Revista Rua

2018-08-20T12:14:15+01:00 Viagens

Angola que aquece e acalma

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Maria Inês Neto6 Agosto, 2018
Angola que aquece e acalma
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Eva Liberal tem 28 anos, é natural de Barcelos e vive atualmente com o marido em Luanda. Desde muito jovem que mantém uma paixão pela descoberta de novos locais e a vontade de viajar levou-a a conhecer o mundo. Angola surge precisamente no seguimento dessa mesma exploração. Vivia e trabalhava em Lisboa quando o marido recebeu uma proposta, que rapidamente se tornou num objetivo comum. De malas feitas, partiram rumo a Luanda, cidade onde Eva trabalhou durante os dois primeiros anos como responsável de farmácia, que em Portugal corresponde ao atual cargo de diretora técnica, passando depois ainda um período em Talatona, a chamada “parte nova”.

Uma mudança como esta é sempre sinónimo de transformação e de adaptação a uma cultura diferente da nossa. “Visto se tratar de um continente diferente, o choque cultural é inevitável”, refere Eva. “O facto de o povo angolano ser mais caloroso, aberto e afetuoso permitiu que nos integrássemos muito melhor na sua cultura e no país. Para os angolanos, festa é para todos, vizinho é amigo e cerveja é Cuca. É um bocadinho esse estilo de vida que às vezes falta aos portugueses”, continua. O que facilitou um pouco a adaptação foi o facto de o irmão, Hugo, já viver em Luanda há uns anos. “Ir para um país tendo lá alguém da nossa inteira confiança altera logo tudo. Tivemos um grande apoio, o que tornou tudo bastante mais leviano”, admite Eva. “Lembro-me perfeitamente que uma das coisas que mais me chocava no início era o lixo nas ruas, as quantidades absurdas. Já melhorou um bocado, mas ainda não desapareceu, por muito que já esteja habituada ao cenário”, continua.

Duas coisas que a marcaram assim que pisou terra angolana: “A cor da terra e a cor do sol. Cor de laranja enferrujado com uma beleza que eu nunca tinha visto! África tem esta cor quente que consome qualquer pessoa. Não há pôr do sol como o de África”, admite. Um outro ponto a favor em Angola é a oferta cultural, que consegue ser surpreendentemente cativante, ao divulgar vários artistas de renome em eventos e exposições de elevado interesse. “Eu sou suspeita para estar a falar deste assunto, visto que desde miúda, impulsionada pelo meu irmão, aprecio este tipo de iniciativas artísticas”, conta Eva. Por ironia do destino, Angola veio precisamente trazer novos projetos voltados para o mundo artístico, que por meio do gosto e apreciação pela arte, fundida com uma paixão por fotografia, permitiu a Eva divulgar algumas memórias das viagens de uma vida. Foi no Centro Cultural Português – Instituto Camões, em Luanda, que Eva teve a oportunidade de partilhar algumas fotografias que guardava das suas viagens. “Consegui expor e divulgar o meu olhar perante o mundo, durante as viagens que fui fazendo ao longo da vida. Foi extremamente gratificante e mais uma das coisas boas que Angola me trouxe”, partilha.

Por entre surpresas, novidades e sonhos, Eva faz um balanço positivo de toda esta experiência, na qual cresceu profissionalmente, viveu as melhores histórias e guarda as memórias de um país que tanto ainda tem para mostrar. Quanto a um futuro próximo, os planos não passam pelo regresso a terras minhotas, mas Eva prepara-se agora para uma nova viragem na sua vida.

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