Revista Rua

2020-03-10T11:57:25+00:00 Cultura, Fotografia

A metamorfose dos sonhos de José Pinheiro

Nuno Sampaio
Nuno Sampaio9 Março, 2020
A metamorfose dos sonhos de José Pinheiro

O mundo do José é colorido e cheio de humor, onde a realidade se cruza com o lado onírico da vida. São autorretratos de fora para dentro, representativos da inexistência das coisas do mundo, de um mundo apenas dele partilhado com todos.

Fotografia: o_pinheirojose

A fotografia e o design cada vez mais respondem a realidades emergentes idênticas: criatividade, imaginação, oportunidade. Acha que o seu trabalho define melhor uma disciplina do que outra?

Na minha opinião, acho que as duas disciplinas se complementam mutuamente e que a sua junção faz com que a mensagem e o resultado final sejam ainda melhor, indo buscar o melhor dos dois “mundos”. Pois ambos são uma forma de exprimir a criatividade e a imaginação. No meu caso, é o gosto pela fotografia aliado ao design, que foi o que estudei.  

Ao visitarmos a sua página notámos que nem sempre a fotografia esteve de mãos dadas com o design de uma forma tão evidente. Podemos reparar que as suas imagens mais antigas revelam uma fotografia de um modo mais cru e puro. Quando e como surgiu esta união?

Ao percorrer a galeria, desde a minha adesão ao Instagram até ao presente, existe realmente uma mudança a nível conceptual e estética, mas mesmo assim se encontram coisas em comum, como o minimalismo e as cores menos saturadas. Esta união surgiu por dois motivos: um deles foi a minha paixão pela ilustração e a possibilidade de poder trazer isso para a minha galeria de uma forma diferente do habitual. A outra razão foi a necessidade de me reinventar e explorar coisas novas, sendo um desafio constante até hoje. Com essa busca consegui chegar a um mundo que gosto muito, que é a união do mundo real e da fantasia, criar histórias, que sempre foi algo que gostei muito e me dá muito prazer.

O seu trabalho respira uma ideia muito conceptual e também revela um lado humorístico com uma cadência estruturada. Usa o humor como forma de comunicação?

Por vezes uso um lado mais humorístico, mas um tipo diferente de humor, mais soft. Por vezes, o humor é um ótimo aliado à comunicação, que serve de ferramenta para passar melhor a mensagem e fazer com que quem vê os meus trabalhos se divirta tal como eu na conceção de cada um.

Considera a cor como um “objeto” tridimensional que define a sua composição e conceção de imagem?

Em cada composição, a cor é um dos aspetos fundamentais e é pensada sempre na fase inicial, desde a cor das roupas, dos elementos até o fundo da imagem, de forma a que fique tudo com a mesma paleta de cores, havendo assim uma ligação entre elas. Uso muito os tons pastel e suaves, que acaba por definir e ser parte da minha estética, sendo um dos elementos de fácil identificação num trabalho meu.

Onde é que o sonho encontra a realidade e de que forma a fantasia personifica as suas imagens?

Acho que a fantasia pode ser uma realidade constante no dia a dia de cada um, quase um escape. No meu caso, faço esse exercício e transformo em imagens. Quem nunca deu por si a levantar da realidade e a voar para um mundo de fantasia? É muito isso que faço nas minhas imagens, criar a ponte entre a realidade e a fantasia e acrescentar àquilo que é real, e por vezes banal, um pouco de fantasia, porque sonhar nunca fez mal a ninguém!

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