Revista Rua

2022-07-12T10:27:12+01:00 Cultura, Pintura, Radar

Ana Luísa Capelo, uma visão de Humanidade

A Revista RUA falou com a artista e arquiteta madeirense, para melhor conhecer este seu outro lado criativo.
LUÍSA CAPELO ©Aly Freitas
Cláudia Paiva Silva12 Julho, 2022

Ana Luísa Capelo, uma visão de Humanidade

A Revista RUA falou com a artista e arquiteta madeirense, para melhor conhecer este seu outro lado criativo.

Após uma primeira experiência de exposição no espaço Cultura no Centro, em maio de 2021, projeto desenvolvido para apoio às artes e criadores culturais nacionais, Ana Luísa Capelo, vê agora a sua obra divulgada no Museu Casa da Luz, no Funchal.

In the Sense of Fantasy (Fairytale) trata-se de um conjunto de pinturas e desenhos que pretende transportar o visitante a um mundo paralelo e, tal como o título indica, mágico, onde possa ser o próprio protagonista do que vai observando.

A Revista RUA falou com a artista e arquiteta madeirense, para melhor conhecer este seu outro lado criativo.

Nesta exposição aborda a expressão humana. A mesma tem como objetivo que cada visitante crie em cada imagem uma história onde se possa rever e que possa viver no imaginário. Como é que a Luísa vê, atualmente, no contexto em que estamos, a humanidade? O que a fascina, apesar de toda a comoção em que vivemos?

Vivemos hoje tempos de grandes mudanças: numa era da informação, passamos a viver num mundo ligado em rede onde as informações são trocadas de forma instantânea e imediata. As barreiras físicas e territoriais desvaneceram-se num mundo globalizado; Recentemente passámos por uma pandemia que, para além de uma ameaça à saúde pública, foi capaz de ‘paralizar’ o mundo;  Vivendo ainda essa pandemia, somos assombrados por uma guerra com inevitáveis consequências para todos nós. In the sense of Fantasy – Fairytale, embora não nascendo nem tendo por base este contexto, acaba sem querer e apenas por mero acaso ativar o mundo de imaginário e de sonho que é transversal à humanidade e que grande parte das vezes, se não sempre, são a base para a realização do ‘impossível’. A resiliência, a capacidade de adaptação, a criatividade são o que me fascina.

LUÍSA CAPELO ©Aly Freitas

Na sua profissão, nem sempre é hábito encontrar pintores – a arquitetura quer-se em linhas retas, claras, embora possa ser visionária e também sonhadora ou futurista. O que a levou a pintar em primeiro lugar?

Muito antes de pintar em telas com tintas acrílicas, o desenho com lápis de cor e cores de feltro estiveram sempre muito presentes na minha infância. Desde muito cedo que desenhava e reproduzia aquilo que via de uma forma ainda muito “primária”, intuitiva, mas muito presente. Nestes últimos anos, mais do que uma ferramenta de trabalho, passou a ser também uma forma de expressão. Encontrei na pintura a forma de exprimir o meu “Eu”, quem sou, aquilo que sinto, a forma como leio o mundo através do meu traço, da escolha de cores de forma intuitiva, de movimentos fluídos e rápidos,  ou de linhas mais ou menos rígidas que gravam na tela a “alma”. Sinto que existe uma parte sensorial em mim, um mundo de sonho muito meu, que se manifesta e que encontra a sua realização através da pintura. Se para algumas pessoas a palavra escrita é a forma de comunicar, para mim o mundo criativo e a pintura talvez sejam a forma mais transparente, intuitiva, imediata e fácil de me dar a conhecer. Há quase que um jogo, uma “provocação” entre o meu lado sensorial, a sua materialização nas telas e a reação que provocam. É esta relação, esta simbiose que me faz pintar.

No seu currículo, verificamos que estudou em Coimbra e, derivado da profissão, teve oportunidade de viajar até outros continentes. Que referências tem desses outros países e culturas?

De todas as viagens que fiz, Salvador da Bahia e Barcelona (viagens de Faculdade), Colômbia (viagem de trabalho) e Milão (onde expus pela primeira vez um quadro meu e em que pela primeira vez viajei sozinha) foram sem dúvida as mais marcantes. Acredito que tudo aquilo que vemos molda também a nossa personalidade. Salvador da Bahia e Coimbra deram-me uma liberdade simples e descomprometida de pensar e de expressar; deram-me as cores vibrantes. Barcelona é um dos maiores centros culturais do mundo. Há, sem dúvida, nos meus trabalhos, reflexo de tudo o que experiencio, de todas as viagens, memórias, pessoas e há certamente muito mais do que isto. Há também influência das pequenas coisas de todos os dias – uma contínua construção.

LUÍSA CAPELO ©Aly Freitas

Quais os seus próximos objetivos em termos de criação?

É difícil responder a esta pergunta. Continuar a pintar fará certamente parte dos meus objetivos.  As exposições e os temas têm aparecido naturalmente, quando sinto que é altura ou quando surge um convite. É um processo muito mais intuitivo e inesperado do que se possa imaginar. Quase tão inesperado como o que se encontra nestas telas. Vai-se construindo com o tempo naturalmente. E gosto muito desta forma de construção, é muito prazerosa.

Esta viagem entre o imaginário e o sensorial, no mundo de uma palete vibrante de vida pelas mãos de Ana Luísa Capelo, In the Sense of Fantasy (Fairytale) poderá ser vista até dia 23 de julho Museu Casa da Luz, no Funchal.

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