
Ana Proença: “A arquitetura e o design de interiores não são apenas uma profissão para mim, são uma paixão”
Reconhecida pela sua visão de elegância e sofisticação, visível em cada espaço criado, Ana Proença é co-fundadora do atelier Spacemakers, que há décadas surpreende com projetos de arquitetura e design de interiores. Criado em 2005, juntamente com a determinação e criatividade da sócia Célia Mestre, este atelier é hoje sinónimo de personalidade, emoção e funcionalidade e garante soluções com perspetivas inovadoras e apaixonantes.
Em primeiro lugar, gostaríamos de conhecer melhor a Ana e o seu percurso. A arquitetura e o design de interiores sempre foram anseios de carreira? O que a apaixonou neste mundo tão criativo?
A minha paixão pela arquitetura vem desde pequena, desde que me lembro que sempre desejei ser arquiteta. A paixão pelo design de interiores surgiu de uma forma bastante orgânica. Nos meus primeiros anos de experiência, tive a oportunidade de trabalhar em agências de design e publicidade, tanto nacionais como internacionais. Isso permitiu-me entender as exigências dos espaços comerciais e, ao mesmo tempo, coordenar equipas diversas, compostas por profissionais de diferentes áreas e culturas. Foi nesse contexto que fui conhecendo o impacto que a arquitetura e o design podem ter na experiência das pessoas e na transformação dos ambientes.
Ao longo do meu percurso, fui-me desafiando a explorar novas vertentes e o design de interiores e a decoração surgiram como uma extensão natural desse processo criativo. Um dos momentos marcantes do meu percurso foi ter sido escolhida como decoradora para o programa “Querido Mudei a Casa”, que passava nessa altura na SIC Mulher. Nessa participação pude levar as minhas ideias a um público mais vasto e experimentar o design de forma ainda mais dinâmica.
Mas a arquitetura e o design de interiores não são apenas uma profissão para mim, são uma paixão. E essa paixão levou-me a partilhar o que aprendi ao longo dos anos também através do ensino. Fui coordenadora do Curso de Design de Interiores na Escola Profissional Magestil, onde lecionei alguns anos. Fui também formadora em cursos de curta duração de Design de Interiores. Acredito que o conhecimento deve ser partilhado e essa troca com os alunos também me enriqueceu.
O meu percurso na Arquitetura começou na Universidade Lusíada de Lisboa, e o curso que fiz foi a base daquilo que faço até hoje. Em 2005, fundei o atelier Spacemakers juntamente com a minha amiga Célia Mestre, e é no trabalho que desenvolvemos lá, todos os dias, que vejo concretizado o compromisso que fiz comigo mesma e com os meus projetos.
A arquitetura e o design de interiores sempre foram, sem dúvida, anseios de carreira, mas, mais do que isso, são uma forma de expressar a minha criatividade. É esse desafio constante que me motiva e me mantém apaixonada por este mundo.
Ao longo da sua carreira, a Ana já teve vários desafios – inclusive a experiência no programa “Querido Mudei a Casa” na SIC Mulher (que acreditamos que tenha sido enriquecedora paro o seu percurso profissional). Mas, hoje, como se apresentaria a Ana aos nossos leitores?
Hoje, sou uma arquiteta apaixonada pelo design, com mais de 20 anos de experiência à frente da minha própria empresa de arquitetura e design de interiores. Adoro o que faço e acredito que cada projeto é uma oportunidade de criar espaços que refletem personalidade, emoção e funcionalidade.
Sou uma pessoa que valoriza a criatividade e a alegria. Rir e encontrar alegria no que fazemos ajuda-nos a ver as coisas de outra perspetiva, a solucionar desafios com mais leveza. A verdade é que adoro um bom desafio – são eles que nos fazem crescer e reinventar.
Sei também reconhecer que o design é uma extensão da vida – e a minha vida gira em torno da família, que é o meu pilar, e da minha paixão por transformar ambientes em lugares especiais.
“Sou uma pessoa que valoriza a criatividade e a alegria. Rir e encontrar alegria no que fazemos ajuda-nos a ver as coisas de outra perspetiva, a solucionar desafios com mais leveza. A verdade é que adoro um bom desafio – são eles que nos fazem crescer e reinventar.”
“Sou uma pessoa que valoriza a criatividade e a alegria. Rir e encontrar alegria no que fazemos ajuda-nos a ver as coisas de outra perspetiva, a solucionar desafios com mais leveza. A verdade é que adoro um bom desafio – são eles que nos fazem crescer e reinventar.”

Há 20 anos, a Ana criou aquele que, talvez, seja o projeto mais desafiante da sua vida: o atelier Spacemakers. Como nos descreve este projeto? Quais são os seus principais compromissos e ambições na Spacemakers?
Para mim e para a Célia, a minha sócia e amiga, a Spacemakers é mais do que um simples atelier de design de espaços. Neste projeto, nós criamos ambientes que vão além da funcionalidade e da estética.
Na Spacemakers queremos que os espaços criados sejam locais onde os clientes possam contar a sua própria história, construindo memórias que perduram. A dedicação, o amor e a visão colocados em cada projeto são evidentes e a ideia de “sair do coração” traduz a forma como a equipa se entrega a cada desafio, sempre com um toque pessoal e apaixonado. É esse compromisso de criar ambientes significativos e que toquem as pessoas de uma forma emotiva que torna o trabalho da Spacemakers tão especial e desafiador.
Projetos de arquitetura e design de interiores são a essência da Spacemakers. Falamos de projetos sofisticados, arrojados, com personalidade. Correto? Como descreveria os projetos Spacemakers?
A Spacemakers abraça projetos de arquitetura e design de interiores que abrangem uma vasta gama de tipologias, desde espaços residenciais privados até projetos corporativos e na área da hotelaria. Trabalhamos com um portfólio diversificado, onde cada projeto é tratado de forma única, com soluções personalizadas e um olhar atento aos detalhes. As nossas propostas vão além do simples design, pois asseguramos um serviço integral “chave na mão”, acompanhando os nossos clientes em todas as fases do processo, desde o conceito inicial até à execução final. Tentamos sempre equilibrar sofisticação, inovação e funcionalidade com o objetivo de criar ambientes que refletem a personalidade e as necessidades dos nossos clientes, de forma arrojada e distinta.
“Na Spacemalers, tentamos sempre equilibrar sofisticação, inovação e funcionalidade com o objetivo de criar ambientes que refletem a personalidade e as necessidades dos nossos clientes, de forma arrojada e distinta.”
“Na Spacemalers, tentamos sempre equilibrar sofisticação, inovação e funcionalidade com o objetivo de criar ambientes que refletem a personalidade e as necessidades dos nossos clientes, de forma arrojada e distinta.”
A Célia Mestre partilha consigo a exigência e dinamismo. É um duo perfeito neste universo de criatividade e bom gosto?
A Célia Mestre e eu partilhamos uma jornada profissional que começou no início das nossas carreiras, no primeiro gabinete de arquitetura onde trabalhámos logo após o término do curso. A exigência e o dinamismo sempre foram fundamentais para nós, pois queríamos criar um atelier onde cada projeto fosse único e pensado à medida de quem nos procurava, com criatividade aliada ao rigor técnico. A Célia, com o seu olhar apurado e a sua capacidade de transformar ideias em realidade, partilha completamente desta visão, tornando-nos, de facto, um duo perfeito neste universo de criatividade e bom gosto. A vontade de fazer a diferença e de tocar vidas por meio do design é o que nos move até hoje.
São muitos os projetos ao longo dos anos, mas gostaríamos de perceber quais são aqueles que recorda com carinho especial – ou pelo desafio ou pela essência. Há favoritos quando olhamos para um percurso de 20 anos?
