Revista Rua

2019-09-10T18:25:18+01:00 Descobrir, Viagens

À descoberta da Ria Formosa

É uma das maravilhas naturais do nosso país e uma área protegida para diversas espécies, incluindo animais em vias de extinção.
Fotografia Armin Kerstholt/Shutterstock
Andreia Filipa Ferreira20 Agosto, 2019
À descoberta da Ria Formosa
É uma das maravilhas naturais do nosso país e uma área protegida para diversas espécies, incluindo animais em vias de extinção.

É certo e sabido que a região algarvia é dona de praias deslumbrantes, cenários pintados por falésias e arribas, águas convidativas… No entanto, o Algarve é muito mais do que esta descrição que acabamos de fazer. Sabia que é nesta região que fica uma das mais bonitas riquezas naturais do nosso país? Seja bem-vindo à Ria Formosa!

Considerada uma das Sete Maravilhas Naturais de Portugal, a Ria Formosa é um sapal (designação dada às formações aluvionares periodicamente alagadas pela água salobra e ocupadas por vegetação halofítica) que se estende pelos concelhos algarvios de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António. São cerca de 18.400 hectares ao longo de 60 km desde a praia do Ancão até à praia da Manta Rota, num cenário de beleza natural extraordinário. Destacando-se como uma importante área protegida, com uma variedade de habitats, a Ria Formosa tem estatuto de Parque Natural desde 1987 (anteriormente era Reserva Natural) e é um dos locais de visita indispensável numa passagem pelo Sul de Portugal.

Com um sistema lagunar único e em permanente mudança, graças aos ventos, correntes e marés contínuas, o Parque Natural da Ria Formosa encontra-se protegido do mar por cinco ilhas-barreira e duas penínsulas: a península do Ancão (que inclui a incorretamente chamada Ilha de Faro), a Ilha da Barreta ou Deserta, a Ilha da Culatra (onde se encontra o Farol de Sta Maria), a Ilha da Armona, a Ilha de Tavira, a Ilha de Cabanas e, finalmente, a península de Cacela.

Fotografia Tamas Gabor/Shutterstock

Reconhecida internacionalmente pela sua paisagem e riqueza de fauna e flora, com ilhas-barreira, sapais, bancos de areia e de vasa, dunas, salinas, lagoas de água doce e salobra, cursos de água, áreas agrícolas e matas, a Ria Formosa é um autêntico paraíso. Não só para os amantes de observação de aves, como também para os aficionados do caiaque ou passeios de barco.

Na verdade, a diversidade animal que tem a Ria Formosa como habitat é surpreendente. Esta área protegida é uma das mais importantes para as aves aquáticas, contando com 20 mil aves aquáticas, de forma regular, durante a época de invernada – aliás, a Ria é reconhecida como um ponto de passagem para as migrações entre o Norte da Europa e África. A Galinha-sultana, por exemplo, é um dos animais que podem aqui ser encontrados e daí ter sido escolhido como o símbolo do Parque Natural. Mas não podemos esquecer de mencionar os emblemáticos flamingos, que costumam repousar nestas águas. Também nesta zona podem ser vistas algumas espécies em vias de extinção, como o camaleão que, em Portugal, apenas existe em pinhais e dunas do litoral sotavento do Algarve, o cavalo-marinho e o Cão de Água Português. Já os moluscos e bivalves como a amêijoa e a ostra têm aqui um importante viveiro natural – e garantem um igualmente importante rendimento económico para a região, dando azo a 80% do total de exportação do país. Na realidade, a pesca, a extração de sal e a apanha de moluscos e bivalves são as atividades tradicionais levadas a cabo pela população vizinha da Ria – reconhecida pela sua arte e pela sua mão para as especialidades gastronómicas, como a sopa de peixe ou o arroz de lingueirão, que são um dos maiores ex-libris da Ria Formosa.

Cacela Velha | Fotografia Stefano Valeri/Shutterstock

Numa visita à Ria Formosa, que é atrativa durante todo o ano (apesar de a época preferencial para apreciar a fauna no seu esplendor ser o outono e o inverno e a época para observar o voo das aves ser a primavera), não tenha pressas e aproveite para desfrutar, num passeio pedestre, de bicicleta ou até de barco, as maravilhas que a natureza oferece.

Aproveitando a viagem, não deixe de incluir no seu roteiro:
– O núcleo histórico de Cacela Velha, no concelho de Vila Real de Santo António, especialmente a fortaleza que permite observar os vários tons de azul: do céu, da ria e do mar;
– A Torre d’Ares ou Aires, na freguesia de Luz, em Tavira;
– O Forte do Rato, na freguesia de Santa Maria, em Tavira;
– O Forte de São João da Barra ou da Conceição, na freguesia de Cabanas, em Tavira;
– O Centro de Educação Ambiental de Marim, em Quelfes, no concelho de Olhão;
– A Quinta do Ludo, um ecossistema que reúne espaços florestais, agrícolas, ribeirinhos e marinhos localizado nos concelhos de Faro e Loulé;
– O Trilho de S. Lourenço, no concelho de Loulé;
– Os areais pouco frequentados das Ilhas de Faro, Barreta, Culatra, Armona e Tavira.

Partilhar Artigo: