Revista Rua

2019-09-30T12:00:36+01:00 Opinião

Até 6 de Outubro

Política
João Rebelo Martins
30 Setembro, 2019
Até 6 de Outubro

A 6 de Outubro seremos chamados a exercer o nosso direito de voto, para formar a próxima Assembleia da República e o novo Governo. Somos juízes da causa pública e o voto é a sentença sobre o trabalho que foi feito, e o que cada arguido deste tribunal se propõe fazer para os próximos quatro anos.

Não estão contentes com a actual situação? Há muitas alternativas a quem nos governou nos últimos tempos.

Estão contentes com a actual situação económica, fiscal, social? Com os serviços prestados na saúde e na educação? Então votem nos mesmos.

Todas as profissões ou vocações são importantes; para quem as pratica e para quem delas necessita. Mas penso que não há nada tão marcante como o trabalho de um arquitecto e de um político. Na mesma proporção.

Uma das muitas definições de arquitectura diz-nos que: a arquitetura é a arte e a técnica de projectar, construir e modificar o habitat humano, incluindo edifícios de todos os tipos. Eu acrescento que quando se altera o habitat humano, se altera a forma de vida das pessoas. E um arquitecto, ao projectar uma determinada acessibilidade, casa, edifício, etc., sabe que vai alterar para sempre a forma de vida das pessoas que vivem ou transitam nas suas imediações. Um arquitecto tem a capacidade de alterar a visão colectiva de um povo.

Um político tem igualmente essa capacidade, porque as suas acções aplicam-se a toda a população e consegue alterar o modo de vida de toda uma comunidade.

Por isso, o importante é votar para garantir que as acções que os políticos façam serão de acordo com a vontade da maioria e representando todos os outros ideais. Além do mais, nunca me canso de o referir, para que todos possam votar, houve gente que morreu.

Até 6 de Outubro estaremos em plena campanha eleitoral. E eu, por profissão e por vocação, adoro estes momentos: é o contacto com as pessoas, é comunicar com a palavra dita e a palavra escrita, é todo um conjunto de acções e de momentos, um bailado entre os candidatos e os outros cidadãos, que levam as pessoas a acreditarem no candidato A em vez do candidato B.

“O importante é votar para garantir que as acções que os políticos façam serão de acordo com a vontade da maioria e representando todos os outros ideais. Além do mais, nunca me canso de o referir, para que todos possam votar, houve gente que morreu.”

Por vezes é justo, outra vezes é tribal. É democrático.

2005 foi uma pedrada no charco a nível de campanha e os portugueses ficaram enlameados desde então: Sócrates Vs Santana. Foi uma campanha que viveu de imagem, de ego, e nenhum candidato disse ao que ia, como se as personalidades fossem maiores e mais credíveis que os actos políticos.

Desde então – excepção feita a Ferreira Leite, em 2009, que sempre tentou apresentar ideias e uma estratégia para Portugal, e a Rui Tavares, em 2013, no mesmo seguimento – todos os candidatos disseram, num estilo próximo de um vendedor de automóveis: “votem em mim porque sou bom e os outros são todos maus”.

Em 2019 António Costa preparava-se para algo deste género, com mais ou menos achincalhamento/ encenação com o Bloco e o PCP, com um pé dentro e outro fora da maioria, tentando passar pelos pingos da chuva. Pareciam favas contadas até 6 de Outubro!

Rui Rio é baixo, só sorri quando acha piada a alguma coisa, diz o que pensa, não embarca em hipocrisias, não sabe mentir e usa umas camisas às riscas e umas gravatas que ficam feias nas fotografias. Ou seja, Rio vive de palavras, compromissos e de acções; Rio não é uma pessoa que viva da imagem.

O líder do PSD entrou na campanha com uma força que muitos já haviam esquecido, levando a reboque o partido e calando muitos dos seus críticos internos e externos. Bem preparado sobre quase todos os temas, expõe de forma clara as suas ideias; diz ao que vem. Quando não sabe, diz que não sabe; não se põe a inventar.

Rui Rio apresenta-se ao país como é: uma pessoa normal, com experiência, que pretende prestar um serviço público. Tudo faz para que as pessoas acreditem nas soluções que apresenta para a nossa vida futura. De forma simples, directa, sem folclore e jogos de bastidores.

Se ganhar, cumprirá. Se perder, penso que perderemos todos.

Nota: Este artigo não foi escrito segundo o novo acordo ortográfico.

Sobre o autor:
Consultor de marketing e comunicação, piloto de automóveis, aventureiro, rendido à vida. Pode encontrar-me no mundo, ou no rebelomartinsaventura.blogspot.com ou ainda em instagram.com/rebelomartins. Seja bem-vindo!

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