Revista Rua

2019-01-31T11:09:13+00:00 Cultura, Opinião, Teatro

A Pior Comédia do Mundo: vale tanto a pena ver bom teatro!

Teatro
Cláudia Paiva Silva
Cláudia Paiva Silva
31 Janeiro, 2019
A Pior Comédia do Mundo: vale tanto a pena ver bom teatro!

A Pior Comédia do Mundo, ou como fazer um público rir sem parar durante duas horas em belíssimas salas de teatro. Em estreia no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, de 31 janeiro a 24 fevereiro.

Fotografia ©Filipe Ferreira

Há muito que não se via uma peça de teatro assim, onde é possível manter uma casa cheia de gente, em noites de semana frias de inverno, durante quase duas horas e pô-las todas a chorar. A rir. Chorar a rir!

Estreada pela primeira vez em 1982, e escrita por Michael Frayn, foi posteriormente nomeada para o Tony de Melhor Espetáculo de Comédia e recebeu os prémios Evening Standard e Olivier, na mesma categoria, entre outras distinções. A Pior Comédia do Mundo poderia assim, perfeitamente bem, tornar-se na melhor comédia do mundo.

Imaginemos então um ensaio geral onde nada corre bem, onde atores não sabem totalmente os textos, onde cada um revela uma personalidade distinta com tiques e manias próprias, mas facilmente identificáveis pelos mais atentos (e não só), onde se jogam os melodramas pessoais e os medos de palco, mas onde tudo também se passa num ritmo coreográfico incrível, onde tudo está coordenado, mesmo que para esses atores assim não pareça. Temos a possibilidade enquanto espectadores/observadores de assistirmos primeiramente a esse ensaio geral e, num segundo ato, verificarmos os bastidores dessa mesma encenação, pautada no tempo como se tudo fosse feito a compasso ritmado (abre porta, fecha porta, sobe escada, desce escada). A diferença é que esses bastidores já revelam o espelho de uma tournée desgastante a todos os níveis para a companhia em palco, onde os momentos de alucinação pessoal se tornam em momentos ainda mais hilariantes e caricatos do que o que tinha sido aligeirado no tal não-ensaio geral.

E quando pensávamos que já estava tudo visto, quando o copo já ultrapassa o cheio e transborda tudo, ainda nos é apresentada uma última representação, completamente fora do planeado, do expectável, com os tempos a serem outros, mas da mesma forma mecânica, a sucederem-se ininterruptamente, em pedaços de quase esquizofrenia generalizada em palco, que mais uma vez levam o espectador às gargalhadas.

Fotografia ©Filipe Ferreira

Contar mais do que isto seria entrar em detalhes e estragar toda a graça que realmente esta “pior” comédia possui. Escrever mais do que o que já foi, era apagar a chama que alimenta quem ainda gosta de ir ao teatro, de ver as cadeiras ficarem cheias, de esperar aqueles minutos que antecedem a subida do pano. E vale tanto a pena ver bom teatro!

FICHA ARTÍSTICA

Texto Michael Frayn
Encenação Fernando Gomes
Tradução Ana Sampaio
Cenografia Eric da Costa
Música Filipe Melo e Nuno Rafael
Figurinos José António Tenente
Desenho de Luz Luís Duarte
Assistente de encenação Sónia Aragão
Apoio a ensaios Nélson Queirós
Construção de cenário Leonel & Bicho
Construção de adereços Virgínia Rico
Co-produção Força de Produção e Teatro da Trindade INATEL

Com Ana Cloe, Cristovão Campos, Elsa Galvão, Fernando Gomes, Inês Aires Pereira, Jorge Mourato, José Pedro Gomes, Paula Só e Samuel Alves

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