Revista Rua

2020-01-02T17:07:19+00:00 Cultura, Outras Artes

Ano Novo, Livros Novos: o caso de Luís Serpa

Desde a escrita à música, passando pelas mais variadas formas de arte, Luís Serpa quis organizar as suas memórias.
Cláudia Paiva Silva
Cláudia Paiva Silva2 Janeiro, 2020
Ano Novo, Livros Novos: o caso de Luís Serpa
Desde a escrita à música, passando pelas mais variadas formas de arte, Luís Serpa quis organizar as suas memórias.

Para iniciar 2020, um ano que se espera positivo, nada melhor do que organizar o passado. Se há algo que torna a nossa espécie supostamente mais conhecedora e experiente é a nossa memória, embora coletivamente possa haver esquecimentos que nos levam aos mais dolorosos lugares e contextos, será sempre a memória algo profundamente humano. Desde a escrita à música, passando pelas mais variadas formas de arte, Luís Serpa quis organizar as suas memórias. No livro Avenida da Liberdade nº 1, editado pela Fora de Série, do grupo BookBuilders, apresenta textos do blog Don Vivo desde 2004 a 2007, uma compilação de onde se retirou a política, deixando tudo o que resta: a Humanidade que a Vida é.

De acordo com o autor, o título deste livro, cuja edição foi conseguida a partir de crowdfunding, e cuja capa é uma fotografia tirada pelo próprio na Suíça, resulta das constantes viagens (a trabalho) que Luís Serpa tem realizado ao longo da sua vida. “As autoridades pedem-me a morada – e como não tenho morada fixa, isso tornava-se complicado, principalmente quando existem países restritos como as lhas Virgens. Então resolvi inventar uma morada da qual não me esquecesse, e ficou Avenida da Liberdade nº 1. É uma morada que funciona!”

Em conversa com Luís Serpa, percebemos que esta compilação é principalmente “… um diário que tem todos os estados de espírito. Não um diário para descrever como foi o meu dia ou o que fiz, mas sim de pensamentos. Tirei imensa política do blog, embora ainda se note um bocadinho, porque decidi manter algumas dessas publicações. Mas isto, no fundo, é um diário. Um diário dos pensamentos, das ideias, das ficções. Existem imensos textos que eu tinha guardados (textos de 1999 ou 2000), que eram coisas que estavam no computador, aqui incluídos”.

Para o autor, acérrimo defensor da liberdade de expressão, mas para quem as redes sociais acabam por ser ingratas, quando questionado sobre o futuro dos blogs, tem uma opinião muito direta mencionando que:  “Os blogs vão continuar, o que mudou radicalmente com o Facebook, foi o tipo de interação que nós tínhamos – o que tínhamos na blogosfera desapareceu por completo com o Facebook. Nos blogs existia uma interação cordial, cavalheiresca, os comentários eram calmos, pensados, estruturados, e com o Facebook isso desapareceu, tornaram-se agressivos, não há filtro. Os blogs vão continuar com a sua função – os blogs políticos têm cada vez mais adeptos, os temáticos também, os generalistas é que podem decair. Mas eu não gosto do Facebook. Só tenho para a política!”

Em relação aos textos que desde 2007 até ao dia de hoje têm sido publicados, Luís Serpa não tem dúvidas ao afirmar que quer publicar tudo: “Eu quero publicar o blog todo. Não há só sarcasmo, vamos desde receitas a contos eróticos. Há de tudo para todos os tipos de leitores. Neste momento já decidi publicar tudo”.

E que países podem inspirar mais o autor? Atualmente a viver em Espanha, Luís Serpa, Skipper, trabalha pelo mundo, às vezes, também em acções de voluntariado. “Existem no livro imensas histórias sobre o Burundi – eu trabalhei lá quando ocorreram os genocídios do Ruanda e obviamente isso é uma coisa que marca. Possivelmente foi o ano mais preenchido da minha vida. Foi o tempo humanitário”.

Para 2020 é preciso organizar a memória. Avenida da Liberdade nº 1 é um excelente ponto de partida.

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