um radical da direita radical, com um discurso que anuncia práticas políticas sectárias e autoritárias, que divide pela raça, pela nacionalidade, pela classe social, pela ideologia, pelo sexo e pela orientação sexual, que põe em causa a autonomia das instituições, a separação de poderes, a liberdade de imprensa, que fomenta o ódio, que promove a violência. O contrário do que a Constituição do Brasil estabelece como lei”.
Pela liberdade, igualdade, fraternidade, pelos direitos fundamentais do ser humano, pela preservação da maior floresta mundial, pelos brasileiros, pela comunidade portuguesa que há séculos se instalou no Brasil e ajudou ao seu desenvolvimento, prometo lutar contra Jair Bolsonaro”.

Várias pessoas chamaram-me anti-democrata, esquerdista; chegaram a comentar, no meu post, que os brasileiros que não se sentirem bem com as políticas do Presidente podem abandonar o país.

É nestes momentos que o respeito deveria impor-se, mas, quanto muito, só se vê tolerância.

Há o caso da Ministra Damares, a que viu Jesus a subir um pé de goiaba (Jesus Cristo caminhou sobre a água e subiu aos céus. Onde está a dificuldade de subir num pé de goiaba?!) e, como Ministra dos Direitos Humanos, semeia o ódio racial, ao colocar dogmas evangélicos misturados com política.

A Amazónia é um bem comum. Há dias Trump referiu que tinha intenção de comprar a Gronelândia. Se as nações, hoje em dia, tratam de real estate, por que não a Amazónia?!

O justiceiro Sérgio Moro e os alegados esquemas pouco transparentes para levarem Lula à prisão.

Eduardo Bolsonaro nomeado para diplomata; e o vídeo onde chama idiota a Macron; e agora o pai diz que até pode recuar na decisão de o mandar para Washington, para junto de Trump.

A maior nação da América do Sul, membro do G20, um país com imensos recursos naturais, está a ser governado por um bando de vilões de um filme do Trinitá.

O que é que isso nos importa a nós? Nada; excepto quando o Brasil detém a administração de um bem comum do planeta e não sabe cuidar: a Amazónia.

Hoje o país acorda negro, tão preto como a cor da bandeira no meu post de há meses, e já era expectável.

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro colocou-se sempre do lado dos agricultores, das cabeças de gado, nunca respondendo em concreto o que queria para a floresta. E depois nomeou Tereza Cristina Dias como Ministra da Agricultura.

Tereza Cristina Dias ficou conhecida porque dirigiu-se a Gisele Bündchen para lhe dizer que ela é uma má brasileira porque em vez de ser uma embaixadora da agricultura, é uma activista ambiental. Mas Tereza Cristina Dias, além deste fait-divers com a supermodelo, é conhecida por ser a maior lobista agrícola do Brasil.

Bolsonaro refere muitas vezes que Deus está no comando, mas ele decidiu equilibrar a balança e colocou o diabo no ministério da agricultura e quem paga somos todos nós.

Bush pai, em 1990, convenceu o mundo que o petróleo era um bem comum e, por isso, era necessário defender a sua produção no Kuwait, após a invasão iraquiana. Foi bem sucedido, quer política quer militarmente.

A Amazónia é um bem comum.

Há dias Trump referiu que tinha intenção de comprar a Gronelândia. Se as nações, hoje em dia, tratam de real estate, por que não a Amazónia?!

Trump e a pandilha do Trinitá estão alinhados e dizem que as alterações climáticas são fake news; por isso ele nunca compraria a floresta e não nomeava CEO Al Gore.

Sobre o autor:
Consultor de marketing e comunicação, piloto de automóveis, aventureiro, rendido à vida. Pode encontrar-me no mundo, ou no rebelomartinsaventura.blogspot.com ou ainda em instagram.com/rebelomartins. Seja bem-vindo!

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