Revista Rua

2019-08-14T14:47:05+00:00 Cinema, Cultura

A história de Variações chega aos cinemas a 22 de agosto

O filme de João Maia com Sérgio Praia no papel principal conta a história do músico "inventor da pop portuguesa" reconhecido pelo visual excêntrico.
António Variações ©D.R.
Redação
Redação14 Agosto, 2019
A história de Variações chega aos cinemas a 22 de agosto
O filme de João Maia com Sérgio Praia no papel principal conta a história do músico "inventor da pop portuguesa" reconhecido pelo visual excêntrico.

No ano em que se celebra o 35º aniversário da morte de António Variações, o chamado inventor da pop portuguesa, o realizador João Maia apresenta Variações, uma biopic do músico português. Interpretado pelo ator Sérgio Praia, Variações chega às salas de cinema a 22 de agosto, depois de uma longa espera.

Sérgio Praia interpretando António Variações no filme de João Maia ©D.R.

António Joaquim Rodrigues Ribeiro, mais conhecido por António Variações, nasceu na pequena aldeia de Pilar, na freguesia de Fiscal, no concelho de Amares (Braga) a 3 de dezembro de 1944. Filho de camponeses, António Variações – ou Tonito, como a mãe, Deolinda de Jesus Rodrigues,  o chamava – tinha 11 irmãos e irmãs, apesar de dois terem falecido muito novos. Com uma infância que o apresentou à música, uma vez que o seu pai, Jaime Ribeiro, tocava cavaquinho e acordeão, António Variações frequentava as romarias locais, uma fonte de inspiração possível.

Aos 11 anos, Tonito teve o seu primeiro emprego e, aos 12, viajou para Lisboa, onde trabalhou como aprendiz de escritório, barbeiro, balconista e caixeiro. Na sua canção “Olhei Para Trás”, do álbum Dar & Receber, António Variações conta o que sentiu ao abandonar a sua aldeia natal e fala do impacto da cidade grande, Lisboa.

Entre empregos, Variações cumpriu o seu serviço militar em Angola, tendo ainda passado estrangeiro, nomeadamente Londres, em 1975 e Amesterdão, meses depois, com a intenção de conhecer um novo mundo. Aliás, foi em Amesterdão que Variações aprendeu a profissão de barbeiro, trabalho que abraçou quando voltou a Lisboa, abrindo até uma barbearia própria a que deu o nome de É pró menino e prá menina, no número 70 da rua São José.

Rapidamente, a vida de Variações começou a mudar, cativando ouvintes graças ao seu estilo musical (que combinava rock, pop, blues ou fado) e sobretudo graças ao seu visual excêntrico. Em 1978, assinou um contrato com a editora Valentim de Carvalho e foi na discoteca Trumps ou no Rock Rendez-Vous que Variações começou a apresentar-se ao vivo. No entanto, a fama nacional surge após Variações marcar presença num programa de televisão apresentado por Júlio Isidro, chamado O Passeio dos Alegres. Ainda sem música editada, Variações participou no programa e rapidamente a sua música e o seu estilo inconfundível chegaram longe – claro que o facto de ter atirado doces Smarties à audiência ajudou a populariza-lo.

“Variações é uma palavra que sugere elasticidade, liberdade. E é exactamente isso que eu sou e que faço no campo da música. Aquilo que canto é heterogéneo. Não quero enveredar por um estilo. Não sou limitado. Tenho a preocupação de fazer coisas de vários estilos”, disse António Variações numa entrevista, explicando o porquê do nome ‘Variações’.

Anjo da Guarda, o seu primeiro EP gravado em 1983, apresentava dez faixas que incluíam temas como “É p´ra Amanhã” e “O Corpo É que Paga”, dois êxitos ainda nos dias de hoje. Uma curiosidade: durante a gravação deste EP, o produtor perguntou a Variações como é que ele queria que o álbum soasse. Ele respondeu: “Entre Nova Iorque e a Sé de Braga”. No entanto, convém recordar que os primeiros singles gravados por Variações foram “Estou Além” e “Povo que Lavas no Rio”, uma canção de Amália Rodrigues que, a par da sua crush americana Marilyn Monroe, Variações adorava.

Em 1984, Variações lança o seu segundo trabalho, chamado Dar e Receber. Conseguiu dar alguns concertos, mas a doença começava a manifestar-se. Na altura em que a “Canção de Engate” invade as rádios, António Variações é internado no Hospital Pulido Valente, com um problema brônquico-asmático e, mais tarde, é transferido para a Clínica da Cruz Vermelha, onde faleceu, a 13 de junho de 1984, vítima de uma broncopneumonia, causada pelo vírus HIV, um vírus ainda pouco conhecido na altura.

António Variações está sepultado na sua terra natal, em Fiscal, Amares.

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