Revista Rua

2019-04-24T16:53:00+00:00 Histórias

Alfredo Cunha: “Para mim, 25 de Abril de 1974 foi ontem. Foi o dia mais feliz da minha vida!”

Foi o fotógrafo que viu o 25 de Abril de perto. Agora, 45 anos depois, recordamos o olhar de Alfredo Cunha.
Alfredo Cunha
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira24 Abril, 2019
Alfredo Cunha: “Para mim, 25 de Abril de 1974 foi ontem. Foi o dia mais feliz da minha vida!”
Foi o fotógrafo que viu o 25 de Abril de perto. Agora, 45 anos depois, recordamos o olhar de Alfredo Cunha.

O seu olhar esconde-se por detrás da câmara fotográfica que o acompanha para onde quer que vá. Natural de Celorico da Beira, Alfredo Cunha é uma das poucas pessoas que, quando lhe perguntam onde esteve no dia 25 de Abril de 1974, pode responder com toda a perspicácia: no centro da Revolução dos Cravos.

Salgueiro Maia, fotografado por Alfredo Cunha a 25 de Abril de 1974.

Com o seu olhar de miúdo de 20 anos, o fotógrafo que guardou o Minho no coração, mesmo que a carreira o tenha levado a inúmeros horizontes, eternizou um marco histórico através de fotografias que, ainda hoje, são bem conhecidas do público geral: o olhar tranquilo de Salgueiro Maia, a atitude pacífica dos militares, a posição das armas e dos tanques, que repousavam no Terreiro do Paço. “Daquele dia, não guardo memórias porque, para mim, 25 de Abril de 1974 foi ontem. É uma sensação estranha que eu tenho, mas uma sensação mesmo real! Foi o dia mais feliz da minha vida! Era muito novinho, mas já tinha muita consciência política. Tive noção daquilo que estava a acontecer, mas não imaginava a dimensão histórica que, por exemplo, Salgueiro Maia ia tomar”, conta-nos Alfredo Cunha.

Com quase 50 anos de carreira, Alfredo recorda os tempos em que, durante a adolescência, odiava fotografar. “Não queria ser fotógrafo, mas o meu pai não me deixou alternativa. Hoje agradeço-lhe”, afirma, acrescentando: “De repente, as coisas começaram a acontecer a um ritmo alucinante e, às tantas, os acontecimentos tomaram conta de mim. A única coisa que eu tinha consciência era de que tinha mesmo de fotografar”. A preto e branco, sempre.

Este artigo foi originalmente publicado na edição #14 da Revista RUA, datada de abril de 2017.

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