Projetos preferidos? Essa é uma pergunta difícil. Entrego-me a todos com a mesma dedicação. Mas há projetos que me desafiam a crescer mais que outros e há clientes com quem naturalmente ganho mais afinidade e com quem acabo por criar relações profissionais douradouras (e até de amizade). Esses continuam a fazer segundos e terceiros projetos com o atelier, o que demostra o nível de confiança que depositam em nós. Cada projeto é uma identidade nova, uma história por contar, não há um igual por isso eu e minha equipa traçamos novas histórias, projeto a projeto.
Falamos de projetos residenciais, comerciais, hotelaria… não há propriamente um limite para a inspiração e concretização da Spacemakers?
De facto, acreditamos que a arquitetura e o design de interiores não têm fronteiras para a criatividade. Ao longo destes 20 anos aprendemos que a criatividade não se limita, evolui e adapta-se. É impulsionada pela visão dos clientes, pelas mudanças dos tempos e pelas infinitas possibilidades da arquitetura e do design de interiores. Penso que o importante é estar atentos ao que nos rodeia e manter uma mente curiosa. Olhamos para o futuro com o mesmo entusiasmo, prontas para continuar a ultrapassar limites e a desenhar espaços que inspiram.
“O nosso objetivo principal é que o espaço não seja apenas bonito ou prático, mas sim um reflexo genuíno das emoções, memórias e história de quem o habita.”
“O nosso objetivo principal é que o espaço não seja apenas bonito ou prático, mas sim um reflexo genuíno das emoções, memórias e história de quem o habita.”
A inspiração parte das suas vivências, da ligação com o cliente, da mensagem que o espaço quer transmitir? Essa procura de inspiração é constante e “personalizada” à exigência do projeto?
A Spacemakers mergulha no universo pessoal de cada cliente, conhecendo as suas rotinas, paixões e traços de personalidade para que cada projeto seja tratado de forma personalizada. O nosso objetivo principal é que o espaço não seja apenas bonito ou prático, mas sim um reflexo genuíno das emoções, memórias e história de quem o habita. Por isso, a nossa inspiração para criar espaços e ambientes são os próprios clientes e aquilo que nos dão a conhecer das suas vidas, os seus gostos pessoais, assim como as suas personalidades.
As tendências do sector têm peso nas suas opções, correto? Procura manter-se sempre atualizada e, ao mesmo tempo, tentar criar as próprias tendências Spacemakers?
Apesar de muito se falar em tendências, aquilo que acreditamos é que somos nós, os designers de interiores, que vamos ditando as tendências, é um trabalho que vai refletindo mais aquilo que estará em voga do que o contrário.
Contudo, na Spacemakers, acreditamos que as tendências que vamos criando são apenas um ponto de partida. O nosso foco é interpretar cada briefing de forma única, criando um design personalizado que não só reflete as necessidades e desejos de cada cliente, mas também transmite a nossa identidade criativa de maneira intemporal. Claro que tentamos estar atualizadas, mas sempre com o objetivo de criar soluções que não sigam apenas as tendências do momento.
Um dos projetos recentes é o Double Tree by Hilton Azores, uma unidade hoteleira de 5 estrelas que tem vindo a ser nomeada para diferentes prémios do setor. Este é um projeto que orgulha a Ana? Pode explicar-nos que envolvimento que houve da Spacemakers neste projeto e como foram superados os desafios?
O hotel Double Tree by Hilton, localizado na ilha de S. Miguel é o primeiro hotel da cadeia internacional Hilton no arquipélago dos Açores. Foi projetado e construído de raiz, num total de 101 quartos e representou um investimento de 20 milhões de euros. Foi, até ao momento, o nosso projeto mais relevante. Spacemakers foi o atelier responsável pelo projeto de Arquitetura de Interiores, Design de Interiores/Decoração, Fornecimento e Implementação. Foi um projeto muito desafiante a vários níveis, para além da coordenação entre a nossa equipa, a equipa do promotor, engenheiros, empreiteiros, fornecedores, exigiu uma capacidade de organização interna muito grande.
Outro desafio foi a distância geográfica e a logística, pois todo os materiais e mobiliário tinham que chegar à ilha de contentor, por barco.
