Revista Rua

2021-02-15T11:07:57+00:00 Negócios

AnahoryAlmeida, a harmonia da arte em forma de casa

Cantinho do Avillez, Mini Bar Porto, Quinta do Quetzal, Marisqueira Azul, Selllva, Wood in Lisbon ou São Lourenço do Barrocal são alguns dos projetos desta dupla de Arquitetura e Design de Interiores.
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira15 Janeiro, 2021
AnahoryAlmeida, a harmonia da arte em forma de casa
Cantinho do Avillez, Mini Bar Porto, Quinta do Quetzal, Marisqueira Azul, Selllva, Wood in Lisbon ou São Lourenço do Barrocal são alguns dos projetos desta dupla de Arquitetura e Design de Interiores.

São jovens, arrojadas e com espírito livre. Ana Anahory, arquiteta, e Felipa Almeida, formada em História da Arte e Curadoria, são os rostos do atelier AnahoryAlmeida, sediado em Lisboa, mas com projetos já por vários pontos do país: Cantinho do Avillez, Mini Bar Porto, Quinta do Quetzal, Marisqueira Azul, Selllva, Wood in Lisbon ou São Lourenço do Barrocal são apenas alguns dos projetos de Arquitetura e Design de Interiores desenvolvidos pela dupla.

Ana Anahory e Felipa Almeida ©Rodrigo Cardoso

Em primeiro lugar, gostaríamos de conhecer melhor a Ana Anahory e a Felipa Almeida e perceber como o destino as juntou neste projeto de arquitetura, design de interiores e mobiliário. Como é que tudo começou?

Conhecemo-nos através dos nossos maridos e, por isso, convivíamos bastante. Entretanto, surgiu a oportunidade de colaborarmos num projeto: pensar nos interiores do Cantinho do Avillez, um restaurante do chef José Avillez. Foi uma experiência que correu muito bem! Tivemos a sorte de o chef querer continuar a abrir restaurantes e a desafiar-nos para os fazer. A certa altura percebemos que queríamos continuar a trabalhar juntas e resolvemos abrir um atelier. Isto foi em 2011.

No vosso portefólio já podemos visualizar vários projetos de renome, principalmente no universo da hotelaria e da restauração. Antes de nos focarmos na lista de projetos em si, gostaríamos de perceber o que une a vossa linha de pensamento. O que vos inspira? E de que forma materializam essa inspiração nos projetos?

Temos em comum uma vontade de trabalhar com materiais naturais e colaborar com artistas e artesãos. Gostamos as duas de estudar o passado sem transmitir nostalgia para os projetos que desenvolvemos. Estamos sempre atentas e passamos a vida a fotografar balcões, pavimentos, puxadores, janelas, candeeiros, entradas de prédios ou detalhes de fachadas. Temos um amplo arquivo de imagens.

Tentam que exista uma ligação aos artistas e artesãos portugueses, correto? É importante para vocês carimbar portugalidade nos projetos?

Não queremos carimbar portugalidade porque não nos queremos limitar, mas queremos sim aproveitar recursos locais e um saber-fazer português com uma tradição rica. Queremos pensar os projetos inseridos no local onde vão existir. Se fizéssemos projetos internacionais não iríamos tentar dar-lhes portugalidade. Tentaríamos pesquisar materiais e artesanatos locais. Gostamos de raízes e costumes, mas não têm necessariamente de ser portugueses.

Espaços acolhedores e intemporais, sempre com um toque de modernidade. É esta a premissa de todos os vossos projetos?

Temos sempre em mente o facto de os projetos serem habitados quando acabados e a nossa preocupação é sempre o conforto acima de tudo.

Queremos conseguir uma luz harmoniosa, uns tons quentes e usar materiais agradáveis ao toque.

Vamos focar-nos então em projetos: que trabalhos mais vos orgulham neste já vasto currículo marcado por restaurantes com selo de qualidade Avillez, por hotéis como a Quinta dos Murças, por espaços como o Wood, etc.? Há projetos especiais que queiram destacar?

Cada projeto traz a sua pesquisa e o seu universo muito específico e é na diversificação que nos divertimos. A Quinta dos Murças permitiu uma viagem no Douro, na sua história, nas suas paisagens e, claro, nos seus vinhos. Um projeto como o Wood in Lisbon fez-nos descobrir o universo do conforto no trabalho em comunidade que também foi desafiador e muito interessante. Gostamos sempre também de dar destaque ao projeto São Lourenço do Barrocal, que foi o primeiro hotel que fizemos. É um projeto de grande escala com uma história familiar muito interessante e foi, para nós, uma ótima oportunidade para explorar a cultura e o artesanato alentejano.

Falando dos trabalhos no grupo Avillez, queremos trazer à conversa o incrível Bairro do Avillez, que a Revista RUA teve oportunidade de visitar recentemente. Foi um projeto marcante? É desafiante trabalhar com os projetos Avillez?

O Bairro do Avillez foi um projeto marcante pela sua escala e pela beleza do espaço já antes da nossa intervenção. Foi, claro, depois, uma aventura materializar os “sonhos” do chef José Avillez.

Fotografia ©Rodrigo Cardoso

O restaurante Selllva é um dos projetos mais recentes, localizado mesmo ao lado do Wood in Lisbon. Estes dois projetos parecem ligar-se apesar de funcionarem de maneira independente. É como se a identidade AnahoryAlmeida já fosse contagiante e notória?

Para nós, era impossível distanciarmo-nos completamente dos dois espaços que iriam coabitar no mesmo edifício. Tínhamos a estética do prédio e a sua época de construção muito presentes quando iniciámos o projeto. Era para nós importante trazer alguns materiais e padrões para os dois universos para criar uma harmonia para as pessoas que o habitam todos os dias.

Como descrevem então, de maneira geral, o vosso trabalho, a vossa identidade enquanto designers de interiores e arquitetas?

Somos um atelier que gosta de trabalhar os detalhes, criar universos intemporais. Tentamos sempre personalizar todos os pormenores. Tudo importa. Tudo ajudar a criar coesão e harmonia!

Olhando para este percurso, consideram-se criadoras de tendências?

Não temos essa perceção.

Já podem desvendar algumas novidades para os próximos tempos? Há projetos na manga?

Estamos a trabalhar com uma empresa de vinhos numa campanha ligada ao artesanato para a qual estamos a fazer, pela primeira vez, consultoria de artesanato. Estamos, felizmente, envolvidas em projetos bastante diferentes uns dos outros: um monte alentejano, vários restaurantes e uma capela!

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