Revista Rua

2019-01-29T10:34:16+00:00 Opinião

A história enigmática do Castelo de Lanhoso

Património
Natália Correlo
Natália Correlo
29 Janeiro, 2019
A história enigmática do Castelo de Lanhoso

Posicionado no cimo de um afloramento granítico situado no Monte de Lanhoso (também conhecido por monte do Pilar), o Castelo de Lanhoso, classificado Monumento Nacional pelo Decreto de 1910, controla os vales dos rios Ave e Cávado e constitui-se como “uma das principais referências culturais e patrimoniais do concelho da Póvoa de Lanhoso”.

Envolta nalgum mistério, esta edificação medieval assistiu por várias vezes ao desenrolar da história de Portugal. Foi palco, aliás, de várias tramas monárquicas envolvendo D. Teresa, a mãe do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Todavia, circunstâncias igualmente intrigantes são aquelas respeitantes à sua própria localização e fundação. As hipóteses que se levantam para explicar o porquê do Castelo ter sido construído no sítio onde se encontra são várias e a responsabilidade da sua construção é incerta.

Quanto à escolha do local, especula-se que a fixação dum povoado fortificado por povos pré-romanos nesse espaço possa ter tido alguma influência, contudo, considerando a importância que as vias tinham enquanto meios de ação defensiva para os povos até cerca do século XVIII, é mais provável que a obra tenha sido determinada por este facto.

©CM Póvoa de Lanhoso

Ainda assim, Artur Norton sugere que “o esforço económico necessário a esta edificação” pode ser indício de “imperativos mais fortes”, nomeadamente “os de ordem estratégica, e não somente a proteção das vias ou possíveis penetrações guerreiras adversárias”. Por isso, a questão que ele levanta é: “seria pois o encastelamento, uma nova perspetiva de organização sócio administrativa?”

Até ao momento, não existe uma resposta definitiva e o mesmo se verifica relativamente à autoria da construção.

Em consequência da inscrição “CRASTINUS AEDIFICAVIT” numa das pedras da muralha, calcula-se que o Castelo tenha sido fundado em 75 a.C. e aponta-se Crástino, um tribuno legionário do império romano, como o responsável pela edificação das bases do castelo no século 1 a.C..

Todavia, por consequência duma outra epígrafe que se afigura na muralha da porta de acesso à praça de armas do Castelo, Ferreira de Almeida acredita que uma parte substancial do monumento tenha sido construída pelo Bispo D. Pedro de Braga, “conforme garante não só o aspeto pré-românico do seu aparelho como também uma inscrição que refere o seu nome”.

Curiosamente, esta mesma inscrição induz outros autores a designar outras personalidades. O Pe. Arlindo da Cunha, por exemplo, em virtude da interpretação que faz da inscrição, atribui a responsabilidade da edificação do Castelo a D. Teresa.

 

Referências:

“Castelo de Lanhoso”. Póvoa de Lanhoso Município
Freitas, Paulo. O Castelo de Lanhoso. Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, 2012.

Nota sobre a autora
Natália Correlo é uma freelance writer formada em Relações Internacionais.
Podem encontrá-la no Linkedin.

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