Revista Rua

2018-11-08T14:21:17+00:00 Fotografia

Arquitetura da simplicidade

Nuno Sampaio
Nuno Sampaio22 Outubro, 2018
Arquitetura da simplicidade
©Margarida Pereira

@margaridareispereira está na RUA

Não podemos deixar de notar uma presença muito forte de linhas arquitetónicas nas tuas fotografias. A arquitetura está sempre presente naquilo que observas e fotografas?

Num tom literal ou abstracto, a arquitectura está sempre presente naquilo que observo e fotografo. Confere-me ferramentas que alimentam a forma como me posiciono, olho e compreendo um espaço, seja este construído ou não.

Desperta a minha percepção dos limites, da escala, do contraste entre cheio e vazio, da dicotomia entre luz e sombra, ou mesmo, das dinâmicas associadas a esse espaço. Em última instância, é determinante pelo seu sentido mais estético e formal.

As tuas paisagens posicionam-se fortemente entre o elemento humano e um universo vazio. Esta noção de escala é uma forma de preenchimento composicional?

A noção de escala é mais uma das ferramentas que me é muito familiar através da arquitectura. Diria que a recorrência ao elemento humano extravasa o sentido composicional da imagem. Pretende antes posicionar-nos perante um espaço para que possamos compreender a sua verdadeira grandeza.

Quando viajas sentes que o teu regresso é uma oportunidade de ver o comum, o conhecido, com outros olhos?

Sem dúvida. Redescobrir o comum e o conhecido é algo que me motiva bastante. Para mim, uma viagem representa a descoberta de novos lugares, a par de um autoconhecimento.

Neste sentido, há uma forte relação entre o regresso, informado pela viagem, e a capacidade de renovar o olhar.

As tuas cores são subtilmente a luz das tuas fotografias. Existe alguma relação entre a luminosidade do dia com a tua forma de veres e fotografares o mundo?

A luz é dos elementos mais preponderantes na leitura de um espaço. Uma vez que, quer pela sua intensidade, claridade e/ou tonalidade, o podem modificar grandemente. A luminosidade é sempre uma das premissas quando fotografo. Perceber uma determinada luz implica posicionar-me perante um cenário. Implica tomar decisões, que se traduzem em resultados diferentes, de acordo com a luz em questão.

Uma cidade, uma luz que te defina.

Sou incapaz de balizar uma cidade ou luz que me defina. Se por um lado, tenho ainda muito por descobrir, por outro, sei que me sinto igualmente atraída por contextos muito díspares. Ainda assim, posso afirmar que o Japão e a Islândia, são provavelmente dos sítios que visitei, que mais gostei, quer pelo seu carácter, quer pela sua luz tão própria.

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