Revista Rua

2019-02-05T15:24:06+00:00 Bússola, Viagens

A grande viagem de Tiago Fernandes

Uma odisseia pelo continente africano
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira5 Fevereiro, 2019
A grande viagem de Tiago Fernandes
Uma odisseia pelo continente africano

Tiago Fernandes é arqueólogo e sempre quis que a sua História contasse uma aventura em viagem, uma “grande viagem”. Com 27 anos, o jovem de Oliveira do Hospital nunca procurou um emprego fixo, à espera que nada lhe impedisse de embarcar na tal “grande viagem” que sempre sonhou. No ano passado, Tiago finalmente conseguiu cumprir o seu objetivo e, a bordo de um jipe, passou fronteiras e alcançou África.  “O objetivo era descer o continente africano pelo lado do Atlântico e, depois de chegar ao seu extremo, no Cabo da Boa Esperança, subir pela costa do Índico. Cada país iria ser um novo desafio e não tencionava abandonar o meu fiel companheiro da marca Land Rover”, conta-nos o jovem aventureiro. Destacando a burocracia como o entrave maior desta viagem de carro, especialmente devido às diferentes fronteiras em África, Tiago diz-nos que as histórias e experiências que angariou pelo caminho se exaltam em comparação com as partes “mais complicadas”. “Em África, tudo é mais difícil e complicado do que parece inicialmente… e quando não é, eles tratam de complicar!”, confessa.

Com o jipe como companheiro de viagem, Tiago foi desvendando culturas, línguas, hábitos e costumes. “Dormia no carro ou em hotéis muito baratos, comia nos restaurantes locais ou até junto à estrada com os nativos. Os luxos ficaram todos na Europa”, graceja o viajante.

À medida que os quilómetros iam distanciando Tiago de Portugal, o calor tornava-se cada vez mais um inimigo feroz, mas as paisagens traziam a tranquilidade ao espírito e a ideia de aventura ganhava nova pujança, numa verdadeira odisseia por terras africanas. “O sorriso das pessoas, a alegria das crianças, a forma como o povo africano vive é contagiante. Bastava parar numa pequena aldeia e o contacto com as pessoas – nem que por breves instantes – ensinava-nos que podíamos ser muito felizes com muito pouco. E nós, na Europa, estamos longe de ser verdadeiramente felizes!”, afirma Tiago.

Guardando vários momentos especiais na sua memória, Tiago diz-nos que esta aventura é algo que nunca esquecerá, assumindo que África tem uma magia peculiar. “Como é óbvio, qualquer viagem destas traz verdadeiros momentos de reflexão pessoal. Um dos muitos episódios que me marcou foi quando, no Congo Brazzaville, visitei umas cascatas no meio da selva. Andei quilómetros a pé rumo ao interior da floresta, pois nem o 4×4 conseguia aceder a tais locais, debaixo de um calor insuportável. Ao regressar ao carro, a menos de um quilómetro do mesmo, encontrei uma criança de três ou quatro anos que se tinha afastado da aldeia. Sem me dirigir a palavra, agarrou-me no dedo indicador e levou-me até ao meu jipe. A sua intenção era ajudar-me a chegar ao meu Land Rover e essa imagem jamais esquecerei!”, recorda Tiago.

Depois desta aventura, em diferentes países, Tiago diz que não tem nenhuma intenção de se fechar num gabinete, como vários colegas arqueólogos. “Agora gostava de continuar a viajar. Se até então tinha tentado fugir a uma vida com horários e rotinas, agora não faz qualquer sentido fechar-me num gabinete como tantos outros arqueólogos. África ensinou-me mesmo isso: se, por um lado, penso até fazer vida como viajante, ou até escrever um livro; por outro, aprendi que podemos ser felizes com muito pouco e viver a vida com uma intensidade diferente – e com objetivos bem diferentes dos da maioria dos jovens da minha idade!”, assegura este jovem viajante que se apaixonou pelo continente africano.

Descubra as aventuras de Tiago na sua página Tiago pelo Mundo.

Partilhar Artigo: