Revista Rua

2020-01-14T11:49:49+00:00 Opinião

Até amanhã, Campeão!

Sociedade
João Rebelo Martins
João Rebelo Martins
14 Janeiro, 2020
Até amanhã, Campeão!
©D.R.

Ao quilómetro 273, no meio do deserto da Arábia Saudita, algures entre Riyadh e Wadi Al-Dawasir, o Paulo deixou-nos. E, com ele, um pouco de nós – de todos quantos se cruzaram com o Paulo, que já atravessaram desertos, que têm o sonho de fazer o Dakar, amantes do desporto – também morreu naquele sítio.

Não queria acreditar quando ouvi a notícia. Não podia ser; os super-heróis não morrem. E o Paulo era de ferro, aguentava tudo, tinha uma força física e psicológica que lhe permitia levantar-se de seguida e seguir viagem. Esta viagem levou-o para mais longe.

Chorei. Como choro hoje; pelo Paulo e por todos os que ficam cá e que sofrem com esta dor. A família, o Quim, o Bianchi, o Patrão, o Bühler, o Maio, o Ruben e o Hélder, o Toby, e todos os que ficaram na Arábia Saudita, desamparados, sem o amigo, o companheiro de aventuras, questionando-se sobre o que fazer no dia seguinte.

O Peterhansel, agastado por mais esta perda – ele que já assistiu a tanto no Dakar, era amigo do Meoni – questionava-se sobre o que é que faziam ali. Será que vale a pena?!

Para quem ama o desporto motorizado e nunca o vê na TV, pensa sempre que os maiores canais de TV e os jornais só procuram a tragédia no desporto. Alguns indignaram-se pela abertura de telejornais com a morte do Paulo, algo que nunca fizeram nos muitos momentos de glória em que os pilotos portugueses elevaram bem alto a bandeira de Portugal, em todos os cantos do mundo.

Mas o Paulo é especial, é o mister fair play, é o desportista que honra os deuses no Olimpo, e a notícia da sua morte é superior a tudo o resto. Por isso é que as mais altas figuras do Estado, pessoas e desportistas dos mais diversos quadrantes, quiseram prestar uma homenagem ao Paulo, fazer o luto com a família, ajudar a ultrapassar a sua dor.

Será que vale a pena continuar a sonhar com o Dakar, em cruzar as dunas de punho serrado, a tentar alcançar algo mais do que já foi conquistado?

Vale a pena. Certamente era o que o Paulo diria. O Dakar não é uma mera paixão, é o amor de uma vida. Arrancar a fundo, com garra, determinação, vivendo todos os valores do desporto, com humanismo, sem desistir. É a melhor homenagem que se pode fazer ao Paulo.

Sobre o autor:
Consultor de marketing e comunicação, piloto de automóveis, aventureiro, rendido à vida. Pode encontrar-me no mundo, ou no rebelomartinsaventura.blogspot.com ou ainda em instagram.com/rebelomartins. Seja bem-vindo!

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