Foi uma experiência marcante e enriquecedora para toda a nossa equipa e que hoje nos orgulha e motiva! Aliás, com este projeto o nosso atelier foi nomeado para os prestigiados International Hotel & Property Awards, um autêntico reconhecimento à nossa dedicação e à nossa paixão pelo design.
Algum projeto que deseje explorar num futuro próximo? Algo que esteja na bucket list pessoal ou profissional, mas que ainda não tenha surgido oportunidade de realização?
Ao longo dos 20 anos da minha empresa, tive o privilégio de trabalhar em projetos variados, mas há sempre novos desafios que gostaria de explorar. O mercado de design de interiores está a evoluir rapidamente, e gostaria de explorar novos mercados e parcerias estratégicas, seja através da internacionalização ou do desenvolvimento de uma linha exclusiva de mobiliário ou de peças decorativas. Acredito que o futuro do design passa por oferecer experiências únicas e diferenciadoras, e é nesse caminho que pretendo investir.
Há uma expressão que achamos que define bem a Ana: “self-made woman”. Concorda? Olha para este seu percurso com orgulho?
Sim, concordo, mas com um pequeno detalhe: nunca caminhei sozinha. Ao longo destes 20 anos, eu e a minha sócia construímos, com muita paixão e dedicação, um projeto que reflete a nossa visão e amor pela arquitetura e pelo design de interiores. O nosso percurso tem sido feito de desafios, aprendizagens e conquistas, nem sempre foi linear ou fácil, mas foi sempre guiado por uma vontade de criar espaços que contam histórias. Olho para trás com orgulho, não apenas pelo que construímos, mas pelo impacto que o nosso trabalho tem na vida das pessoas que nos procuram.
Num momento em que falamos de empoderamento feminino, destacamos a Ana como uma mulher de garra, dedicação e profissionalismo. Esses valores de empenho, de resiliência, de adaptação e resposta aos desafios fazem parte do seu dia a dia?
Ao longo destas duas décadas, aprendi que ser mulher neste setor é, muitas vezes, sinónimo de superar obstáculos com determinação, mantendo sempre o foco. Acredito que o verdadeiro empoderamento vem da coragem de arriscar, da força para persistir e da paixão pelo que fazemos.
Na nossa empresa, somos uma equipa exclusivamente feminina. No início, não foi algo intencional, mas, ao longo dos anos, tornou-se a nossa marca. A empatia, a capacidade de ouvir, a intuição e uma sensibilidade mais apurada são características marcantes da força de trabalho feminina.
Acha que tipicamente a mulher portuguesa é empreendedora, focada e até visionária?
Desde 2005 a gerir a Spacemakers, juntamente com a minha sócia Célia, tenho tido o privilégio de trabalhar com muitas mulheres portuguesas em diferentes contextos, seja como clientes, parceiras ou empreendedoras. E posso dizer que, sim, vejo na mulher portuguesa um espírito cada vez mais empreendedor. Acredito que, ao longo dos anos, as mulheres em Portugal têm conquistado um espaço cada vez maior no mundo dos negócios, demonstrando uma enorme capacidade de adaptação, inovação e liderança. No setor do design, por exemplo, vejo muitas profissionais a arriscar, a criar conceitos inovadores e a marcar presença em mercados internacionais.
Claro que o percurso nem sempre é fácil, mas a resiliência da mulher portuguesa faz com que continue a quebrar barreiras e a afirmar-se nas mais variadas áreas.
Que mensagem deixaria aos novos talentos femininos que veem hoje na Ana um exemplo a seguir?
A minha mensagem é simples: acreditem no vosso talento, trabalhem com paixão e nunca deixem de sonhar. Construir uma carreira exige dedicação, resiliência e coragem para enfrentar desafios, mas cada obstáculo ultrapassado traz crescimento e novas oportunidades. Não tenham medo de arriscar, de inovar e de deixar a vossa marca. O mercado precisa de novas ideias e perspetivas, e a autenticidade é sempre um trunfo. O mais importante é manterem-se fiéis a vocês mesmas e ao vosso propósito. Com determinação, criatividade e intuição o céu é o limite!










