Revista Rua

2018-05-03T11:06:53+00:00 Opinião

Ano novo, ano VUCA?

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Sílvia Sousa
Sílvia Sousa
2 Janeiro, 2018
Ano novo, ano VUCA?
Não escasseando situações em que a realidade ultrapassa a ficção, a regra ainda será a ficção propor-nos mundos desconhecidos, maravilhosos e (in)atingíveis. E quando nos confrontamos com sinais, para alguns, concretização, para outros, de uma quarta revolução industrial, a Revolução 4.0 ou Indústria 4.0, não podemos deixar de olhar em retrospetiva para o que a sétima arte nos trouxe e constatar que, se não estamos preparados, não terá sido por falta de aviso. Afinal, já em 1968, com 2001 Odisseia no Espaço, se antecipava que no século XXI, a nave Discovery fosse totalmente controlada pelo computador HAL9000, computador esse que, em 1984, com 2010 – O ano do contacto, teria sido forçado a mentir e, consequentemente, entrado em incoerências internas. No virar do século, em 2001, com Inteligência Artificial, antecipava-se a existência de um novo tipo de robôs, humanoides avançados, capazes de produzir pensamentos e emoções, no final do século XXII, e ainda a robô Sophia não havido sido entrevistada, em plena WebSummit (2017), e I, robot (2004) já antecipava que, em 2035, robôs altamente inteligentes ocupariam lugares na administração pública e na sociedade, em todo o mundo.
Na última década, os avanços tecnológicos têm sido, de facto, impressionantes, emergindo um importante debate sobre o futuro do trabalho, ao qual não têm estado alheias as principais organizações internacionais. A discussão, focada na crescente automatização e robotização da produção e dos processos, em particular, na indústria, vem questionar a adequabilidade da formação e competências dos trabalhadores, face ao risco de erradicação de empregos. Em 2016, o World Economic Forum avançava com uma perda de empregos na ordem dos cinco milhões, até 20201, e com uma significativa percentagem de postos de trabalho tornados, entretanto, obsoletos.
Esta ruptura de paradigma convoca todos os agentes da sociedade, sem exceção, para uma reflexão profunda, sobre a diversidade de desafios que esta revolução, potencialmente disruptiva, coloca.
A visão de que os robôs vão substituir as pessoas, empurrando-as para o desemprego será quiçá demasiado catastrófica, mas o facto de que os trabalhadores terão, cada vez mais, de se ajustar a processos com níveis de automatização mais elevados, que requererão novas competências será, porventura, incontornável. Como será certo o surgimento de novas profissões, focadas em competências digitais que urge disseminar na sociedade portuguesa. O ónus, contudo, não recai apenas nos trabalhadores. As empresas para se ajustarem à mudança serão obrigadas a inovar, não apenas nos processos produtivos, mas também na sua gestão, marketing e comunicação. Finalmente, o Estado e, em particular, o Estado Social, terá um papel crucial na minimização do custo social desta mudança.
O ano que se inicia não será, portanto, mais um ano novo. Será um ano novo num mundo VUCA (volatile, uncertain, complex e ambiguous). Que seja um ano feliz!
 
1 World Economic Forum (2016), The future of jobs
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