Revista Rua

2020-06-26T11:59:49+00:00 Histórias

Amália Rodrigues, um ídolo à moda antiga

No início das comemorações do centenário de nascimento de Amália Rodrigues, deixámos aqui algumas curiosidades que acompanharam a brilhante fadista portuguesa.
Amália Rodrigues/© D.R.
Redação
Redação26 Junho, 2020
Amália Rodrigues, um ídolo à moda antiga
No início das comemorações do centenário de nascimento de Amália Rodrigues, deixámos aqui algumas curiosidades que acompanharam a brilhante fadista portuguesa.

Considerada uma das maiores embaixadoras de Portugal, Amália Rodrigues  tornou-se conhecida mundialmente como a Rainha do Fado e foi  uma cantora, atriz e fadista, geralmente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os portugueses ilustres.

No início das comemorações do centenário de nascimento de Amália Rodrigues, deixámos aqui algumas curiosidades que acompanharam a brilhante fadista portuguesa.

© D.R.

Os poetas e Amália

Uma das maiores e mais marcantes contribuições de Amália para história do Fado foi a novidade que introduziu de cantar poemas de grandes autores portugueses consagrados, como Luís de Camões ou as cantigas e trovas de D. Dinis. Teve ainda ao serviço da sua voz a pena de alguns dos maiores poetas e letristas seus contemporâneos, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, José Carlos Ary dos Santos, Alexandre O’Neill ou Manuel Alegre.

A mais internacional e poliglota

Amália apareceu em vários programas de televisão pelo mundo fora, onde não só cantava fados e outras músicas de tradição popular portuguesa, como ainda canções contemporâneas (iniciando o chamado fado-canção) e mesmo alguma música de origem estrangeira (francesa, americana, espanhola, italiana, mexicana e brasileira). Amália Rodrigues falava e cantava em castelhano, galego, francês, italiano e inglês.

A primeira internacionalização

Em 1943 iniciou sua carreira internacional com a atuação no Teatro Real de Madrid, a convite do embaixador Pedro Teotónio Pereira.

Estreia no cinema

Em 1947 estreia-se no cinema com o filme Capas Negras, o filme mais visto em Portugal até então, ficando 22 semanas em exibição. Um segundo filme, do mesmo ano, é Fado, História de uma Cantadeira que é outro grande sucesso.

Amália capa da revista Billboard

Em 1952, a canção “Coimbra“, atingiu a segunda posição da tabela Billboard Hot 100, da revista norte-americana Billboard . Em Setembro do mesmo ano Amália teve a sua estreia em Nova Iorque no palco do “La Vie en Rose”, onde ficou 14 semanas em cartaz. Ainda nos Estados Unidos, em 1953, canta pela primeira vez na televisão (na NBC), no programa de Eddie Fisher patrocinado pela Coca-Cola, – que teve que beber e de que não gostara nada.  Em maio de 1954  Amália foi capa da revista Billboard, pois o álbum Amália in Fado & Flamenco atingiu a primeira posição entre os mais vendidos nos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, atou no Radio City Music Hall, em Nova Iorque, durante quatro meses.

Ligações ao Estado Novo

Na década de 1970, embora estivesse no auge da sua fama internacional, a sua imagem em Portugal foi afetada por falsos rumores de que tinha ligações com o regime do Estado Novo, de António de Oliveira Salazar. Na verdade, o antigo regime censurou muitos de seus fados. No entanto Amália cantou o hino da Revolução dos Cravos, a canção “Grândola Vila Morena” e deu dinheiro, clandestinamente, para o Partido Comunista Português  reconquistando assim a sua popularidade.

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A censura

O seu “Fado de Peniche” foi proibido por ser considerado um hino aos que se encontravam presos em Peniche. Amália escolhe também um poema de Pedro Homem de Mello, “Povo que lavas no rio”, que ganha uma dimensão política. Cantou ainda a famosa canção “Barco Negro“, que no original era “Mãe Preta” (dos compositores brasileiros Caco Velho e Piratini) com os conhecidos versos: Enquanto a chibata batia no seu amor/Mãe preta embalava o filho branco do Senhor. A letra foi proibida pela censura em Portugal. O poeta David Mourão-Ferreira escreveu outra, um belo poema de amor – “Barco Negro”. Amália gravou a versão original em 1978, após a revolução de 25 de Abril de 1974.

Amália casa-se pela segunda vez

Em 1961, Amália casou-se, no Rio de Janeiro, com o engenheiro César Seabra, e chegou a anunciar que iria abandonar a carreira artística e viver no Brasil. Um ano depois, contudo, Amália regressou a Lisboa, onde viveria com o marido até ao falecimento deste, em 1997. As ligações de Amália com o Brasil sempre foram muito estreitas e, por diversas vezes, a cantora portuguesa foi ao Brasil em turné, sempre com enorme sucesso.

Mais de 30 milhões de cópias vendidas

Até à sua morte, em outubro de 1999, 170 álbuns haviam sido editados com seu nome em 30 países, vendendo mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo.

O último álbum

O seu último álbum, Segredo, lançado em 1997, o qual reunia gravações inéditas feitas entre 1965 e 1975, e o lançamento de um livro de poesias, Versos, marcaram as últimas manifestações de Amália no cenário artístico.

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