Revista Rua

2020-01-16T12:16:46+00:00 Opinião

A segunda volta

Política
João Rebelo Martins
João Rebelo Martins
16 Janeiro, 2020
A segunda volta
©D.R.

“Foram mais os militantes que votaram na mudança do que na continuidade”. Se se esquecer a palavra “militantes”, parece António Costa a apresentar a primeira ideia da Geringonça e a estender o tapete ao Bloco de Esquerda e ao PC. Uma coligação negativa, dizia-se na altura, que não respeitava o vencedor das eleições.

Uma coligação de tomar o poder, pelo poder, sem nenhuma ideia em concreto que não fosse, única e exclusivamente, derrubar o inimigo; como se de uma guerra se tratasse.

À lá Costa foi a mesma ideia que Luís Montenegro teve – e que passou no seu discurso na noite de Sábado -, ao dizer que a maioria dos militantes votou com ele e Miguel Pinto Luz, deixando fragilizado Rui Rio.

É uma forma de fazer política que eu não aprecio. Gosto de combates de boxe como o de Ali Vs Foreman, no Zaire, em 74, porque há um bailado entre os dois; não gosto dos combates do género Tyson Vs Holyfield porque era força bruta e valeu tudo, até arrancar uma orelha.

Luís Montenegro e o grupo que se acantona nas suas ideias não está preocupado com o país nem com o PSD. Estão preocupados em controlar o aparelho do partido com vista às listas de qualquer coisa e aos cargos por nomeação que se lhes segue. É a conspurcação da nobre política por parte de quem pensa o exercício de cargos públicos como forma de retirar dividendos pessoais.

Há um ano foi inapropriado na sua declaração, em pose de estadista, ao apresentar meia dúzia de medidas para o país, tentando, com isso, dar legitimidade ao seu acto junto dos potenciais eleitores e fazendo-os esquecer a traição que cometeu. Inoportuno porque o partido já preparava as eleições e necessitava de estabilidade.

Há dias disse “os últimos dois anos tiveram de tudo, mas não tiveram deslealdade da minha parte”. Really?!

Na primeira volta, a diferença de votos de Montenegro para Rio foram 2500. Mais ou menos a mesma coisa dos votos de Pinto Luz; e, no Sábado, perante 50 militantes que estavam no hotel da campanha, Montenegro piscou o olho ao autarca de Cascais dizendo que conta com ele em caso de vitória.

Piscou também o olho a Miguel Relvas, que veio logo, apressado, dizer que transferia o apoio que deu a Pinto Luz para Montenegro. Que estranho! Quem pode levar a sério quem tem Relvas na lista de apoio?

E depois houve Rio: sorridente, a falar de forma simples e clara, para os militantes e o país. Por 6 décimas, 344 votos, que o actual líder não pode cantar vitória – os militantes fizeram-no a plenos pulmões.

No próximo Sábado, o partido vai novamente a eleições. Eu irei, mais uma vez, votar em Rui Rio. Espero que ganhe; sei que vai ganhar.

Nota: Este artigo não foi escrito segundo o novo acordo ortográfico.

Sobre o autor:
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