Revista Rua

2026-08-31T11:21:45+01:00 Cultura, Em Destaque, Pintura

Au-Delà Du Réel chega à Perspective Galerie no Palacete Severo no Porto

A partir de 2 de setembro e até 17 de janeiro de 2027, o Palacete Severo recebe a exposição Au-delà du Réel, apresentada pela Perspective Galerie.
 MIREILLE ROBBE-PYRROROSE , 2025 -ÓLEO E LÁPIS DE COR SOBRE GRAVURA -60 X 50 CM | JUAN MANUEL RODRIGUEZ-UNTITLED, 2025 ÓLEO SOBRE LINHO- 140X110CM
Redação31 Agosto, 2026

Au-Delà Du Réel chega à Perspective Galerie no Palacete Severo no Porto

A partir de 2 de setembro e até 17 de janeiro de 2027, o Palacete Severo recebe a exposição Au-delà du Réel, apresentada pela Perspective Galerie.

No regresso à cidade, a Perspective Galerie convida todos os apreciadores de Arte a visitarem o Palacete Severo para ver a exposição coletiva que reúne obras de Fabienne Houzé-Ricard, Mireille Robbe, Juan Manuel Rodriguez e Madeleine Guiton, quatro artistas que exploram, através da pintura, do desenho e da instalação, a fronteira subtil entre o real e a sua transformação. Nesta exposição, o familiar começa a revelar novas possibilidades: um objeto adquire uma presença inesperada, uma imagem antiga acolhe uma nova narrativa, uma paisagem torna-se prolongamento de uma memória e uma cena quotidiana transforma-se sob o efeito da luz e da perceção.

Au-delà du Réel propõe, assim, uma reflexão sobre a nossa forma de olhar e interpretar o mundo, num momento em que as imagens assumem um papel cada vez mais central na forma como experienciamos e construímos a realidade. Entre memória, imaginário e perceção, Fabienne Houzé-Ricard desenvolve há vários anos um trabalho em torno do ninho, entendido simultaneamente como forma primordial, refúgio e espaço mental. Na sua série États d’âme, esta arquitetura do vivo acolhe objetos, elementos vegetais e matérias que transformam progressivamente o ninho numa paisagem interior.

Mireille Robbe intervém sobre gravuras antigas, que reativa através da cor e do aparecimento de formas inesperadas. Paisagens, arquiteturas e cenas históricas tornam-se suportes para novas ficções. O arquivo abre-se então ao presente e recupera uma capacidade de transformação.

Juan Manuel Rodriguez pinta paisagens e céus a partir da memória. Nuvens, horizontes e variações atmosféricas compõem um espaço situado entre a experiência vivida e a reconstrução mental. A precisão do visível encontra aí uma dimensão quase onírica.

Madeleine Guiton interessa-se pelos mecanismos da perceção e pela forma como as imagens transformam a nossa relação com o real. A partir de fotografias e de cenas quotidianas, trabalha o enquadramento, os contrastes, a cor e a luz — natural, artificial ou proveniente dos ecrãs — para revelar a instabilidade daquilo que julgamos ver.

Apresentadas nos diferentes espaços do Palacete Severo, as obras entram também em ressonância com a arquitetura e os usos do lugar. O percurso constrói-se de divisão em divisão, fazendo surgir correspondências entre as obras e convidando o espectador a experimentar o real como uma matéria em movimento.

Em Au-delà du Réel (Para além do Real), o maravilhoso surge assim no próprio seio do familiar: no instante preciso em que o olhar aceita ver de outra forma.

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