Revista Rua

2021-04-01T12:31:59+01:00 Cultura, Música

Ana Moura, Branko e Conan Osíris: uma canção para 2020

Numa “homenagem a todas as pessoas que viveram a escuridão que 2020 trouxe” cruzam-se figuras que acompanham o trio protagonista.
VINTEVINTE(PRANTO) Wide Boy Pedro Leote
Redação1 Abril, 2021
Ana Moura, Branko e Conan Osíris: uma canção para 2020
Numa “homenagem a todas as pessoas que viveram a escuridão que 2020 trouxe” cruzam-se figuras que acompanham o trio protagonista.

Numa altura de recomeços, Ana Moura, Branko e Conan Osíris juntam-se para lançar uma canção que reúne tudo aquilo que queremos deixar para trás, neste tempo de incerteza. No arranque de 2020, os três artistas portugueses criaram um tema que abordava a morte, o renascimento e a esperança, de olhos postos num futuro que até então se julgava diferente.

Em pouco mais do que três minutos, Vinte Vinte (Pranto) apresenta-se como uma “tela” típica da canção pop que é usada há décadas por artistas que procuram preservar na memória de todos as palavras, os sons e os ritmos que celebram o melhor da nossa identidade. Ainda assim, esta canção surge num modo ultra discreto, afirmando-se um tanto distinta, repleta de novos mundos, ideias e possibilidades. Inicialmente, soava como o princípio de algo por desbravar e o arranque de um futuro que se queria brilhante.

A produção e a cadência melancólica da canção foram asseguradas por Branko, um artista fundamental na modernidade da música portuguesa, que viajou pelo mundo e encontrou inspiração em África e na sua diáspora global. Segue-se Ana Moura, com uma voz onde cabe o Fado e o calor de uma África que conhece desde criança, ensinada desde sempre pela mãe com raízes em Angola. É nesta ligação de África com o Fado que Ana Moura expressa uma voz carregada de emoção, provando ser uma intérprete de grande história, vinda de longe, mas que nos chega muito perto. Finalmente, Conan Osíris: um artista de passado e futuro e um intérprete intemporal. Com o Fado também dentro de si, é um homem de ideias que parece encarnar a história de um país, ao assumir o oriente e o sul como coordenadas da sua arte.

Perante esta canção que parecia precisar de se “resolver” e de mostrar que algo novo estaria para chegar, Pedro Mafama imaginou a trama que daria vida à canção: um funeral em plena Alfama das mil tradições, para enterrar um ano que todos procuravam deixar no passado. Numa “homenagem a todas as pessoas que viveram a escuridão que 2020 trouxe” cruzam-se figuras que acompanham o trio protagonista, como Tristany e Toty Sa’med, Gaspar Varela e Ellah Barbosa, todos enquadrados com a luz cinemática de Bernardo Lima Infante e também pelo olhar de Irish Favério.

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